Tuesday, February 26, 2008

For Maria

Sabe Maria aquele velha vontade de mochila? Estranho como é esse vaivém de sensação...eu, por vezes, sinto isso. É quando as coisas andam em linhas tortas ou quando a maçaneta da porta emperrou, sem motivo aparente. Eu pensei e re-pensei. Tudo o que se foi, onde foram parar os planetas e as estrelas-do-mar. E conclusões vieram sem dar nenhuma explicação. Por que é mesmo que o passado tem que ser tão amigo da memória? Não podemos ter um passado só daquilo que foi?
Sabe Maria tantas as vezes que conversamos sobre o fim das coisas? Eu hoje pensei sobre o fim das coisas. Sobre o medo de perder, perder o pouco que restou, sem saber exatamente o que é esse pouco. Meus braços são longos demais, por isso eu os deixo alcançar lugares onde não se deveria alcançar. E eu parei de comer a beirada dos dedos por puro prazer de ver minhas mãos em estado de perfeição. Outro dia, jogaram fumaça de nicotina nelas. Tudo, sem razão de ser. Essas coisas que tanto pensamos, por longas horas e longos dias, hoje e ontem começaram a seguir o caminho. Será que tudo tem que ser marcado pelo ponteiro?
Sabe Maria hoje é data de aniversário. Não, não do seu. Aniversário. Só o aniversário. Ela era pisciana, como tantos são. Diferente, porque era minha. E hoje é aniversário. Hoje, dia quente de semi verão, eu tentei usar uma roupa diferente, mais bonita; ao invés disso, sai andando como se estivesse nu, sem saber para onde ir ou como ir. Faz falta. Quando eu penso que estou sem a corda para jogar na outra margem do rio, penso em você. Me esgotaram as vontades. Será que fui vencido? Será que venceram-me? Sempre pensei que em um jogo, o jogador nunca é a peça que move, mas a que fica parada. Hoje, não sei mais como me mover no tabuleiro. Preto e branco são apenas cores neutras. Uma de ausência e a outra, infinita. Será que ao invés de ir para a direita, acabei confundindo tudo dentro de um cubo; idas e vindas. Hoje é aniversário. Eu tenho te visto pouco. Eu tenho ouvido pouco a sua voz.
Sabe Maria, você tem o mesmo nome dela. Você exerce o mesmo poder de me pôr no lugar.
Sabe Maria, hoje é aniversário dela, da Maria.

Sunday, February 24, 2008

My favorite addiction

As evidências não enganam. Aquela estranha dor no peito, a vontade de correr, o sonho quase perfeito se não fosse pelo despertar, a soma de medos e vontades; aquilo que dá alegria, mesmo não sendo feliz. Sinais de que algo está estranho. A força de se arrumar, de entrar pela porta aberta e deixá-la aberta. Sem freio, sem vontade de parar. Os sinais e as evidências.
A dor de que algo possa acabar. A dor de que algo possa começar. Do início ao fim. Aquele meio perdido entre correrias e vontades que terminaram num grave acidente. Feridos, recuperados e cicatrizes. As evidência, não, não enganam. Sabotamos a vontade, escondemos o olhar - e o movimento de suas direções, e antes mesmo que possamos perceber algo nos empurra bruscamente para outro lado. E reiventar uma história, escrevê-la como achamos que ela deva ser contada, isso, isso sim evidência de que algo atingiu graves consequências. É o vício, a droga mesmo que percorre o sangue e o corpo. O vício. Esse, é o meu vício favorito.
Quem pode me culpar por entregar flores e remeter cartas sem destino? Quem pode me culpar por querer a droga como organismo físiológico? Sim, deixa essa droga em mim. Antes ela, do que sem ela.