Sunday, December 02, 2007

No one

O ano que começou lento, termina rápido. Aqui, registros, declarações, amantes inventados. Tudo que foi perene. Antes e depois de tudo que começou. Pela estrada a fora. Tudo o que poderia ter sido e não e o que foi e não deveria ter sido. Ainda restaram alguns minutos preso em alguns instantes, mas isso é poesia de outra ordem. Hoje, ficou aquela antiga vontade, mais forte do que nunca de ir embora. De me afastar. E mesmo ouvindo aquela frase, tu não te moves de ti, eu ainda sinto que a partida, enfim, chegará. Para quem lutou e perdeu. Quantas vezes podemos nos recuperar de um tombo? E quanto mais poderia bater o meu coração? Amar, tornou-se o fardo dos fardos. Algo como o costume em perder. Só um registro mal desenhado, meu e daquele que amo.
Demorei, talvez, mais de um ano, ou 23 anos, para descobrir o que é realmente o amor. Enfim, chegar esse sentimento. E quando descobri, terminei comigo mesmo. Por onde olho. Minhas paisagens, todos aqueles que beijei, que dormi, que me aproximei. Ninguém conseguiu realizar tanto quanto você fez, em tão pouco tempo, dentro de mim. Encontrar uma parte, um fragmento de quem somos. O amor que nos deixa altruístas. O amor que me fez querer ser melhor e largar velhos hábitos. O amor que nasceu precoce. O amor que me engrandeceu e me fez tremer. Mas é o mesmo amor que fez com que eu chorasse. Por vezes de felicidade. Por vezes, de tristeza. Aqui, só um registro. Escrevi pouco dele, pouco do amor, pouco de mim e do passado.
Mas deixo aqui, o registro desse blog que me acompanhou. Ele ficará aqui, mas sem a minha mão. Só, como um dia ele começou. Deixo às canções tudo o que fiz.
Me despeço já com saudade. Enfim, foi uma cria.
Deixo aqui, meus pequenos registros. Deixo aqui,
um pouco de mim.

Saturday, December 01, 2007

Declare, a little thing called

Quantas palavras em um único momento podem se formar. Em um único momento, em pequenos, longos, instantes. Do sonho, do dia, do cotidiano. Tudo vai se formando com símbolo, signos, matéria próxima do real, misturados à paisagens idílicas. Tudo como deveria ser. As páginas que eu viro acumulam-se dentro dos pensamentos mais doces, como se os instantes pudessem ser duráveis, ou mesmo, não ter duração alguma. E um signo se forma, a partir de um pedaço do corpo, de uma sensação. Metafísico. Eu seleciono a imagem e formo a palavra. Para a boca, os olhos. Minhas partes favoritas. Invento um nome. Um nome que represente. Um nome que seja fiel àquilo. Tudo o que eu posso dar, são as minhas palavras. Isso tudo é um momento. Que mais poderia ser?
Quantas palavras se formam dentro desse único, peculiar, momento. Apenas três, três curtas palavras. Talvez já saiba. Talvez eu saiba.

Wednesday, November 28, 2007

Se é verão...

Ligo o rádio. Uma estranha, porém familiar, música está tocando. E será mesmo que deveria estar assim tão quente? Certos sons, aqueles mesmos que remetem a tantas coisas, são como fotografias. Talvez sejam mesmo as fotografias capazes de captar não só momentos, mas verdadeiras alegrias. Eu tenho essas fotos.

Entre as fotos, o sono, o derradeiro prazer de saber, sentir, ver. Um dia frio e outro quente. Há quanto tempo sem ter o que escrever e por isso saio por ai falando do tempo. Pouco interessa o tempo, as nuvens, as chuvas e até mesmo o frio. Se é verão, que faça calor. Cada coisa tem seu lugar de ser e existir. Se existe é porque deve ser.

Friday, November 23, 2007

Close your eyes

Tudo pode ter um truque. Talvez eu tenha vários. Como mágica, como um mágico. Eu sei que, por exemplo, água e detergente podem fazer bolhas de sabão. Sem mais nem menos. Elas podem e voam, mas estouram ao atingir certa altura. Deve ser algo relacionado com a química do detergente e da água. Mas são apenas bolhas de sabão. Às vezes podemos fazê-las, outras não. Sempre que precisar: um copo com água, detergente e um canudinho. Simples.

Sem as bolhas, tudo pode ter ou ser um truque. Ilusão de ótica. Maestria de quem sabe tirar coelhos da cartola. Sem cartola. Sem vontade. Serrar pessoas ao meio. É o mundo da magia. Ótica. Truques na manga. Em espera. Hold on. Plug play. Eu sei exatamente onde posso ir. Foi, talvez, fantasias. Mais do que eu imaginei ter. Tudo pode ser um truque.
Desvendar uma magia. Ela só vale enquanto dura, porque ela é mágica. E não outra coisa. Ela é fantasia enquanto dura. Só. Um truque.
Talvez dois.

Thursday, November 22, 2007

Esses sonhos, plantados à força, os sonhos intermináveis. Senti-los como melodia, como sinfonia orquestrada a sete ou oito cordas. Esses sonhos. Como abrir um livro pela primeira vez. O espanto das palavras. Das frases. Dos sentidos. Pela primeira vez. Erguer-se do sonho, esses valores que prezamos por tantos anos. Por fim a tudo, recomeçar. Andar meio metro e ainda saber que faltam quilômetros. Eu espero por sonhos. Estou tentando não tê-los, como os tive avidamente. E mesmo quando tudo desaba, ainda podemos criá-los, um a um.

Meu sonho, meu estar, pesar, sentir tudo dessa forma. De intensidade em intensidade. Esses tais sonhos.

Wednesday, November 21, 2007

Default

Sentir-se na derrota. Na parte mais baixa. Onde fica mesmo aquilo, a coisa, aquilo que nos prometeram?
E eu preocupando-me com os outros, acabei esquecendo de mim. Deixei escapar as construções, frágeis. Eu pensando no amanhã, quando era tempo do agora. Sem mais, nem menos. Às pressas, agarrando as paredes, sangrando os dedos de tanto lutar. A luta, a resistência, a batalha que travei, em vão, as barreiras. Para onde foi? Ainda resta um pouco mais. Talvez mais do que eu saiba. As construções, como as fiz, todas frágeis e pouco, pouco, pensadas. A vontade de chorar. Será que isso faz parte do novo? O novo, pelo novo. Pela estrada, pelo caminho que agora novamente me libertou. Me lembro das travessuras de criança e como era, ou parecia, tudo mais fácil. Entre as pedrinhas, a corda, as rodas da bicicleta. Como éramos crianças. Quando éramos apenas o que escolhíamos ser. E tudo seguiu. Foi indo. Os pés cresceram, o corpo mudou e a voz parecia ter amadurecido. Será que era para ser tudo assim?
Acabei esquecendo de prestar atenção nos adultos. Coisa de criança. Perder não é tarefa para qualquer um. Perder, ou ter perdas. E quando parecia que havia apenas uma, tive duas, três ou mais. Quem disse que seria fácil? Ou dissemos a nós mesmos? Quem disse que contos de fada realmente existem? Parei por um momento. Entre as forças que me deram. As poucas que consegui juntar. E realizar, construir, fazer acontecer a vida estando sozinho é difícil. Inexplicável.
Como é a sensação de olhar para a porta do quarto e não ter ninguém. Ter apenas as lembranças, os fantasmas do passado, a força dos olhares. Mas é apenas o começo. O começo para que eu um dia observe melhor os adultos e, sozinho, talvez, tenha mais crédito pelo que eu conseguir.
Momentos que podem passar. Rápidos ou lentos. Estou à espera. Vontades.
Que mais?

Monday, November 19, 2007

A new thing

O mundo pode se transformar. Se há na própria vida um tal crescimento, resta-nos o poder de mudar. Sentir tudo como se fosse a primeira vez. Vez essa de mudar. Aquilo que não serve e lembrar quem realmente somos. Eu passei mais de um ano entre o "quem sou" e o "quem serei". Foi a abertura de um palco, para palmas, risadas e vaias. E eu esperei tão pouco de tudo. Mas ser maior do que se é, pode ser dificil. Enfim, complicado, como sempre foi.
Mas há o fator do novo. Quem disse que eu sou assim? Hoje me veio, aquelas pequenas, curtas e sinceras frases. Foi como se eu realmente tivesse estendido a mão e, sem perceber, você segurou e me disse tudo aquilo que eu esperei mais de um ano para ouvir. E, talvez, como o relógio já nos enganou, eu conseguir me ver. Ver tudo aquilo que só você enxerga. E cá estou, devendo muito para quem eu sou. Devendo às pessoas que eu amo e que deixei para trás. Vou carregar ainda alguns bons tapas que levei. Aquilo tudo que eu ouvi sem querer e que me magoaram. Mas você, simples como sempre foi, conseguiu me tirar desse lugar que eu estive por muito tempo. E ninguém mais poderia fazer. Só você. "E desde quando você se importa com o que os outros dizem?"
Mudar, instaurar o novo, a vontade de ser. Largar tudo aquilo. Ser, voltar a ser, estar sendo e ter sido. Acho que é uma promessa. Essa a de mudar. E de repente tudo passa a ter um sentido outro. Os livros de filosofia na estante. Os poucos textos que escrevi. Eu escolhi bem. As palavras que sei usar.
Uso-as para mim.
Deixo que o resto, diga por si só.

Tuesday, November 13, 2007

Os livros permaneciam empilhados na estante. Um sobre o outro. Algumas fotos esquecidas mediavam o pequeno espaço entre eles. Aquele lugar era segredo. Ocultava os mistérios dos momentos em que Julia sentava na cama, abria a primeira página e lia com gozo infantil o primeiro parágrafo. Um sobre o outro, os livros pareciam querer contar a vida como se eles fossem feitos de um presente, tomados pelas recordações assentadas entre as capas e as páginas. Há tempos que estavam ali naquela estante torta de madeira barata e sem cor. Alguns com as bordas rasgadas, outros em estado de emergência, mas empilhados uns sobre os outros. Os marca textos queriam poder ter chegado ao final, mas ficaram parados naquele tempo da preguiça em terminar o primeiro parágrafo; outros, afortunados, ultrapassaram a página vinte ou trinta, na melhor das hipóteses. Ali naquele espaço de tempos, todos guardavam em si um segredo e uma vontade. Pareciam ter vida. Em alguns, Julia deixava um registro a lápis, quase como se fosse uma borda para a primeira página. Eram rabiscos, desenhos tolos e pequenos poemas. Em casos raros, circulava palavras que lhe interessavam como “falácia”, “promontório”, “amor”. Mas estavam ali, obscuros, empilhados uns sobre os outros. Julia passava as mãos lentamente por eles na tentativa de senti-los respirar. Esquecia-se de ordena-los por título, autor, ano de publicação e assim deixava apenas uma ordem de chegada. Na compra de um novo título, corria a colocar o exemplar em último lugar, pois assim sabia que não haveria a obrigação de ler ou catalogar. O pó seco que vinha pela janela alojava-se como um inquilino vitalício e o sol raras vezes alcançava a estante. O tempo corria sem sentido naquele lugar de assombrações. Um a um os livros permaneciam empilhados na estante, entre as recordações e o passado. Presos no espaço.

Saturday, November 03, 2007

O Passado

Naquilo que fica na estante, entre o que foi, o que é e o que sempre será. A vida, como caminhos, como escolhas de um deserto infindo de possibilidades de montagens, colagens, paisagens e tudo o que se quiser plantar. A colheita daquilo que somos. Entre todas as fotos que mesmo jogadas ao chão, recortadas e amassadas permancessem no coração, no sangue quente e nos olhos lacrimejantes.
As lembranças que permeiam o coração, sempre selvagem, daquiles que amaram, foram amados e serão sempre amáveis. Eis a recordação. Somos o que amamos. Talvez não. Talvez seja apenas o romance medieval que é-nos corpo, matéria viva da carne, cindida, perdida na busca do irreal, do que sabemos palpável que é o amor. A loucura de ter tido e não mais ter aquilo que tanto se buscou como tesouro perdido. E no fundo, quem nos restará para dizer que o amor, o antigo amor, será o supremo momento de se ter vivido?
Será sempre, como sentimento único, raro e doloroso, momentos de felicidades, de apreensão e sabemos, ao amar, que viver pode ser uma dupla. O sentimento que nasce e é irreconhecível, como mistério, alquímia do corpo, tudo o que fica entre o livro perdido, a foto rasgada, as lágrimas e os risos. Um dia se foi. Outro dia novamente será. Será, seremos, serão. Verbos de muitas declinações. À espera de se ter um outro na cama. Mas O Passada rege o que será o futuro. O passado será a lembrança para aquilo que se espera ser/ter/amar/viver.
Os filhos no jardim e loucura de se reencontrar um grande amor. O primeiro amor de muitos, será, futuro, amor de outros. E ficamos assim, no meio, na história com começo, mas sem fim. Como somos; a vida que separa, leva, traz, mata e acaricia o desejo e o despertar de muitos, muitos sonhos em vão.
Naquilo que fica na estante, há o sonho. O amor.
O passado.

The Assassin watch

Eu jamais serei óbvio. Tudo o que eu não digo, o que eu digo e gostaria de dizer. Pouco óbvio. Envolve em mistério, as palavras que seriam tão simples. Seja esse um problema de expressão. Não saber se expressar. Ou seja esse um puro artifício da retórica.
Mas é isso. Uma simples defesa da fala. Porque no fundo eu sei o resultado que virá de muitas situações. Como quando sonho repetidas vezes a mesma coisa. Como hoje. Mas na vida, têm disso. O tempo pode ser cíclico, sempre. Vai e volta. Os mesmos erros como se estivessem jogadas no mar. A onda leva e traz, sucessivamente. O relógio assassinado na parede não nos permite contar o tempo nem o mundo. Ele é o que é. Sem mais nem menos. É só mais uma vez.

Thursday, November 01, 2007

It´s Just the Price I Pay for it

Hoje é o dia de dizer “parabéns”, “feliz aniversário”, “muitas felicidades”. Eu disse.
A comemoração por 26 anos de vida. Contar, como se fossem ponteiros, os anos que nos separam do ventre e nos coloca entre o útero e a morte. Ao meio, partidos, cindidos, permeado de sonho. O que se formou dentro de 26 anos no espírito, no corpo, no discurso que foi se criou por meio de lágrimas, risos, vozes, tudo o que eu vi, ouvi, deixei de ver, deixei de ouvir, amei, deixei de amar, ganhei, perdi.
Tudo aquilo que se formou dentro de mim. Tudo aquilo que sou, que poderei ser e que um dia deixei de ser. “Feliz aniversário”. É o dia de retrospectivas, de abraços e apertos de mão, beijos e de anseios. Como se eu tivesse o dever, nos próximos 12 meses, de fazer o melhor, dar o melhor e ser o melhor. A cobrança que vem sei lá de onde. Talvez sejam os olhos Dela em cima de mim. A falência de uma paternidade. O horror. Enfim. Dia feliz. Vamos celebrar. Em um ano, me deram tudo o que eu não quis ver ou aprender. Como uma bomba. Jogaram-me a vida. Aprendi, meio tropeçando, pouco daquilo tudo. Ainda há, assumo, estilhaços espalhados por todos os lados. Estilhaços de erros e acertos. Por cima da cama, pelos cantos do quarto, entre os livros, na musica, nos quadros e nas roupas. Ainda resta um pouco daquilo que um dia eu fui e que jamais serei. Depois de dois lutos, duas perdas, alguns ganhos, tapas na cara, tombos, porradas, machucados, dei e distribuí muitos risos, alegrias e algumas lágrimas. Seguir em frente. Tenho mais 12 meses. 12 sonhos, 12 vontades, 12 manias e 12 erros. Tenho mais uns 26 anos para ser o que sonhei ser. A vontade dos outros. Que se foda a vontade dos outros. Fodá-se. Toca pra frente. Segue em diante. Sempre de cabeça erguida. Pedante mesmo. Como sempre fui.
Tenho hoje no meu coração, muitos outros. As pessoas que me ergueram. As pessoas que me deram força, ensinamentos, risos, tristezas. Todas aqui dentro reunidas. Esse ano, esse ano descobri algumas pessoas. Algumas partes de mim que estavam espalhadas pelo mundo. Tão perto e tão longe. Essas pessoas, umas nem sabem, mas são importantes na minha vida. São 26 motivos para contar. 26 vezes que eu precisei. 26 vezes que me fizeram rir. Queria colocar o nome de todos aqui. Não vai caber. Mas eu queria dar às palavras do meu texto nome de vocês. 26 vezes multiplicadas por mais 26. Esse ano. O ano em que descobri muito do que eu precisava. Caçador de tesouros. Caçador de vontades.
Enfim. Tem muito ainda do ano em mim. Fodam-se os estilhaços. O peso: mais 12 meses.

Tuesday, October 30, 2007

Big City - Rio de Janeiro Parte II


As saudades remanescentes daquilo que foi. Vontade de passear, dia-a-dia, pelas calçadas famosas e ter um pouco da paisagem dentro dos olhos. Um pouco mais da água esverdeada escorrendo na pele e o suor, típico do calor sedutor, um pouco mais pelo corpo. Ainda com a beleza do sotaque, o jeito despojado de falar, os "r"´s arrastados, quase lânguidos. Ali, naquela cidade, por três curtos-longos dias. O cuidado para não se deixar levar. Ondas, muitas ondas. Das vozes que vieram de fora para fazer bater mais forte seis nobres corações. Da cerveja gelada ao porre; queimar a largada no início da noite, porém feliz.

Da discussão, às pequenas faíscas, aquecidas ao som de guitarras, garoa fina e muito, muito calor. O que a cidade provocou em cada um será, para sempre, um segredo pequenino. Aos sonhos de cada um, seja qual for, desde a vontade de permanência ao eterno retorno, cada um terá um pedacinho do Rio dentro de si.

Ainda em estado de euforia pelo acolhimento, de braços abertos, deixamos o lado paulista aqui mesmo para embarcarmos na aventura de desmistificar um lugar, pessoas para ter então um novo olhar. Talvez um olhar como o daqueles que lá vivem. Por três dias deixamos a cor branca da pele, as manias de shopping para adentrar em um universo do "bem viver". Praia, sol-show-cerveja-sunga-biquíni-riso. Os sonhos, tudo o que seria só memória, pode ainda viver, feliz, em nossas conversas.

Um pouco mais apaixonado, um pouco mais de esperança, lembrança daqueles que nos encantaram, saudade e qualquer coisa que o valha.

Talvez um pouco mais do que gostaria. Ao Rio.


Para matar a saudade, Mr Brighside - The Killers


I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can't look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside
I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
'Cause I just can't look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside
I never...
I never...
I never...
I never...

Monday, October 29, 2007

Declare Independence! Raise Your Flag!




Não é mito. Não é, talvez, inserção de novela. Muito suor. Muita vida vinda daquela famosa calçada de canções, de livros, relatos. São muitas as vontades que uma cidade, chamada de maravilhosa, pode oferecer ao mundo, às pessoas e à 6 paulistas.


Os corpos suados, depilados, ao sol e ao mar. Tudo pareceu mágico. Ao final da tarde no Arpoador ao som de um sax inusitado e um por-do-sol que parecia realmente um filme. Ao som de Tom, Vinicius e João Gilberto o Rio recebeu-nos de braços abertos.


As delícias de o mar como vista-paisagem. Páre tudo. Sim, o Rio de Janeiro continua, deveras, lindo. E o espirito carioca, lindo de viver, lindo de se observar. Ano que vem estarei, malas e cuia.




E nesse cenário, nessa loucura de beleza, Bjork encantou ainda mais meu espírito com um show estonteante, brilhante, encenado. Deixou, àqueles que só a consideram esquisita, de queixo caído. Bjork fez um show mágico, cantou sucesso antigos em nova versão, brincou com o público (com o seu obrigado islandês-britânico) e fez, ao final do show, a tenda ir abaixo. Uma explosão de sons, de sinestesia, de maravilhamento. Aos meus olhos que refletiram toda essa beleza em muitas lágrimas.


No sábado, impressionado com a performance de Juliette e os Licks. Som de garagem, seco, meigo, a banda abriu o Tim para o Killers em uma performance inesquecivel. Divina. Juliette, louca, ateou fogo no Rio de Janeiro. Simpática, divertida e cínica.




Sem mais. Ficou a vontade de ter mais do Rio. No coração a lembrança da cidade maravilhosa.


E quem sabe então, o Rio será...?

Zuca, Caca, Silvinha, Luana e Rafa - Aos 6 paulistas, antes brancos, agora um pouco avermelhados.

Wednesday, October 24, 2007

A Year Later

Em um dia, quando menos se esperou, aquela voz, aguda, mas forte como um raio, desceu para dar um alerta. A voz que não era dele, mas dela. A voz que veio, cortando nuvens, deixando rastros de tambor por onde passou. Essa voz veio, desceu, agonizou por baixo de árvores, deixando troncos à beira das ruas; essa voz que cortou o mar, fez com que a água subisse, se revoltasse por entre os peixes, a areia e as montanhas que, quietas, observavam sem questionar. Era a força. Como força, desceu, cortou o asfalto em pequenos, pretos, pedaços. Adentrou pela janela do quarto. Parecia um feixe largo de luz. Quente, e ao mesmo tempo, gélida. Rouca e dócil.
Desceu rapidamente. Na viva voz. Era comando de loucura. Comando do passado, misturado ao presente e a fome de viver.
Da receita que ele criou, do grande ao pequeno, aquela força que veio, força para dizer, pronunciar o fim próximo; o ciclo da vida. De tempos em tempos tudo se fecha para que outros possam começar.
A força da tristeza. A força do desgosto que era também hálito de descontentamento. O eterno retorno. Aquilo que a Vida traz e leva, como ondas mesmo. E quando, do céu, surgiu aquela força, esse mesmo mar, repleto de ondas revoltas, abriu-se. Abriu passagem para o mistério. Do intocável. Da maneira como as coisas fluíram. Na Vida, restou apenas alguns pontos importantes. Sem voz. Silêncio e coragem.
Em um dia, desses nublados, veio a voz. Ao som estridente, aos dentes serrados como bicho selvagem, ouvi pela fresta, calma e doce:
“Segue, teu mundo. À espera.”

Monday, October 22, 2007

Dear Albert

Einstein deixou-nos o postulado de avanço na física. Criou reiventou, a partir de teorias já existentes, os princípios inovadores para entender um pouco mais sobre o universo. Assim, trocou os conceitos de espaço e tempo da teoria de Newton pela idéia de tempo-espaço como uma entidade geométrica.
Brilhante?
Assim, com a teoria tempo-espaço, chamada também de teoria da relatividade, Einstein desmistificou o espaço e o tempo, criando também uma complexa rede de algarismos advindos do pensamento matemático, mas também, ao que me parece, social. princípio da relatividade foi surgindo ao longo da história da filosofia e da ciencia, como conseqüência da compreensão progressiva de que dois referenciais diferentes oferecem visões perfeitamente plausíveis, ainda que diferentes, de um mesmo efeito.
Aqui encontram-se as teorias a respeito da velocidade da luz no vácuo, como nos é apresentada na vida cotidiana.
A luz, como tal, energia radiante, é capaz de transformar objetos inanimados em perfeitas movimentações, reais ou não. Sim, a luz é de todas a mais importante das físicas existentes. A luz, presente na vida cotidiana, também poderá ser o estopim que trará, literalmente, a humanidade à escuridão. Falamos aqui da luz energia elétrica e não como fonte natural de energia (se bem que há teorias a respeito do prazo da estrela solar).
Sim, antes que se possa pensar, Einstein reiventou as maneiras de se pensar a física.
Aqui, física e realidade se fundem. Misturas da realidade.

Friday, October 19, 2007

You dont Know Me

Na fria noite, em que os olhos, mesmo esperto, parecem querer encerrar, há um ciclo se fechando. De todas as formas, mascaradas ou não, de se reverter um processo. Eu posso, talvez, ser um erro, na fria noite em que você me enxerga estando à quilometros de distância, próximo daquilo tudo que sempre sonhou.
Sem saber o quê ou o porquê, continuo dando as mãos ao Diabo. Lanço correntes e ato pesadelos à vida real. Dança e suor. O frio calor que sai das palavras, passa pelas mãos, e nos envolvem nisso que somos.
À quilometros de distância, ouço ainda um leve suspiro. Noite e dia. No quarto, na foto pendurada. Resta um ou dois sentidos para algo maior: o ciclo se fechando. O plano, a fonte de vida que separa o eu do tu. Linguistica sentimental.
Na fria noite. Adormeço, sem perceber, fechando seus olhos.

Thursday, October 18, 2007

Citzen Cane

Na abertura, no plano da cena, pelos olhos cerrados/calados por aquele silêncio autônomo, existe a espera pela canção.

No escuro, deserto do dia, manto dos amantes, existe aquela canção: veludos de vozes afobadas, cansadas, ofegantes mesmo. À noite, nossos corpos, como poderiam se amar, amando-se. Eternos, cobertos pelo som, pelo silêncio de existirem e pela noite ofegante, calorosa.

No final, separados: encontramo-nos dentro de um jarro de flores. Germinados na separação, como planta sem vida; presa ao passado, assim, como fotos e relógios.

Cenas, somente cenas que podem ser filmes. Sim, películas em cores que se traduzem na vida, imitando a arte que imita a vida. É o jogo. Cinema. Cinemá.

Começa a mostra de cinema.

Wednesday, October 17, 2007

Guitar Lover´s

Exatamente como deveria ter sido, um sonho como pólvora. Viagens do inconsciente. Um, dois, três tiros nas costas. A bala perfurando a pele. Apenas uma leve...Três balas. Correndo para hospitais, pontos do ego, a fugo da consciência por estranhos caminhos. Uma despedida sem calor, fria e pouco comentada.
Sim, pólvora e o despertar brusco. Susto.
Essa foi apenas a primeira parte. Algo está acontecendo. Imagens de fogo. Artifícios. A poética do fogo como símbolo, símbolo do que? Símbolo apenas. A poética do som, do forte som, do mito, das plantas e velas. Do grito ao som baixo, abafado, quase sem voz. Aos amigos que pouco vejo. As manhas, vontades e mimos.
*Ansioso. Semana que vem.

Sunday, October 14, 2007

For...

Sem razão, sem motivos. A sela. O pacto do mesmo cavalo, antigo animal de estimação que, a galopes, corria por entre a selvageria e o medo de liberdade.
Antigas e estranhas sensações. Como montaria. Metáfora indigna. Antigos dizeres que retornam à casa, como se filhos dela, o fossem.
Casa destruída, apartada por antigas memórias, no topo da montanha. Estilo Clariciano, sem desejo, sem vontade de ser Virginiano, ou mesmo, ser apenas a mão e a caneta.

Thursday, October 11, 2007

Hurt or sorrow. That´s the way

Estou ouvindo Mother and Father da Madonna.
Cabem letras. Muitas letras. Talvez mais do que eu imagine. Todas as letras em uma só. Seja, por exemplo, um livro de muitas páginas. Muitos ídolos. Fãs e todo o percurso. U-turn. O caminho inverso. Nem sempre temos aquilo que sonhamos. O sonho, enfim, pode ser apenas ilusão do sentiment(al)o. Nem sempre podemos ter o que desejamos. No íntimo segredo, na cama, no corpo, na mente. Nem sempre podemos.
E os caminhos de volta. Serão esses mesmos? Por que me amarro em um sorriso desiludido. Abandonar sonhos é tarefa manual mesmo. Abandonar um sonho, deixar a esmeralda escurecer, como sol deixa a noite chegar. E logo teremos o horário de verão.
Tudo passa. O que fica? Se passa, como passa. Os sonhos abandonados na porta; da porta pra fora.
Amanhã, só amanhã.

Tuesday, October 09, 2007

And they shine...the stars

As sensações de sentir aquilo que não conhecemos.
Sim, estas sensações que vêm de onde menos se espera. Pela fresta do inconsciente. Do terror de saber quem somos.
Mas há aquela força que procurei, aquela força maior, que, ontem, encontrei. Fui chamado. Chamado para que eu pudesse, sem entender, ver e sentir minhas mãos pingarem de suor. Foi somente a sensação. As mãos molhadas e depois, com um simples toque, essas mesmas mãos sentiram-se em casa. A nova casa.
Sem medo, descobrir é isso. Sentir bem com as sensações, como ontem. Obrigado. Estrelas, cantos, mitos e aquela água que escorreu das minhas mãos e que me fez, como jamais estive, perceber muita coisa que está ao meu redor.
Segure as rédeas. E fale, para o bem ou para o mau.

Monday, October 08, 2007

High Voltage

Na física, aprendemos algo sobre voltagem. As altas voltagens. Pode ser simplesmente energia. Pode também ser algo relacionado ao funcionamento de aparelhos elétricos entre outros. As cargas altas de energia, menor que uma lâmpada, ou quase como uma usina.
A energia que vem pela fissão de átomos. Coisa do sentimento. Gera energia, emana para outro lugar, a fissão dos átomos. Adrenalina. O fio do cabelo e os pêlos do braço arrepiados. Aquele fluxo constante de elétrons, passando pela corrente sangüínea. Energia radiante. Os músculos associados aos ossos transformam energia química em energia mecânica. A corrente elétrica que transforma um olhar em luz, um desejo em movimento. A energia veloz, o tesão do corpo acesso, como lâmpada, fluorescente, incandescente. Volta e meia, liga e desliga. Deixa acessa.
O processo muito exotérmico de oxidação. A cama em combustão. Manhãs, tarde, noites. A energia. A física da energia. átomos, elétrons movimentando-se rapidamente.
"A composição dos gases que se desprendem, assim como a sua temperatura e disponibilidade do comburente, determinam a cor da chama"

Friday, October 05, 2007

Out of my Cage.

Sentia que momentos como aquele eram raros. Nem sempre se podia, como naquele livro, comprar flores. Caminhou pouco. Deixou-se vencer pelo calor. Olhou para cima. Aquele prédio ainda em construção. Alto, forte, portentoso. Achou que o fariam de vidro espelhado. O céu, pouco nublado, tinha uma cor estranha.
Sentou-se no parque. E as flores? Levantou-se e desceu a rua. Vazia. Desceu a rua. Parou próximo a uma loja de antiguidades. Tirou uma foto da fachada. Parou novamente. Olhou para cima. Ia chover, sabia que iria chover. Havia esquecido o guarda-chuvas em casa. Teria que procurar abrigo, mas resolveu deixar a chuva cair assim mesmo. Controle do tempo. Previsão, como no telejornal.
Olhou novamente para cima. Era dia de chuva mesmo.
Continuou o itinerário. Seria hoje, o dia em que compraria flores. Talvez, pela primeira vez.
Como no livro.

Wednesday, October 03, 2007

Somewhere in Japan

Culto, misto de tecnologia e religião. Altas árvores, meticulasamente cuidadas, centradas em jardins programados, organizados nos detalhes menores; minimalistas. As altas luzes vindas dos letreiros gigantescos e quentes, misturadas ao povo estranho, baixo, de olhos puxados e risadas contidas. Naquele interior, no campo de arroz, as pequeninas árvores sendo cuidadas com as mãos e alguns campos verdes, cercados por aquela magia da religião. Uma fumaça de insenso vem para perto da folha roseada, uma gota de orvalho escorre - languida - e a fumaça, assustada, corre para longe, bem longe.
No meio das luzes, perdidas, amarelos, vermelhos, estranhos néons, vem aquele fonema. Uma junção irreconhecível, inaudível de sons, batidas de dentes, vozes agudas e algo que parece um grito. No meio das luzes, com o cabelo liso na testa, pode-se ouvir ao longe, num alto apartamente daquele prédio arredondado o som. Alguém cantando, as luzes batendo no vidro, refletindo as imagens da propaganda. Ela canta; sabemos que é uma mulher. "i´m special, so special...gonna make you..." e antes que pudesse perceber, uma ambulância afoita passa, encerra a música e a vida volta ao normal.
Aquele culto, a peruca rosa, o moço alto, e aquelas luzes, misturadas ao cheiro do molho de soja e do peixe, um pouco de arroz empelotado, e aqueles insensos. O culto. As folhinhas de papel amarradas no galho da árvore. Aquele culto.
Sim, em algum lugar do Japão. Perdido. Lost in translation.
Familiar...

Tuesday, October 02, 2007

Bones

Vamos falar de pôr-do-sol? Melhor não.
Vamos então falar sobre os poderes da mente? É...
Que tal um papo sobre arte? Assim é difícil.
Bom, levando a Hilda na mochila, como se estivesse levando comigo mesmo aquela coisa:
"tu não te moves de ti"


Saturday, September 29, 2007

Written

"Um dia eu mando notícias"
A frase do bilhete, da vontade de representar a vida na excessão que ela não trouxe. São tantas as vontades. O anseio na porta, nas gavetas e nas roupas empilhadas no armário. Um dia eu mandoi notícias. A vastidão do repentino que atravessa laços, que corta o pensamento invadindo personagens de um só. E a frase de bilhete, em cima da mesa, traz aquela notícia de saber para onde ir. Mesmo não sabendo, ir. Caminhos de voltas, de curvas, de sentidos como nunca se fez antes. Um dia eu mando notícias. Experimentar o vazio e preenchê-lô com vida. Clichê, mas o que é mesmo viver? Construir, um em cima do outro, uma única linha - como a palma da mão - ´para que possam ler, sem dó nem piedade, tudo aquilo que ansiamos e que fizemos.
Vontade de vida. Talvez, vontade de morte, para que se possa, determinado, recomeçar aquilo que não foi feito.
Quanto tempo? Um dia eu mando notícias.

Thursday, September 27, 2007

Licence to Kill

Tolo, eu, na madrugada, acreditando na magia; na vontade de realizar pensamentos tão particulares. Do fundo, sabe-se, tolo, eu, em acreditar nas vontades e tê-las como verdade. Mania de falta de chão, rumo sem padrão e elaborar, coisa que tenho, sonhos em realidade.
Sim, tolo, eu, na madrugada, escalando pensamentos, arranhando as paredes do estômago. Tudo para acreditar na verdade das cartas. Sente, como eu, tolo que sou, saber de si por meio da madrugada.
Antes, preso, na noite, escolhendo estrelas, e você, um doce pensamento. Agora, que houve o ponto final do passado, cato estrelas e jogo-as para longe. Brilham, por alto, no alto céu da madrugada.
Eu, tolo que sou, acredito que um dia possam as estrelas caírem novamente no chão estrelado das cartas; um presságio e uma vontade.
Realidade! Eu, tolo, penso na realidade. Aqui é real. O mundo da fantasia.
Escolho. Tolo que sou, escolho o não-feito, o desejável. Controlo minhas emoções, engulo a seco e me mantenho fiel ao que sou – à você. Mantenho-me fiel. Guardo para mim aquilo que mais desejo. Passa.
Tolo, eu, na madrugada achando que sonho é realidade!

Tuesday, September 25, 2007

Sometime. Upon that mountain

Houve um tempo, lento, talvez ainda mais vagaroso que os que vieram depois. Houve um tempo em que sabíamos de uma certa eternidade, da construção daquilo que é vago; o que pôde tornar-se palpável. Houve um tempo em que só o olhar podia dizer aquilo que as brigas não deixavam mais. Sim, sabíamos que o fim era só uma lenda. Tudo venceríamos. E por tudo, fomos, rápidos, derrotados.
E por que nunca fomos capazes de contar horas. Nos sábados em que bastávamos, um ao outro, fomos o que chamariam de felizes. De discurssões, palavras categóricas, chegávamos ao som; o nosso ruído perto da orelha quando, dentro de mim, dentro de você, o som e o corpo tornavam-se um só. E aquele som, era o nossso som. Ao fim, quase como se quisséssemos quebrar a barreira entre o corpo, o suor e os ossos, falávamos um "eu te amo". Nos momentos em que ponteiros não eram barreiras, sabíamos de uma certa eternindade - imortalidade. E vencemos, sozinhos, cada um em seu caminho, a verdade sobre aquilo que não é eterno. Fracassamos na estrada que nos conduziu. Erramos o caminho e fomos, cada um, para lados diferentes da mesma estrada.
O perdão veio tardio. Nas tardes afastadas, na família não reunida...Somos o que nos tornamos um longe do outro. Por que não falar de histórias de amor? Eu falo, porque histórias, toda história, deve ser contada. Aqui, no meu cantinho, eu posso contar. Histórias de nós dois. Fomos, um dia, esse meio verão. Das praias, dos mares, daquilo que juramos, nus na cama olhando pela janela, àquilo que viramos. Um ao outro. Somos hoje, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização.
"Como? eu disse que era para pendurar o quadro na outra parede"
"Eu sei o que você quer dizer."
"Demoramos para contar um ao outro"
"Mas por que?"
"Sim, eu também te amo"
"É verdade. Não fazíamos bem um para o outro"
"Você foi..."
Na abertura. Hoje, o que somos? Companheiros de amizade. Talvez o nosso jeito de ainda enganar o destino e estarmos juntos no juramento que fizemos um ao outro. Você preso na mágoa e eu já, depois de muito tempo, entregando meu coração. Você tentando reconstruir a vida, com o que ela lhe deu, e eu, talvez tentando me reconstruir.
E um dia, houve um tempo em que achávamos que existia a tal eternidade.
Houve um tempo.
Naquele tempo. O Tempo da Montanha.

Soundtrack - Gustavo Santaolalla - Brokeback Mountain

Monday, September 24, 2007

Ballade No 3 as-dur opus 47

Precisamos lembrar quem somos. Certo. Ponto de impacto. Precisamos, sim, lembrar quem somos. Hoje, depois de dirigir sob um tempo incerto entre o sol quente e a chuva refrescante, ouvi Chopin. Herança de minha mãe que ouvia na sala com as luzes apagadas. Coleção de herança. E ouvindo lembrei-me do quanto gosto e sempre gostei, talvez por influência dela, de ouvir Chopin. E não é algo trivial. Ao contrário, é um prazer quase inexplicável. E quanto tempo passei sem perceber o quanto eu gosto de Chopin? Nos últimos anos, havia esquecido. Quase como me esquecer Dela.

E me veio o pensamento: por quanto tempo nos esquecemos, naquele escuro de nós mesmos na troca dos outros? Penso ainda mais naqueles que têm a vida como "própria". Donos de suas vidas. Eu, por exemplo, não sou dono da minha. Eu deixo-a de lado em favor dos outros. E por muito tempo nesse vaivém de não ser dono, mas empregado, esqueci de muita coisa. De quem eu sou, do que eu gosto e como eu gosto. Esqueci que Chopin é meu compositor favorito. Esqueci que gosto de ler nas manhãs de domingo. Esqueci que gosto muito de presunto frito e de sentar perto da janela; E muito ainda se perdeu nos descaminhos, nas trapaças que criei ao longo de anos, e ainda crio.

Sim, sou cria de uma maldade: esquecer de si próprio para lembrar sempre do outro. Mas, nada tão drástico. É só relembrar. Lembrar Dela sempre, o Chopin no ouvido - e a felicidade de ouví-lo me eleva - e lembrar de outras coisas, pequenas, mas importantes.

Precisamos lembrar quem somos. Ponto de equilíbrio. Força de vontade. Vontade de representar. Um mundo, uma tecla de piano, sentimentos escondidos. Ser quem somos. Máscaras de Nietzsche. Sim, sou fá de outros filósofos também, devo admitir. Sempre preferi, filosofia barata.

Friday, September 21, 2007

De Apolos e Afrodites o mundo é feito. Onde está Cassandra?

Talvez seja isso: é assim que a vida faz. Têm disso mesmo, as coisas. Eu espero tempos, muitos tempos, relógios antigos, digitais, formas inócuas de contar o tempo. Como personagem de desenho animado, tenho pouco movimento, poucas falar, poucas ações. À mercê daqueles que me comandam. Digo, meus sentimento. Aquilo que provoca fuga. Mau do século? É o espírito, inerente ao que sou, reiterando minha forte vontade de fuga. Essa fuga que tem um corpo. Mais do que isso, um caderno, diário mesmo de recordações. Eu tenho dois ou três. Em apenas um, deixei marcas de palavras. É ela por fim que me resta sempre. Sou o que sou.
Descobrir que tenho esse "talento" para ensinar o que estudei. Me deu vontade de ser mais. E talvez a ânsia por uma situação ecônomica mais favorável, digamos assim, pode ser revista. Uma vida que possa ser reconsiderada. Tenho isso. E no momento me veio essa felicidade, tola, eu sei, mas esperançosa. Talvez tenha aquele espírito de Delacroix dentro de cada um. Cada parcela do que somos, tem aquele mulher com a bandeira vermelha na mão, erguida no meio do caos. Temos esse fragmento do homem romântico. Nossa capacidade de sonhar, talvez realizar, lutar contra si, aprofundar-se no que somos.
Me resta sempre a palavra. Serei eu autor de palavras? Bandeira vermelha que ergo, pouco, mas ergo.
Sentimento de paixão, intensos. É o vermelho. O negro de Stendhal. Calço os sapatos e mais uma vez vou caminhar. Esvair o sentimento. Pedra preciosa que se vai. Sonho que se acorda. É, não posso culpar o mundo. Resta-me a palavra. E o que ia dizer, deixo entalado na garganta. Para que? We are who we are! And i would´nt chance a thing.
Right?
Bom, a Madonna disse isso.

Thursday, September 20, 2007

Theme Park

Sempre escolho temas. Temas para leitura, música, filmes e temas para manhãs de sol ou de frio, chuva ou ar seco, feliz...ou triste.
Mas nada disso por enquanto. Por enquanto vou me enrolar naquilo que mais conheço. Deito e esqueço. Machuco um pedaço da minha pele para esquecer.
Enfim, manhãs são assim: têm disso. E ouço aquela música, mudo a faixa para não lembrar de você. Ainda hoje, devo fazer um seminário sobre o romântismo. Perfeito, não? Sim, o romântismo e aquele espírito subjetivo, mal do século, luta contra o mundo. Sim, renasço na subjetividade. E vejo assim, perto demais...talvez ainda mais perto. Jogos podem ser apenas jogos. Vontades de vontades. Nada é real.
Enfim, vamos tocar, mudar a faixa. Hoje tem aquele seminário. Falarei de mim. Quem melhor para se ter como exemplo, talvez tolo.

Wednesday, September 19, 2007

Party on today

O tempo em São Paulo anda desacostumado. Inconstante e cruel. O tempo está deveras desacostumado. Antes, podíamos prever tudo o que aconteceria. 23 graus à tarde e chuvas esparas a noite. Ultimamente só conseguimos advinhar levando na bolsa um guarda-chuva, uma blusa de frio, óculos escuros, protetor solar, cachecol e um monte de parafernalha para todos os tipos de clima. Estranho.
Parece que de súbito, a cidade resolveu revelar que nem só eu sou inconstante. Ah, sim, as parafernalhas eu sempre levo, daqui até ao fim, que chegou. Mas não temo finais, afinal, eles estáo sempre a nos rodear.
Vontade de assistir Fim de Caso. Vontade de promessas. Ai, lá vem. Chuva. Caralho. Será que alguém pode dizer porque estamos assim sem eira nem beira?

Tuesday, September 18, 2007

Something About It

Tem algo nas manhãs nubladas que faz com que o mundo se esqueça. Esqueçamos de girar. Parece-me coisa contrária. Nos dias frios, paramos para ver o peso da nuvens. Seriam as cores? Talvez como uma canção; seja nota de lamúria ou canto alegre, pode ser uma canção que possa retratar as nuvens estáticas, coloridas e pesadas.
Seria como descrever um algo ou um alguém. E quem não tem dentro de si aquele pequeno sonho de príncipe, pronto a testar sua coragem. Igualmente, quem não tem uma rosa? Tem algo mesmo nas manhãs nubladas. Impressões, como pintura. Como falso testemunho de ver flashes de sol por entre o cinza e o roxo. Quem não conhece mesmo, sabe que tem algo nessas manhãs.

Monday, September 17, 2007

Just Watch me Burn

Tem aquela música que relaciona sonhos com arco-íris. Aquela música do filme da menina de sapatos vermelhos. Essa mesma.
Ontem eu assisti "A História de Nós dois". Estranho ver filmes em outro contexto, pois ele assumem uma nova forma, uma nova linguagem.
Eu deveria escrever mais, sobre aquilo e sobre tudo aquilo. Mas não. O que faço em conserva, é como algo de cuidar. Cuidar para não ruir algo que nasceu bonito. Conservar, como faz aquela tal natureza. E tem ainda aquela resolução. Uma ou duas. Onde está mesmo o destino? Ah, sim, esqueci. Ele veio até a porta, bateu e foi embora. Não digo ele todo, mas apenas uma parte dele. Receio dizer que não foi brincadeira. Essa coisa do destino. Será que ainda sou o seu destino e você o meu? E por que ainda escrevo "você"? Terapia de Roland Barthes - um dia explico melhor. O importante, acho, é aquela resolução. Ainda vale a pena tentar. "Você" vale a pena tentar. Mais que isso.
Bem, voltamos à música da menina de sapatos vermelhos. ELa e a música que me emocionaram quando criança. Mal sabia eu, pequenino, que estaria rumo aquela cidade verde e brilhante, onde a bruxa, nariguda, estava me esperando. E sim, eu mesmo acabei ficando como o homem de lata, como o leão e como o espantalho. Eu mesmo acabei sem coração, sem coração e sem um cérebro. As três coisas essenciais da vida. Porque eu sou ao mesmo tempo, um leão covarde, uma homem feito de lata sem sentimentos e um espantalho sem cérebro. Ao mesmo tempo, com sapatos vermelhos, eu sou tudo isso. Talvez não seja isso. Algo assim: eu sou esses três. Quando resolvo não ser, como no caso do leão - que deveria ser eu agora - algo me bloqueia. Onde vai a coragem? Onde foi parar as garras de lutar?

Chega de OZ.

Thursday, September 13, 2007

From where it´s coming

Escrever é um momento. Algo de secreto e ao mesmo tempo obsceno. Momento. Pode ser até mesmo uma manifestação de um estado de consciência. E, sim, é um momento.
Escrever é corromper a fala. Dar ao silêncio seu sentido primeiro; sentido pragmático-primitivo. A idéia, o pensamento e a representação do que se é, existe, em primeiro, nesse espaço, nesse silêncio. Na obscenidade do "ser". Quando, por exemplo, escrevo revelo segredos íntimos. Por muito tempo desisti de escrever sobre o tal jogo de cartas. Protelei, pois a verdade, feliz (porque sim a felicidade) era algo que não poderia jamais ser imortalizada. Porque as palavras têm disso: imortalizam idéias-pensamentos. Mas, a certeza de querer aquilo que disseram as cartas foi tanta, que já imortalizei, com um laço azul, talvez um pouco mais azul do que isso, deixei evidente o jogo - que era só meu. De segredos, vim escrevendo. De medos eu escrevi, futuros, decepções, vontades, orgulho, querer ter e não ter etc etc etc.
Por alguém (esse é o segredo) eu escrevi muitos textos. Dediquei som ao meu silêncio. Na dança das palavras existe um nome. Nesse desespero de pétalas existe um rosto. Na angústia do calor, o sol tem uma representação. Então, porque não querendo dizer, acabo escrevendo?
É o meu momento. Aqui digo tudo o que eu quero e não tenho coragem de dizer. Aqui, faço um pequeno espaço para dar esperança ao meu discurso. Espaço de príncipe. Porque escrever é um momento. É dar luz a uma idéia. É querer ser lido. Eu leio. Como lêem meus tão íntimos pensamentos. É só saber procurar. Estou aqui.
Esse é o meu momento e pode ser o seu também. Escrever é isso: só um momento.

Sun in the sun

Me canso de histórias. Me canso daquilo que se perde em caminhos tão perfeitamente traçados. Sim, os caminhos, deveras inseguros, me cansam. Facilmente, o sol batendo forte de faca amolada no rosto, no peito e nos braços; o sol me cansa.
E talvez agora eu esteja entendendo muito de histórias. Revelações, sentimentos, alguns incertos, mas estou entendendo. O que é dor, o que é sofrimento e para cada um, uma alegria diferente. Será que tudo isso pode mesmo ser racional? Eu que sou tão emotivo, poderia ser minimamente racional? Questões infundadas. Apaixonar-se é racionalizar os motivos do sentimento. E será que há mesmo algum motivo? Quem sabe exato o que é apaixonar-se? Seria o desejo? Aquela vontade de fúria em abraçar, sentir o cheiro, o sabor da pele, passar as mãos pelo corpo trocando aquela energia e deitar, deitar-se sobre o corpo, deixando que o calor ultrapasse o espaço físico, tornando-se suor, cheiro, cor e vibrações.
É tanto. Tanto.
Não sei como descrever. Algo como estar relacionado ao sol, ao sol dentro do sol. Assim como estou por você: o sol dentro do sol.

Wednesday, September 12, 2007

Waiting for the Devil and the Moon

Leves tendências. Eu digo aquele adeus, aquela vontade imensa de jogar no ar pequenas pétalas de rosas virgens - vermelhas. Antes da voz, tem o som preso ao pé do ouvido. É lá, é nesse lugar que minha vida existe. As representações de pássaro e pétala que sou. Moro nesse lugar do adeus, porque estou sempre dizendo adeus. Sinto como uma dança essa coisa do adeus. Àdeus. Vontade de sentir-se como pétala. Como lua e como o próprio diabo.
O que transcorre da vontade de ter uma noite de sono tranquilo, como esta. Dormi e sem mais. Antes o pedido, depois os sonhos que não me lembro quais foram. Só a vontade.
Adeus, por deus.
Leves tendências de dizer adeus, ou de trazer cada vez mais perto de si, o presente.
Me visto de cores, pétalas vermelhas. Um pouco exagerado, mas ao vento, como as pétalas.

Tuesday, September 11, 2007

Go on and fool me

É nos sonhos que eu tenho você. É nos sonhos, pesados talvez, que eu consigo alcançar sonho-de-vida. Linguagem de emoção, sensação de ter tido, sem ter tido. Em verdade é assim. Os sonhos serão sempre sonháveis. Estranho. Estranho ter tido, mesmo que em vigilia, e acordar sem. Parece, por vezes, que meus olhos se cansam para que eu durma e tenha tudo isso que deveria ter na vida "real".
Mas isso é a velha mania de fantasiar com o proibido. Mania de séculos, mania de 25 anos. Talvez 23. Eu fantasio. Sonho com você e acordo feliz com o sol batendo na cara. Mas sonho com você e entristeço quando descubro - "Foi apenas um sonhos". Sonhar tem disso. Mas eu me engano fácil. Tenho sim a tendência louca à depressão. Ninguém sabe e ninguém vê. Passa em questão de horas. A depressão por coisas pequenas. E esse sonho que é tangível...Enfim. Viver de sonho. Quantos maneiras de escrever isso eu encontro por dia. Mesmo que acordado, recosto, deito, sonho, vejo sinto aqueço na loucura sem ponto e sem vírgula devocêexclamaçõeseecosdesonhosintermináveis. E m s e g u i d a p ar o e me recupero. Coloco o ponto e a vírgula. Um pouco de lado emocional.
É, sentimentos são assim. E a noite tem sempre mais:

Monday, September 10, 2007

Destin(action)

Ser sincero, verdadeiro mesmo. Que tarefa é esta que nos impõe à alma, do mundo que nada se leva. Ser intensamente, viver com este lado tão emocional que se coloca à frente de tudo e todos; a emoção que vem da pele, dos poros e da vontade imensa de ser um poeta romântico.
É difícil. Tarefa de mitos. Estou sempre a procura de saber o que dizer, como dizer, agindo de forma incalculada, descompassada e, enfim, não saber quando é hora. Eu me vejo perdido entre palavras que circulam meu pequeno pensamento. Me vejo perdido no momento de dizer, sem pormenores...
E isso pode ser coisa de destino. Coisa calculada, perdida fora da razão. E isso tudo que vem em terremoto, desenfreada mesmo. Sentir algo que é novo pela natureza do acontecimento. Sentir cada vez mais. E ainda aquela urgência em dizer, gritar em alto e bom som. Coisa do destino! Destino? É sim, o destino que me prega peças, que me faz de ator circense e degola minha pouca racionalidade. Em destino eu encontrei, encontrei e fora de rumo. Essa coisa toda. Não sei quando, como e...
Tarefa difícl essa coisa doce de ficar feliz no seu sorriso. Tarefa difícil essa a de me manter o sentimento no escuro; tarefa difícil essa a de não deixar...tarefa difícil essa a te me apaixonar pelas suas mãos ou pelo cheiro da sua pele. É, tarefa essa difícil de não te contar com voz e som.

Thursday, September 06, 2007

Take easy. Take it hardly

Calma. Explicar pode ser uma tentativa. Quero traduzir tudo isso naquela antiga vontade, lembra? A vontade de malas, de calças curtas, de sol no rosto e, possivelmente, insustentável leveza de ser. Calma. Vamos por partes. Primeira esta: existe segunda chance? Depois a outra: por que mesmo só os pássaros podem voar?
Calma, deixemos de lado tudo isso. Vamos partir em busca de terras distante, dentro de sonhos impossíveis, mas realizáveis. Eu ao seu lado. Encosto, esse suor preso na tua mão. Em dias quentes é assim. A janela semi-aberta; pela fresta o sol, ávido, tenta alcançar um pedaço da cama.
Calma...

Wednesday, September 05, 2007

Broken

Do corpo quebrado, corpo doente, as horas do dia parecem pesar. Semana. Semana de muita coisa. Semana que não termina. Saudade. Semana. Trabalho. Preocupação. Semana.
Eu quero descansar, talvez no seu colo, sim eu quero descansar no seu colo. Porque é tudo assim, do jeito que planejei: deitar no seu colo. Sem pretenção. Sem dor e sem lamúria. Hoje, amanhã, tarde e noite. Do que mesmo estou falando? Sim, de você. Sempre. Frouxe de rir. Esse blog é assim. Ele passa de temperamente à temperamente sem velocidade. O passado na estrada. O pé na areia. É faz falta. Ela faz falta. Muita até, eu diria. Eu gostaria que ela tivesse conhecido você. Mas ela conhece.
Do corpo quebrado, cansado, doente. A vontade e a alegria de você. Isso é peso? Isso é pena de bicho ávido e elegante. Algo como o cisne tatuado no meu braço esquerdo. Sua letra.
Cadê? Fim do dia. Começo do dia. Um gole de água. A descida árdua. Começo do dia.
Do que mesmo estou falando?

Frouxo de rir

Quer dizer, minha sombra pode se multiplicar. Ainda pelas vitrinis, o Chico me diz "é como um dia, depois de outro dia". É tão simples. Quer ver?
Aquela antiga frase do "nada é para sempre", em verdade é um bicho papão. Dizem para assustar, para que possamos, bestilmente, nos agarrar aquilo que se tem no conformismo, no rebanho, na atitude "correta" - espelho do infeliz. É o conto de fadas. Sem divórcio, sem brigas e pelo amor de deus, fique com alguém. O problema está no sozinho. Ah, como isso é demoníaco. Bom, certamente há um resquício de verdade na famigerada frase. Ao que me parece, a verdadeira semântica disso seria realmente a tal da pragmática. Realmente nada é para sempre. Claro! Acreditem. Nada é para sempre, pois somos ciclicos, mutáveis e instáveis. Como poderíamos então acreditar que tudo é para sempre?
Tolos!
Bom mesmo é ver que aquilo que não ficou para sempre mudou, virou outro - outrar-se. Sim, juntos jogamos tudo fora, agora nossos pés não se enroscam mais e eu não enlaço o teu vestido. Dei pra sonhar, sonhei, acordei e agora sonho novamente. As travessuras das noites eternas se tornaram retratos, belos retratos de memória. Tornaste a sorte pelo chão para que outro a pudesse aproveitar. Sorte! Nem é sorte. É outro. Fulgás. Meu sapato, enfim, não pisa mais no teu.
Agora é ser religião de si, veracidade de conclusões e vontades para serem feitas.
Quem acredita nisso? Só eu?
Retiro meu olhos. Agora é eu e você!
E eu, depois disso, frouxo de rir!

Tuesday, September 04, 2007

Os letreiros a te colorir

Eu quero canção. Quero canção de amor-amar. Sim, você pode ser letra enquanto eu, vigia, protelo momentos de amplidão. Vamos ao microfone anunciar temas de amor-amar. Quantas pedras sem vestígios nos deixam passar. Quero colorir, esse letreiro sim, essas vitrines que refletem sua silueta. Ansear pelo seu lábio, ou pelo calor da sua pele. Assim são as canções que me tocam.
Eu avisei, avisei ao meu corpo que ele é seu. Avisei em sentimento-sentidos que eu colori você no meu pequeno caderno de desejos - aflição. Com você despedaço, me desfaço - enfim, sou eu mesmo!
Eu quero canção. Já a fiz para você. Escute-a. Esta na ponta dos lábios. Entre eles está você...

Monday, September 03, 2007

Num fundo de armário

Tem algo, dentro de cada coisa, tem algo. É real e deveras verdadeiro. É assim que deveria ter sido? Se assim o fosse, teria acabado? Quantas questões que não serão resolvidas. Eu sei como medir cada coisa. É o sentimento. Tem algo maior no espaço, pequeno, que separa nossos corpos. Há algo maior ainda entre eu e você. Um mistério, um maior que não tem nome. Primeira vez.
É o anseio pelo toque no lábio, pelo suor escorrendo nas costas e pelas mãos enxugando-o. Confissão de travesseirom, essa que faço.
Tem algo. Maior que imaginamos. Aquilo que nos reserva na vida. Seja lá o que possa vir a ser vida, tem algo maior. Sabemos? Esquecemos? Eu e você.
Aqui e ali, dentro de cada coisa, dentro de cada sentido, as palavras, que mudamos, transfiguramos, vem isso e aquilo. Tem algo. E sim, a gente abre aquela avenida com nossos passos e vozes. Tudo se confunde. É bonito. Arrisco e não perco. Tem algo maior. Eu e você.
Tem algo maior dentro de cada coisa.
Eu digo, você repete e dizemos juntos.
Tem algo.

Thursday, August 30, 2007

New Ideas

Novas idéias podem surgir. Eu pensei em escrever, new york, mas a piada é sem graça. Novas idéias. Mas sempre vejo teu rosto, aquele seu jeito de sorrir e...
Bom, vamos falar de outra coisa.
Coisas que são pertinentes.
O ano está chegando ao final. Chegando ao final também estão as vontades quase explícitas. Querer e não querer.
Bom, vou dar uma dica de leitura.

O Passado - Alan Pauls - Cosac e Naif

O melhor livro que li esse ano.
Vale a pena

Wednesday, August 29, 2007

All...it´s Nothing

Escrever não basta. Nem mesmo dizer. É sempre aquela velha sorte que me em assalto. Arma apontada.
Rir não adianta. Pouca coisa resolve ou adianta. Aquele risco que era um alerta e que vinha todas as noites, por fim, confirmou-se. Sou amigo de premonições. Sou amigo do frio no estômago. E como sou, amante dos infortúnios. Sempre. Agora, que ao menos tive cuidado, preservei...
À razão, agradeço, como a poesia agradece as brutais palavras. Sim, obrigado a razão que me deram àqueles que fomentaram lágrimas em mim. Obrigado a esses também. Desejo? Como um armário. Paixões, amores, desgosto, e aquele velho, amigo, sentimento do desencanto.
Basta rir, porque no fundo os sinais foram fortes demais. O tempo fechou, está frio e volto, amargo, para a filosofia de que é preciso tempo. Certo que tudo pode mudar em instantes, algo mudou naquele instante, naquele momento; os olhos são inimigos da perfeição. Sim, eles, são.
Ontem que escrevi sim, hoje já nem sei mais o significado. Mal do signo? Ah se Pessoa me visse assim. Se Álvaro de Campos pudesse me aconselhar, certamente diria que sou mesmo a cadela de todos os cães. Natureza daquilo que não se nega, mas rejeita.
Não basta somente querer. Os olhos são inimigos da perfeição.
Eu teria dado o melhor de mim. Mas agora aquele muro se fez em concreto pesado.
Não pergunte o porquê. Sou assim.
Foi bom
enquanto durou, foi bom. Pelo menos o sonho.

Tuesday, August 28, 2007

I wanna say, but i dont know how...Do you?

Sim, quantas palavras, sim, eu poderia dizer, sim eu quero fazer, mas sim, não consigo nem ao menos formar um certo que discurso que diga sim.
Eu escrevi "sim", porque o som era esse. Eu digo sim, mas digo para você quando você não está. Sim, eu digo sempre sim, porque sim, eu queria que você percebesse, antes que eu pudesse...
Sim, eu aceito. Sim, eu aceito que somos isso e podemos, sim, ser aquilo ou qualquer coisa que o valha. Sim, você está para mim, como o coração está para o meu sangue. Sim, você possui tudo isso, transformou e sim, arranca o que há de melhor em mim. Lados sombrios ficam para fora, sim, você transforma.
Sim, sem talvez, sim, me diga como eu devo falar o que eu quero sem parecer tolo ou desnecessário. Ah, sim, você sabe que eu deveria falar e sim, a coragem é pouca, bem pouca. Pequena, eu diria. Sim, pequena.
Sim, eu sonho com você, porque eu digo sim todas as noites em que eu me pergunto mil coisas e só ouço, sim, vai lá que...
Sim, me diga como eu devo fazer. Sim, me diga sim também. Esse discurso que não sai. Eu quero dizer sim, mas há um não dizendo para não deixar esse "sim" ser um não mascarado.
Sim, me diz o que eu falo?
Sim, eu aceito.
Sim, é você. Só você. Sim, me fala?

Monday, August 27, 2007

Two Weeks Notice

Horas, segundo, momentos...

É...

Eu mando notícias.

Friday, August 24, 2007

Nothing Fails

Sim, tudo pode ser, um dia, renovado.
Este blog tem uma longa história. Estamos fazendo um ano. Um ano de separação. Um ano em que tudo mudou, desmoronou, criou futuros e nos levou para longe de onde começamos.
E esse blog contou todas essas passagens. Ele se fez e desfez. Contei muita coisa. Coisa que deveria ser só minha - intimidade castrada. Mas ele publicou tudo aquilo que senti. Eu procurei estar sempre pronto para o que desse e viesse. Me aprontei, fiz malas, joguei fora o maço de cigarros, cortei o cabelo, dormir e acordei. Fiz de tudo. Tentei ter de volta. Tentei recuperar memórias dentro da nossa amizade. Foi como ontem. Três dias sem dormir, comprimidos e 10 k a menos. Contei as horas.
Carreguei pessoas; viraram fantasmas. Ou talvez tenha sido eu que me tornei um espectro.
Vide de fantasmas.
Hoje acordo e penso no carinho que guardei para você, dentro do meu coração. Histórias assim não se apagam. Fomos felizes. Acabou e . Agora, hoje, é dia de lembrar só do que foi bom. Nossa história.
Porque hoje levo no coração um novo olhar; um novo alguém...levo ele no coração. Levo ele no meu dormir e no meu acordar. E porque eu prometi não ser platéia da minha vida.
Mas eu tenho ainda muito o que arrumar.
Esse blog, esse blog, contará tudo. Nos detalhes sórdidos. Nas mentes vazias e no meu coração que ele já preencheu. Sim, ele preencheu com aquilo que eu nunca imaginei: a surpresa de se apaixonar. Isso é outra história.
Esse blog comemora, sem feste e velas aquilo que me destruiu e refez.
Não tenho mais fotolog. Não faço jogos de vistas. Quem entra aqui sabe o que encontrará. Não quero, não faço, "dramas". A partir de agora é assim: no games.
Vamos comemorar.
Como?
Ah, isso é outra história.

Wednesday, August 22, 2007

Taxi Ride

O caminho pareceu longo demais. Chegar em casa, de repente, era como alcançar o topo da montanha - sentado no banco do carro, o volante segurado por uma mão enquanto a outra agarrava o cigarro, já no fim. Fileiras intermináveis de carros parados. Dava para ver somente as luzinhas vermelhas, por vezes piscando. As contas no banco do passageira; sim, ele as carregava consigo. As contas de dígitos imensos e nem tinha tido tempo de cortar o cabelo e fazer a barba. Havia uma lista de coisas para fazer. Mas tudo o que desejava agora era deitar em sua cama, dar boa noite para a mãe e dormir pesadamente, longamente, sem preocupações.
Ao chegar em casa naquela noite, ele colocou a chave do carro em cima da mesa, foi até a cozinha, tomou um gole de água, trocou de roupa, deu o beijo de boa noite no retrato da mãe e deitou-se.
No dia seguinte, o guarda-roupa vazio, alguns livros da estante faltando, a cama desarrumada, a chave do carro em cima da mesa e o retrato da mãe. Havia partido.
Longe, sentado na cadeira de vime, lembrou-se: preciso cortar o cabelo...

There is something behind it

Sentimentos que avoam por entre os carros pesados, as fumaças longícuas e todos, todos os tipos de transeuntes.
Eu, preso neles perco o rumo, me encaixo no ritmo lento de não entender diabos de nada. Eu, preso em resquícios, esqueço do trabalho que devo exercer. Exercer entre barras de ferro, lutas armadas e casas coloridas.
É, sem inspiração é assim mesmo. Sem vontade, sem força. Força. O que é isso mesmo?

Tuesday, August 21, 2007

A Sorta Fairytale

Dia frio. Dia de nuvens aglomeradas em duas ou três cores, como se elas não pudessem, sozinhas, multiplicar o céu. Ele é um só. Sim, as manhãs podem ser feitas disso ou daquilo. Pensamentos dispersos, vontades que ficam presas dentro de uma, duas ou três cores. Um telefoneme. Uma vontade só de ouvir aquela voz tão familiar.
Dois ou três lutos. Vontade de viver que é só representação daquilo que não sou e não posso ser. Jamais pensar além de si, além daquilo que é a força que conhecemos. Sempre e jamais. Ando junto quando conheço apenas pouco, bem pouco, daquilo que era para ser o futuro. Dois ou três lutos. E por que veio tudo junto? Dois ou três caminhos estilhaçados que machucam os pés. Dia frio. Dia de esconder-se dentro daquilo que não é um refúgio, mas somente o pouco que se conquistou entre o muito que foi sonhado. Sonhar...talvez sonhar seja isso. Talvez viver seja sonhar. Sonhar com aquilo que não se tem. Sonhar em ter beijos de boa noite. Sonhar que algo pode ser eterno. Sonhar que o olhar jamais poderá se modificar. Em pouco tempo, em instantes algo mudou. Algo mudou em instantes. Eu pensei que era aquilo mesmo o futuro, mas era só reserva de anos.
Dois ou três paixões. Uma por mês. Uma por dia e uma por hora. Quantos suspiros, vontade de representar a vida como ela não é. É difícil entender; juro que tento. Entender essas manifestações ou ditados populares que dizem "ninguém disse que seria fácil". E foram somente 25 anos de estadia. Foram 25 vezes que eu pensei, só hoje, na saudade. 25 minutos que eu demorei para dormir ontem. 25 segundos para eu decidir qualquer coisa que valha a pena. 25 meses, 25 piscadas, 25 vontades em 1 minutos e 25 dias que eu não paro para ver que na minha janela tem um ninho de formigas.
Dois ou três lutos, duas ou três cores, 25 anos que não reparo em mim. 25 anos que tento ocupar um lugar que não é meu - que é aqui mesmo, nesse exato momento em que tudo é agora, perene, e será fantasma no amanhã.
Dia frio. Será só isso?
25 minutos para sentir a pele arrepiar, o corpo esfriar, os olhos cerrarem com o vento batendo e ingerir um vírus. 25 segundos para eu sentir que foi só isso: um dia frio.

Soudtrack - Tori Amos - Scarlet´s Walk

Monday, August 20, 2007

One drink. One night.

Tem disso mesmo né? Sim, estranhamente, jogos são jogos. E nem é tão estranho assim. É só uma questão de saber analisar nuances, percalços e, sim, diversos indícios de que viver é jogar. Jogamos para ganhar. Um sobre o outro. Infelizmente, é um jogo e difícil é parceber-se dentro de uma partida, como um dado, rolando de um lado para o outro. O número mais alto ganha.
Sim, a vida é mesmo um jogo. E que sensação é esta de ter sigo "jogável"? Ah, uma das piores, lhe digo. Pode-se apostar alto nessas fichas. E aquela canção que eu queria te dizer, eu mesmo esqueci a letra. De repente me vem aquele negócio que não sei o nome e não consigo explicar. É uma espécie de tormento e como diz aquela música, "I disconect". Sim, tiro o plug e deixo de lado. Pois é assim que tudo funciona. De um lado para o outro, os dados são lançados. Ganha quem se acha o melhor.
Tem disso mesmo. Um dia embaixo, outro em cima.
"Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe"!

Friday, August 17, 2007

The Sun in my mouth


Essa é a canção que hoje me fez chorar.

Fazia tempo que esse motivo, sim esse motivo, não me fazia chorar. É simples. Muitos acham que a forma de se representar é exquisita ou motivo de ser chamada de "louca". Entender Bjork, me odeiem por isso, é perceber que a arte se manifesta em formas diferenciadas. Van Gogh foi considerado um péssimo pintor e um louco durante toda sua vida. Recebeu críticas de seus colegas de nomes respeitáveis, mas ainda hoje é tido como um louco.


O cd Vespertine, a grande obra de arte de Bjork, é mítico. Música e letra combinam a estética de uma crianção, que eu diria, perfeita: um mundo mágico, mítico, algo como um conto de fadas gótico-romântico. Adentrar nesse mundo, esse mundo tão perto, é reconhecer manifestações do nosso próprio inconsciente. Bjork é assim. Deve-se ouvir atentamente, com um fone no ouvido, todas as vozes e sons.

Ela se destaca na pura originalidade, na mágica criação de suas músicas, no estilo ímpar e único. Deve ser apreciada aos poucos em suas metamorfoses e na sua influência em muitos músicos, artistas de diferentes áreas e, claro, sua influência nas áreas do espírito. Sim, Bjork é, antes de tudo, uma experiência.

Ousar. Ousar ouví-la. Respeitá-lo, no mínimo.

Aqui uma letra perfeita. Basta ouvir a música, igualmente perfeita, sincera e brutal.

Bjork - Sun In My Mouth
I will wade out
Till my thighs are steeped
In burning flowers
I will take the sun in my mouth
And leap into the ripe air
Alive with closed eyes
To dash against darkness
In the sleeping curves of my body
Shall enter fingers
Of smooth mastery
With chasteness of sea-girls
Will I complete the mystery
Of my flesh
Will I complete the mystery
Of my flesh
My flesh

Thursday, August 16, 2007

I Change my mind

Sim, depois de horas ouvindo o Gilberto me veio a conclusão.
Não darei aqui assim, gratuitamente.
Quero deixar somente entre as aspas. O importante é manter firme o passo, pois logo a chuva começará a cair.
Final de semana perto. Final de semana.
Vai Gilberto, cala essa puta dessa boca!

Doralice

Essa é a música que eu e a Silvinha gostamos.
"Doralice, meu bem, como é que nós vamos fazer?"
"Até parece que eu estava advinhando..."
É, a vida tem dessas mesmo que o Gilberto canta. A vida tem lá seus mistérios. E cada vez mais eu pareço uma novela do Manoel Carlos. Mudei a linguagem. Calma, é só para ordenar as idéias.
Tudo pode mudar em um instante. Dois ou três minutos e eu, de repente, tenho o seu beijo confortável, terno e cheio daquele amor da primeira vez. De repente eu tenho a sua saliva na minha boca e aquele gosto tão, mas tão, familiar - o mesmo que perdurou na minha boca e por todo o meu corpo. São poucos segundo que a vida dá. De repente eu tenho o seu calor no meu corpo, perto, bem perto, como se este instante pudesse durar eternamente. De repente, eu sou aquele que sempre fez olhos caridosos e você sempre com aquele olhar complacente. Somos essa história, eu diria, uma novela.
De repente me vem a sua boca, os seus lábios finos, o seu gosto que só quem amou sabe o saber que tem.
"Muita calma pra pensar". Gilberto hoje é trilha. Não saberei separar sentimentos. Amo e sou apaixonado. São duas oposições. São duas antíteses.
Vamos, Gilberto, canta pra mim: "o que é felicidade, meu amor?".

Wednesday, August 15, 2007

You knew all along

Certo que outras vozes podem nos confrontar, ficamos em silêncio. O silêncio.
Isso que é estranho, essa voz dentro da consciente que define aquilo que somos. Essa transparência nos é, assim, uma rara definição; uma das poucas inclusive.
SIm, o silêncio provoca, estimula, argumenta aqueles fatos que não conseguimos, com a fala, dizer/fazer.
É nele, que rezamos em paixões, que manifestamos desejos que não podem, ou não podemos, expressar seja por medo, receio ou pura covardia. Aqueles momentos de silêncio que parecem horas arrastadas é a tentativa de fazer com que o discurso desça goela abaixo.
Mestres do silêncio. Rege a paixão, a vontade e tudo o mais que há dentro de um coração, simples, mas covarde!
Shhhhhhh

Sunday, August 12, 2007

Here is no Why

Tem aquelas músicas que falam disso. Tem outras que falam daquilo. Eu, não falo nada, digo isso.
Aqui não tem mais porquê. É simples, não menos prazeroso, mas simples. Já falei da paixão. Já teorizei aquilo que não é teórico - coisas do coração. Sentir o peso, leve, de deitar a cabeça e imaginar traços tão familiares. Pode ser, mas será simples. Por que não podemos ter essa simplicidade quando o assunto é sentimento? Devemos sempre complicar, impôr limites, deixar subentendido. É, alguns dirão que sim, que tudo isso pode ser deveras perigoso. Eu, sempre aposto nas cartadas. Naquela vontade de dizer e dizer.
Sim, é simples mesmo. Aqui eu só falo disso. Tem a mania de escrever o que sinto, de atropelar sentimentos e nunca ter uma resolução exata das coisas. Dessa, talvez, eu tenha. Aquilo que ao invés de corroer e queimar, faz-me leve, pleno por longos momentos do dia. Não sou romântico, ou não aprendi a ser, e só tenho minhas palavras tão pequenas a oferecer. Simples e um ou dois segundos. Me dê só mais um segundo, para eu te mostrar bem lá no fundo.
Simples,
Aqui não tem porquê. Sentir.

Friday, August 10, 2007

That´s the way...

O Chico canta "não se afobe não, que nada é pra já".
É a tal paciência. Paciência do sentimento oculto, da face corada, do corpo suado e calorento. É paciência pelo beijo, pelo abraço que não agradece, mas afaga; a paciência pela hora de dormir com a mão no cabelo - eletrizando a ponta dos dedos.
Sim, a paciência daquilo que cresce, engrandece e enobrece. Pode ser algo imortal, pode ser para ultrapassar vidas. Efêmeros já somos. Devemos cultivar tudo o que pode ser imortal.
O Chico canta "futuros amantes quiça, amarão sem saber". E não saber mesmo e se "amores serão sempre amáveis", eu te espero.
Eu espero resoluções suas. O caminho pode se encontrar. Eu já estou nele. Espero-te.
Assim, do jeito que é, compensa a paciência.
E o Chico me falando "não se afobe não, que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar...".
Ele chegou, agora ele espera.
É a tal paciência.

Thursday, August 09, 2007

Spread your Wing. Fly high...

É chegada a hora.
Despedidas entre beijos, abraços e a vontade de não separar-se. É chegada a hora em que a vida preparou, silenciosa, o seu vôo mais alto. E talvez seja ele ainda uma decolagem. Você que possui essa força, esse encantamento e só para você eu usaria a palavra "cintilante", você agora parte para desembrulhar o presente que estava reservado. Um embrulho vermelho, laço e pacote vermelho. Esse presente que é destinado àqueles que saberão como sorrir diante. Não se vá sem lembrar do que fez, em pouco tempo, dentro dos nossos corações.
É chegada hora.
Você que agora embarca no seu destino. Você que agora percorrerá uma vida nova. Sinta-se, você está só no começo. O futuro será ainda maior, mais alto e cintilante. Erga suas asas; o vento, o céu, Ele, pede que você abra essas asas e erga-se para seu futuro melhor. Aqui, ficaremos por enquanto, nas batidas dos nossos corações transbordantes de saudades, até nos encontrarmos novamente. E a vida se encarregará disso. Do destino, não fugimos e dele não fugiremos.
É chegada a hora de deixar seu acento vazio para que você possa voar. É a sua felicidade que está só começando. Esse é o seu tempo, Mari. Aqui, aqui dentro do meu coração eu sempre encontrarei você, como algo raro e, não menos, ímpar. Cative o mundo. Conquiste esse mundo que ele é só seu.
Eu, aqui, fico com meu amor, porque eu amo você! E logo, logo, você poderá emprestar-me suas asas.
É chegada a hora.
Boa viagem.
(estarei na cauda do seu cometa)

Que ça

Quem sabe?
De destinos, de futuros ou de amantes? Quem sabe de tudo isso?
Será mesmo o tempo que me dirá ser eterno tudo isso ou mais uma confusão minha?
Quem sabe?

Tuesday, August 07, 2007

A lot of time

Eu preciso de tempo. Muito tempo para dizer tudo o que há.
Sim, eu preciso de tempo. Em verdade, muitos processos precisam ainda acontecer dentro e fora. Ou de fora para dentro. São moléculas, quase presas, dentro de uma bolha de tempo. Nós paramos. Eu acompanho certas batidas que há tempos deveriam ter sido enterradas. Quanto tempo mais...
É verdade que em outros tempos eu me apressaria, como o fiz, e correria para lugares que conheço bem. Hoje, eu preciso de tempo. Aquela tal paciência - das cartas - parece, enfim, ter assumido um lugar dentro de mim. Ando pensando em metáforas para elaborar isso e mais algumas coisas que estão presas em mim. É como se eu fosse uma presa, uma caça daquilo que não deseja nem o arco, nem a flecha. E por mais que eu tenha lido, ouvido e feito, hoje as palavras musicadas e poéticas parecem ter perdido o ritmo. E quem foi mesmo que disse: "então, isso é viver?". Assim, desse jeito. Então isso é viver. Dificil, árduo, sangrento e, por que não, um trabalho quase braçal. Uma duas três pedras e Drummond já está escondido nos escombros de folhas arrancadas, capas de livros e alguns outros pertences perdidos no meu quarto.
Sim, uma doença. Algo assim. Como eu, que sou vírus, me devoro. Isso é para outro momento.
O que importa é a célebre frase, de alguém cuja inteligência - ou não - me fez acreditar que "enfim, isso é viver". Algo que me fez acreditar que talvez seja uma das melhores fases da minha vida. Não consigo me lembrar o dia em que fui tão confortável com os eventos, com o meu coração, com minhas mãos e com tudo aquilo que sinto, veloz, desenfreado e com gozo profundo.
Mas eu preciso de tempo. Eu preciso de tempo para poder entender o que se passa, passou e passará. Eu ontem me extrapolei. Há tempos não ficava nervoso e ainda não cheguei ao estágio de poder dizer/entender os motivos de um mau humor repentino. Não, não sou bipolar e nem aderi a moda de dizer que sou. Também não estou usando drogas, mas talvez eu tenha um vício. Um vício que poucos conhecem.
Eu preciso de tempo. Àqueles que sabem o quanto posso viver assim dentro de um buraco, sabem que preciso de tempo. Tempo para enfim tentar dizer "então viver é isso!".
Mas eu preciso de tempo. Mais do que eu imaginei que fosse precisar. Uma jaula? Parece boa idéia. Contudo, o tempo me diz que devo erguer-me frente as badaladas do relógio e acertar alguns ponteiros que deixei sem conserto.
É maior do que eu imaginei. Maior do que eu pensei. Maior. Só.
Eu preciso de tempo para entender.
Eu preciso de tempo para escrever.
Eu preciso de tempo.
Eu preciso.
Eu.

Friday, August 03, 2007

If you fall i will catch, and you find me

Algum tempo sem escrever por aqui.
Algum tempo, ainda, sem pensar muito sobre o muito que têm acontecido.
É aquela velha sensação; contentamento e descontentamento?
Reclamar? Claro que não. O importante é sentir tudo de todas as formas. Tenho planos que não cumpro. Ver meus amigos. Arrumar a minha casa e escrever o meu livro. Planos, somente planos e nada mais que isso. Concretizar demanda aquilo, você sabe, aquilo mesmo que ninguém entende. Uma matéria física, formada e cristalizada que se perde dentro da gente e, sem saber como, lá ela vive.
Matéria de organismo vivo e predador. Sim, eu pensei agora que meu coração, ele mesmo, é assim: um predador. Consome a si próprio. Devora seu interior como um animal em fúria. Coração canibal. Não, não é vagabundo. É coração sem rumo, sem alvo, apenas com uma seta apontada. Quantas vezes mais? Sim, consome a si próprio sem medo e sem vergonha - coração suicida.
De resto, tudo ainda parece sem sentido. Sem por menores, a vida é estar no sentimento pleno da solidão. O vínculo que se rompeu e que comemora 3 anos de vida.
Outra coisa séria, sem comentários. Deixa pra lá.
Enfim, dispersei.
Bom final de semana.

Tuesday, July 31, 2007

Vamos falar disso!

Vamos falar sobre como devem ser as coisas?
No trem, o passageiro, sentado à janela, espera a paisagem passar. Aflito, dobra as pernas, recosta a cabeça na poltrona, anseia pela chegada.
A impaciência torna-se cada vez mais presente. A paisagem é vagarosa.
Dobra a perna novamente. O passageiro espera pela companhia da chegada.
Vamos falar da chegada.
Essa história somos nós, quem sabe sabe. Nós que ansiamos por um dia frio e um par de pés. Nós que ansiamos e sabemos que a vida também é feita com o outro. Devemos acreditar? Fiéis aos contos de fada? Sim, devemos. Devemos preencher o coração de ansiedade. Devemos encher os olhos de sonhos. Sem pressa, mas ela vem sim. Rápida, ela vem. Sem pedir licença, ela vem e vai além. Devemos nos segurar na poltrona e aguardar. O destino persegue e chega. Uma linha reta.
Nada deve acontecer por acaso? Quem responde? _______________________________
Bom, deixa acontecer, como diz a letra, naturalmente.

Sunday, July 29, 2007

Da Paixão, Parte II

Variáveis de si mesmo. Em meados de frio e calor, variáveis de um só. Quantos podemos ser dentro de um sentimento? Infinitas possibilidades. Sem motivo ou razão aparente, qual a diferença entre um critério e outro? Sem resposta.
É rápido como uma nota musical. Falo de música sem conhecer. Apaixonar-se é antes abdicar da personalidade; transformar-se naquilo que podemos ser, ou seja, ser o melhor. Mas esse melhor pode e poderá ser também um risco de jogo. Jogar com a personalidade é também ter 50% de chance de perdê-la. Perdê-la dentro de um ritmo veloz e maquiavélico. Somos assim, divisíveis para melhor atender. É o que me parece.
Dentro da paixão, há, inevitavelmente, esse jogo de mostrar-se a cada round. Sim, esse é o risco. A paixão, por fim, é consumada, quando todas essas personas resultam em apenas uma: quem realmente somos. É quando a máscara cai, deliciosamente, e a face verdadeira aparece. Bom ou ruim já se está apaixonado. Não tem volta.
Recaímos na jogatina. A máscara cai e recomeça o jogo barroco. Querer e não querer aquilo que não é o que se pensava ser. Indiferença para o jogo.
Variáveis dentro de um só. Esse é o risco.
Em verdade, acredito, que a paixão realmente começa quando a máscara cai e quando não se usa a máscara pode-se germinar um sentimento verdadeiro. São as tais paixões duradouras. Devemos prestar mais atenção às variáveis para não nos perdemos dentro de si mesmo. Condições para a vida saudável. Realmente, falar de sentimento parece-me dificultoso.
Deixa, a vida se encarrega. Sem otimismo ou pessimismo. Tudo se encaixa. Afinal, todo jogo sempre se pode recomeçar depois do "game over".
Variáveis. Não nos esqueçamos dela.

Friday, July 27, 2007

Da Paixão - Parte I

O que nos difere dos animais?
Seria mesmo a racionalidade? O homem é o lobo do homem, disse Hobbes. Já Rousseau alertou-nos para a possibilidade de sermos corrompidos pela sociedade. Para Foucault somos governados pelo discurso e este é, igualmente como a sociedade, dotado de poder.
É, parece-nos que a filosofia enfim não conseguiu desvendar o que de fato nos move. Aqui, nem pretendo tal façanha. É só um texto de afirmação; tentativa de entender a si próprio. E essa questão que se nos apresenta, essa a de entender o que nos move é deveras complexa. De linhas exauridas de tanto esforço, deve-se, a priori, selecionar um item que poderia ser o objeto desse estudo.
À guiza de prefácio, selecionei Amy Winehouse como trilha sonora. E os que entendem de filosofia devem estar se questionando: “o que diabos está fazendo Amy Winehouse e Hobbes em um mesmo texto?”. Nada, exatamente nada.
Vamos lá.

Ao que me parece, talvez simploriamente, o que nos difere dos animais seja algo universal. Poderia ser uma sucessão de sentimentos. Poderia ser a vontade. Luxo, gula, e muitos outros pecados capitais.
Aqui, receio dizer que pode ser a paixão. Sim, a paixão. Ela nos move. Ela nos move em direções, em sentidos, em vontades e em atitudes que, sem ela, estaria inertes, languidamente deitados à sombra. O homem é o lobo do homem, como pontuou o pobre Hesse. E sem a paixão quem é exatamente o homem? Pobre, vazio, efêmero e, como diriam os de língua inglesa, pointless. Penso que aquele movimento dentro de cada um precisa de um start, quase como o fogo precisa do oxigênio, da brasa, ou seja, aquele ponto de partida. Apaixonamos-nos desde o inicio. Pela mãe. A mãe, movida pela paixão/amor pelo filho, se fortalece. Os devotos de Cristo, ao que me parece, são movidos à paixão que sentem pelo “salvador”. O ocidente enfim, nutre sua paixão pelo catolicismo. Os viciados, apaixonados pelo risco, potencializam a representação do mundo. Apaixonados.
Aqui a paixão deve ser entendida de todas as formas que a conhecemos. Ela pode ser desde o papel de carta do ensino fundamental, ao amor juvenil estilo Romeu e Julieta, até as paixões maduras como em Casablanca. Sim, o homem é o lobo do homem.
A paixão enquanto vontade de representação de si mesmo. Não somos Caeiro, infelizmente. Vivemos pela magia do signo romântico. Pelas batidas do coração em desespero. Foram os contos de fada? Não seguimos as purezas de Platão. Caverna e mito. Até mesmo Édipo. Temos a síndrome de Medeia que, pela paixão, assassinou os filhos. É compreensível. Até mesmo as leis partilham da idéia de redução da pena se o crime foi praticado num ato de paixão.
Somos movidos pela paixão. A paixão por Cristo nos fez erguer um império, talvez o mais poderoso que conseguimos. Pela paixão somos capazes de destruir a própria vida para refazê-la em outro. E quando a paixão acaba, acaba a graça. Quem consegue transitar da paixão ao amor? Poucos, bem poucos. Quase ninguém. Não se pode negar que a paixão por um livro faz com que a entrega seja mais prazerosa. Conhecemos a vida pela perspectiva da paixão e quando esta não é presente, o sentido torna-se distúrbio. Sem a paixão, parece que o sangue corre devagar e que as nuvens, sim as nuvens, passam lentas pelo dia. É a vida é mesmo estranha. A vida, quando ela começa, tem o marco inicial na paixão; aquilo que nos faz crescer seja em lágrimas, seja em sorrisos. Perversidade, culpa, gozo, desespero. A paixão é dona da loucura. Qual o sentido em falar de G.H e Goeth, quando podemos no real sentir tudo isso. Lucíola enfim teve seu destino por conta de sua paixão. Corrompemo-nos pela paixão. Senhora de um tempo estranho. Quem nos apaixona? O que faz nos apaixonar? A vontade de si próprio.
O homem é o lobo do Homem. Parte I.

Thursday, July 26, 2007

Good Girl

Quando escrevo, me perco. Me perco entre tudo aquilo que ouvi, as coisas ainda não ditas e todas as imagens que vi no caminho, entre o planejamento e o texto.
Escrever quando não há o que escrever dentre tanta coisa que pode ser dita. Esse pequeno ato que é se deparar com o silêncio e as vozes mal organizadas. É como um projeto. Uma forma de se embrenhar por onde passam alguns, pequenos, sentimentos. Mas, é por isso que quando escrevo me perco.
Pelas ruas, as palavras sobem daquilo que vejo, organizam-se no espaço fictício-real e depois desaparecem.
Voltam, alguns segundo, mas me perco.
Volto logo!

Tuesday, July 24, 2007

Caçada

Uns dizem que não entendem; outros prestam atenção e sabem quando é o momento. Momento da caça.
Outros se fazem, e sabem, que são vítimas - caça. Outros nem tanto, acordam com o arco e a flecha na mão.
Uns dizem que ler jornal é informativo; outros, atentos, preferem sair na rua.
Outros sabem a importância de conhecer artes. Nem tanto, outros, muitos, preferem ver rendeiras nordestinas.
Uns sentem paixão ouvindo Mahler; outros preferem nacionalidade e batuques carnavalescos.
Outros dão importância aos livros, mera importância; Uns conhecem pouco, gostam pouco, e preferem assim ler bula de remédio.
Falar de si, falar pouco, eu pequeno, caça caçada. Eu, pequeno, mostrei demais, deixei demais, senti demais. Demasia e excessos. Verdades e inverdades. Sou meio antítese daquilo que não aprecio. O ócio que me deixa feliz, é também meu inimigo, assim como as letras e os discursos infundados. Tenho memórias de infância pouco vivas. Carrego mistérios e não consigo dormir de luz apagada. Tenho pouco, falo pouco, durmo muito e parei de ouvir Jazz. Mudo demais, por vezes sem saber para onde vou e tenho uma imensa vontade de fazer as malas e partir para um vilarejo distante, pouco habitado e sem menores pretensões. Pequeno que sou, preparo mentalmente minhas malas para aprontar-me a uma vida módica. Exaurido. Inexorável, preparo malas. Preparo partidas. Posso ser carente, mas posso ser caramujo.
Entre a casca, o muro e uma deliciosa vontade de desaparecer, uns dizem que sou aquilo que conhecem. O valor da vida. O valor daquilo que se espera de um tempo distante -
Me espero no portão. Um dia voltar. Uns dizem que para darmos valor à vida, devemos entrar em contato com a morte. Nietszche que não me ouça, mas sou assim dialético. O mau existe para balancear o bom. Niesztche que não nos ouça, mas traímos a sua filosofia. Caça e caçador.
Quem importa?
Ele que não nos ouça quando dizemos que uns gostam de saber e outros também.

Monday, July 23, 2007

Francamente

Começo sempre com uma frase que se repete ao longo do texto. Mania. Mania de escrever rodeado por um fantasma, uma palavra e uma idéia quase fixa.
Francamente, algo me surpreende.
Certamente, é fato aquilo que me provê orgulho e admiração. Pouca coisa, em verdade, me permite dispor certos sentimento. São realmente poucos os que arrancam de mim admiração que ça admiração. A poucos também me permito. Cuidado de murros que já levei. Aos pouco, em gotas d´agua, deixo-me penetrar. Assim, ocorreram com aqueles que hoje amo sem pestanejar.
Francamente, hoje me surpreendi. No bom sentido, sentido estrito e pragmático, hoje me surpreendi ao perceber que em mim nasceu um orgulho. Admiração é algo estranho. O orgulho por alguém igualmente estranho. E hoje, como poucas vezes, me veio essa sensação. Jubilos.
Admiração por conhecer alguém que em tão pouco tempo germinou em mim verdadeira adoração. Não, não é piegas. Piegas é falar de rosas. Aqui, é só fruto de uma intimidade que se transformou em motivo de orgulho. Ao menino, que me faz rir, que completa frases, o amigo que compartilha manhãs de sábado e gin russo.
Sim, esse homem que, pequeno, é assim particular em uma grandeza nobre. Sim, esse menino que não disfarça humanismos nem moralismos fúteis. Essa presença nos meus dias. Orgulho por saber um pouco, mas muito, daquilo que o fez ser quem é. Tu não te moves de ti. Francamente, tenho muito a dizer, mas pouco a escrever. Digo a mim mesmo "esse é motivo de orgulho".
Francamente, me emocionei, como poucas vezes, em ouvir uma história bonita, sincera e sem cair na orla do auto-orgulho, que é feio. É, tudo pode nos surpreender. Melhor quando a surpresa, em verdade, não é surpresa, mas confirmação de suspeita. Concretizar uma idéia. Nem tenho palavras o suficiente para continuar aquilo que se exprime na sinceridade e na franqueza.
O que eu ia dizer é: tenho orgulho de você; admiração.
Para Rafael.

Se chove lá fora

Antes, sem soar de um modo caótico, somente antes do relógio contar os ponteiros, eu já vi a saudade chegar. Cega, ela vem e me abate, como se eu fosse feito para isso. Não entendo da vida. Dela sei pouco, pouco menos que deveria. Da vida, quase não aprendi o que as lições quiseram me mostrar. Reprovei, admito.
Antes de qualquer vontade, vem a saudade. Sim, admitir é tarafa hercúlea. Outras coisas me vêm como um soco. São rápidos os pensamentos. Sem que eu possa processá-los no meu pequeno limite. Tudo parece estranho. Os dias passam rápidos. Eu, a espera, passo inquieto. Acelarado sem rumo. Talvez eu esteja com o coração vazio. Preenchê-lo com o que aparece não é a solução. Preencher, sobrepor, aquilo que está por vir. Só a saudade de conversar com você ainda. É, admitir é tarafa braçal.
Em verdade, há muita coisa que a vida me trouxe no meio dessa saudade. Alguns amigos, que me conquistaram de muitas formas, de variadas maneiras. Muitos ficaram no caminho; outros permancem aqui. Eu, apaixonado que sou, entreguei um pedaço de mim. Talvez a vida possa ser isso de surpresas; daquilo que não se espera. O que me trouxe essas pessoas não sei. Conheço apenas que há uma verdade em tudo isso. Minha paixão por esses. Surpresas. Enfim, a vida pode ser só uma surpresa, raros momentos, e algumas outras coisas. Sou objeto do inexplicável.
Saudade daquilo que não sinto, nem forço sentir. Troquei as chaves para não abrir as portas, mas, inferno, você sabe como abrir sempre. Eu permito. Só a você eu permito ter as chaves. E não adianta mais o questionário do porque ou o ressentimento alheio: aqui, existe um lugar, esse lugar que é você. Negar, seria arrancar com as unhas algo que não se pode trair. Você, a quem eu sinto saudade.
São dias específicos. Vaivém. Quero estar na cama.
O telefone toca. Ainda a saudade.