Saturday, September 29, 2007

Written

"Um dia eu mando notícias"
A frase do bilhete, da vontade de representar a vida na excessão que ela não trouxe. São tantas as vontades. O anseio na porta, nas gavetas e nas roupas empilhadas no armário. Um dia eu mandoi notícias. A vastidão do repentino que atravessa laços, que corta o pensamento invadindo personagens de um só. E a frase de bilhete, em cima da mesa, traz aquela notícia de saber para onde ir. Mesmo não sabendo, ir. Caminhos de voltas, de curvas, de sentidos como nunca se fez antes. Um dia eu mando notícias. Experimentar o vazio e preenchê-lô com vida. Clichê, mas o que é mesmo viver? Construir, um em cima do outro, uma única linha - como a palma da mão - ´para que possam ler, sem dó nem piedade, tudo aquilo que ansiamos e que fizemos.
Vontade de vida. Talvez, vontade de morte, para que se possa, determinado, recomeçar aquilo que não foi feito.
Quanto tempo? Um dia eu mando notícias.

Thursday, September 27, 2007

Licence to Kill

Tolo, eu, na madrugada, acreditando na magia; na vontade de realizar pensamentos tão particulares. Do fundo, sabe-se, tolo, eu, em acreditar nas vontades e tê-las como verdade. Mania de falta de chão, rumo sem padrão e elaborar, coisa que tenho, sonhos em realidade.
Sim, tolo, eu, na madrugada, escalando pensamentos, arranhando as paredes do estômago. Tudo para acreditar na verdade das cartas. Sente, como eu, tolo que sou, saber de si por meio da madrugada.
Antes, preso, na noite, escolhendo estrelas, e você, um doce pensamento. Agora, que houve o ponto final do passado, cato estrelas e jogo-as para longe. Brilham, por alto, no alto céu da madrugada.
Eu, tolo que sou, acredito que um dia possam as estrelas caírem novamente no chão estrelado das cartas; um presságio e uma vontade.
Realidade! Eu, tolo, penso na realidade. Aqui é real. O mundo da fantasia.
Escolho. Tolo que sou, escolho o não-feito, o desejável. Controlo minhas emoções, engulo a seco e me mantenho fiel ao que sou – à você. Mantenho-me fiel. Guardo para mim aquilo que mais desejo. Passa.
Tolo, eu, na madrugada achando que sonho é realidade!

Tuesday, September 25, 2007

Sometime. Upon that mountain

Houve um tempo, lento, talvez ainda mais vagaroso que os que vieram depois. Houve um tempo em que sabíamos de uma certa eternidade, da construção daquilo que é vago; o que pôde tornar-se palpável. Houve um tempo em que só o olhar podia dizer aquilo que as brigas não deixavam mais. Sim, sabíamos que o fim era só uma lenda. Tudo venceríamos. E por tudo, fomos, rápidos, derrotados.
E por que nunca fomos capazes de contar horas. Nos sábados em que bastávamos, um ao outro, fomos o que chamariam de felizes. De discurssões, palavras categóricas, chegávamos ao som; o nosso ruído perto da orelha quando, dentro de mim, dentro de você, o som e o corpo tornavam-se um só. E aquele som, era o nossso som. Ao fim, quase como se quisséssemos quebrar a barreira entre o corpo, o suor e os ossos, falávamos um "eu te amo". Nos momentos em que ponteiros não eram barreiras, sabíamos de uma certa eternindade - imortalidade. E vencemos, sozinhos, cada um em seu caminho, a verdade sobre aquilo que não é eterno. Fracassamos na estrada que nos conduziu. Erramos o caminho e fomos, cada um, para lados diferentes da mesma estrada.
O perdão veio tardio. Nas tardes afastadas, na família não reunida...Somos o que nos tornamos um longe do outro. Por que não falar de histórias de amor? Eu falo, porque histórias, toda história, deve ser contada. Aqui, no meu cantinho, eu posso contar. Histórias de nós dois. Fomos, um dia, esse meio verão. Das praias, dos mares, daquilo que juramos, nus na cama olhando pela janela, àquilo que viramos. Um ao outro. Somos hoje, fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos, vestígios de estranha civilização.
"Como? eu disse que era para pendurar o quadro na outra parede"
"Eu sei o que você quer dizer."
"Demoramos para contar um ao outro"
"Mas por que?"
"Sim, eu também te amo"
"É verdade. Não fazíamos bem um para o outro"
"Você foi..."
Na abertura. Hoje, o que somos? Companheiros de amizade. Talvez o nosso jeito de ainda enganar o destino e estarmos juntos no juramento que fizemos um ao outro. Você preso na mágoa e eu já, depois de muito tempo, entregando meu coração. Você tentando reconstruir a vida, com o que ela lhe deu, e eu, talvez tentando me reconstruir.
E um dia, houve um tempo em que achávamos que existia a tal eternidade.
Houve um tempo.
Naquele tempo. O Tempo da Montanha.

Soundtrack - Gustavo Santaolalla - Brokeback Mountain

Monday, September 24, 2007

Ballade No 3 as-dur opus 47

Precisamos lembrar quem somos. Certo. Ponto de impacto. Precisamos, sim, lembrar quem somos. Hoje, depois de dirigir sob um tempo incerto entre o sol quente e a chuva refrescante, ouvi Chopin. Herança de minha mãe que ouvia na sala com as luzes apagadas. Coleção de herança. E ouvindo lembrei-me do quanto gosto e sempre gostei, talvez por influência dela, de ouvir Chopin. E não é algo trivial. Ao contrário, é um prazer quase inexplicável. E quanto tempo passei sem perceber o quanto eu gosto de Chopin? Nos últimos anos, havia esquecido. Quase como me esquecer Dela.

E me veio o pensamento: por quanto tempo nos esquecemos, naquele escuro de nós mesmos na troca dos outros? Penso ainda mais naqueles que têm a vida como "própria". Donos de suas vidas. Eu, por exemplo, não sou dono da minha. Eu deixo-a de lado em favor dos outros. E por muito tempo nesse vaivém de não ser dono, mas empregado, esqueci de muita coisa. De quem eu sou, do que eu gosto e como eu gosto. Esqueci que Chopin é meu compositor favorito. Esqueci que gosto de ler nas manhãs de domingo. Esqueci que gosto muito de presunto frito e de sentar perto da janela; E muito ainda se perdeu nos descaminhos, nas trapaças que criei ao longo de anos, e ainda crio.

Sim, sou cria de uma maldade: esquecer de si próprio para lembrar sempre do outro. Mas, nada tão drástico. É só relembrar. Lembrar Dela sempre, o Chopin no ouvido - e a felicidade de ouví-lo me eleva - e lembrar de outras coisas, pequenas, mas importantes.

Precisamos lembrar quem somos. Ponto de equilíbrio. Força de vontade. Vontade de representar. Um mundo, uma tecla de piano, sentimentos escondidos. Ser quem somos. Máscaras de Nietzsche. Sim, sou fá de outros filósofos também, devo admitir. Sempre preferi, filosofia barata.

Friday, September 21, 2007

De Apolos e Afrodites o mundo é feito. Onde está Cassandra?

Talvez seja isso: é assim que a vida faz. Têm disso mesmo, as coisas. Eu espero tempos, muitos tempos, relógios antigos, digitais, formas inócuas de contar o tempo. Como personagem de desenho animado, tenho pouco movimento, poucas falar, poucas ações. À mercê daqueles que me comandam. Digo, meus sentimento. Aquilo que provoca fuga. Mau do século? É o espírito, inerente ao que sou, reiterando minha forte vontade de fuga. Essa fuga que tem um corpo. Mais do que isso, um caderno, diário mesmo de recordações. Eu tenho dois ou três. Em apenas um, deixei marcas de palavras. É ela por fim que me resta sempre. Sou o que sou.
Descobrir que tenho esse "talento" para ensinar o que estudei. Me deu vontade de ser mais. E talvez a ânsia por uma situação ecônomica mais favorável, digamos assim, pode ser revista. Uma vida que possa ser reconsiderada. Tenho isso. E no momento me veio essa felicidade, tola, eu sei, mas esperançosa. Talvez tenha aquele espírito de Delacroix dentro de cada um. Cada parcela do que somos, tem aquele mulher com a bandeira vermelha na mão, erguida no meio do caos. Temos esse fragmento do homem romântico. Nossa capacidade de sonhar, talvez realizar, lutar contra si, aprofundar-se no que somos.
Me resta sempre a palavra. Serei eu autor de palavras? Bandeira vermelha que ergo, pouco, mas ergo.
Sentimento de paixão, intensos. É o vermelho. O negro de Stendhal. Calço os sapatos e mais uma vez vou caminhar. Esvair o sentimento. Pedra preciosa que se vai. Sonho que se acorda. É, não posso culpar o mundo. Resta-me a palavra. E o que ia dizer, deixo entalado na garganta. Para que? We are who we are! And i would´nt chance a thing.
Right?
Bom, a Madonna disse isso.

Thursday, September 20, 2007

Theme Park

Sempre escolho temas. Temas para leitura, música, filmes e temas para manhãs de sol ou de frio, chuva ou ar seco, feliz...ou triste.
Mas nada disso por enquanto. Por enquanto vou me enrolar naquilo que mais conheço. Deito e esqueço. Machuco um pedaço da minha pele para esquecer.
Enfim, manhãs são assim: têm disso. E ouço aquela música, mudo a faixa para não lembrar de você. Ainda hoje, devo fazer um seminário sobre o romântismo. Perfeito, não? Sim, o romântismo e aquele espírito subjetivo, mal do século, luta contra o mundo. Sim, renasço na subjetividade. E vejo assim, perto demais...talvez ainda mais perto. Jogos podem ser apenas jogos. Vontades de vontades. Nada é real.
Enfim, vamos tocar, mudar a faixa. Hoje tem aquele seminário. Falarei de mim. Quem melhor para se ter como exemplo, talvez tolo.

Wednesday, September 19, 2007

Party on today

O tempo em São Paulo anda desacostumado. Inconstante e cruel. O tempo está deveras desacostumado. Antes, podíamos prever tudo o que aconteceria. 23 graus à tarde e chuvas esparas a noite. Ultimamente só conseguimos advinhar levando na bolsa um guarda-chuva, uma blusa de frio, óculos escuros, protetor solar, cachecol e um monte de parafernalha para todos os tipos de clima. Estranho.
Parece que de súbito, a cidade resolveu revelar que nem só eu sou inconstante. Ah, sim, as parafernalhas eu sempre levo, daqui até ao fim, que chegou. Mas não temo finais, afinal, eles estáo sempre a nos rodear.
Vontade de assistir Fim de Caso. Vontade de promessas. Ai, lá vem. Chuva. Caralho. Será que alguém pode dizer porque estamos assim sem eira nem beira?

Tuesday, September 18, 2007

Something About It

Tem algo nas manhãs nubladas que faz com que o mundo se esqueça. Esqueçamos de girar. Parece-me coisa contrária. Nos dias frios, paramos para ver o peso da nuvens. Seriam as cores? Talvez como uma canção; seja nota de lamúria ou canto alegre, pode ser uma canção que possa retratar as nuvens estáticas, coloridas e pesadas.
Seria como descrever um algo ou um alguém. E quem não tem dentro de si aquele pequeno sonho de príncipe, pronto a testar sua coragem. Igualmente, quem não tem uma rosa? Tem algo mesmo nas manhãs nubladas. Impressões, como pintura. Como falso testemunho de ver flashes de sol por entre o cinza e o roxo. Quem não conhece mesmo, sabe que tem algo nessas manhãs.

Monday, September 17, 2007

Just Watch me Burn

Tem aquela música que relaciona sonhos com arco-íris. Aquela música do filme da menina de sapatos vermelhos. Essa mesma.
Ontem eu assisti "A História de Nós dois". Estranho ver filmes em outro contexto, pois ele assumem uma nova forma, uma nova linguagem.
Eu deveria escrever mais, sobre aquilo e sobre tudo aquilo. Mas não. O que faço em conserva, é como algo de cuidar. Cuidar para não ruir algo que nasceu bonito. Conservar, como faz aquela tal natureza. E tem ainda aquela resolução. Uma ou duas. Onde está mesmo o destino? Ah, sim, esqueci. Ele veio até a porta, bateu e foi embora. Não digo ele todo, mas apenas uma parte dele. Receio dizer que não foi brincadeira. Essa coisa do destino. Será que ainda sou o seu destino e você o meu? E por que ainda escrevo "você"? Terapia de Roland Barthes - um dia explico melhor. O importante, acho, é aquela resolução. Ainda vale a pena tentar. "Você" vale a pena tentar. Mais que isso.
Bem, voltamos à música da menina de sapatos vermelhos. ELa e a música que me emocionaram quando criança. Mal sabia eu, pequenino, que estaria rumo aquela cidade verde e brilhante, onde a bruxa, nariguda, estava me esperando. E sim, eu mesmo acabei ficando como o homem de lata, como o leão e como o espantalho. Eu mesmo acabei sem coração, sem coração e sem um cérebro. As três coisas essenciais da vida. Porque eu sou ao mesmo tempo, um leão covarde, uma homem feito de lata sem sentimentos e um espantalho sem cérebro. Ao mesmo tempo, com sapatos vermelhos, eu sou tudo isso. Talvez não seja isso. Algo assim: eu sou esses três. Quando resolvo não ser, como no caso do leão - que deveria ser eu agora - algo me bloqueia. Onde vai a coragem? Onde foi parar as garras de lutar?

Chega de OZ.

Thursday, September 13, 2007

From where it´s coming

Escrever é um momento. Algo de secreto e ao mesmo tempo obsceno. Momento. Pode ser até mesmo uma manifestação de um estado de consciência. E, sim, é um momento.
Escrever é corromper a fala. Dar ao silêncio seu sentido primeiro; sentido pragmático-primitivo. A idéia, o pensamento e a representação do que se é, existe, em primeiro, nesse espaço, nesse silêncio. Na obscenidade do "ser". Quando, por exemplo, escrevo revelo segredos íntimos. Por muito tempo desisti de escrever sobre o tal jogo de cartas. Protelei, pois a verdade, feliz (porque sim a felicidade) era algo que não poderia jamais ser imortalizada. Porque as palavras têm disso: imortalizam idéias-pensamentos. Mas, a certeza de querer aquilo que disseram as cartas foi tanta, que já imortalizei, com um laço azul, talvez um pouco mais azul do que isso, deixei evidente o jogo - que era só meu. De segredos, vim escrevendo. De medos eu escrevi, futuros, decepções, vontades, orgulho, querer ter e não ter etc etc etc.
Por alguém (esse é o segredo) eu escrevi muitos textos. Dediquei som ao meu silêncio. Na dança das palavras existe um nome. Nesse desespero de pétalas existe um rosto. Na angústia do calor, o sol tem uma representação. Então, porque não querendo dizer, acabo escrevendo?
É o meu momento. Aqui digo tudo o que eu quero e não tenho coragem de dizer. Aqui, faço um pequeno espaço para dar esperança ao meu discurso. Espaço de príncipe. Porque escrever é um momento. É dar luz a uma idéia. É querer ser lido. Eu leio. Como lêem meus tão íntimos pensamentos. É só saber procurar. Estou aqui.
Esse é o meu momento e pode ser o seu também. Escrever é isso: só um momento.

Sun in the sun

Me canso de histórias. Me canso daquilo que se perde em caminhos tão perfeitamente traçados. Sim, os caminhos, deveras inseguros, me cansam. Facilmente, o sol batendo forte de faca amolada no rosto, no peito e nos braços; o sol me cansa.
E talvez agora eu esteja entendendo muito de histórias. Revelações, sentimentos, alguns incertos, mas estou entendendo. O que é dor, o que é sofrimento e para cada um, uma alegria diferente. Será que tudo isso pode mesmo ser racional? Eu que sou tão emotivo, poderia ser minimamente racional? Questões infundadas. Apaixonar-se é racionalizar os motivos do sentimento. E será que há mesmo algum motivo? Quem sabe exato o que é apaixonar-se? Seria o desejo? Aquela vontade de fúria em abraçar, sentir o cheiro, o sabor da pele, passar as mãos pelo corpo trocando aquela energia e deitar, deitar-se sobre o corpo, deixando que o calor ultrapasse o espaço físico, tornando-se suor, cheiro, cor e vibrações.
É tanto. Tanto.
Não sei como descrever. Algo como estar relacionado ao sol, ao sol dentro do sol. Assim como estou por você: o sol dentro do sol.

Wednesday, September 12, 2007

Waiting for the Devil and the Moon

Leves tendências. Eu digo aquele adeus, aquela vontade imensa de jogar no ar pequenas pétalas de rosas virgens - vermelhas. Antes da voz, tem o som preso ao pé do ouvido. É lá, é nesse lugar que minha vida existe. As representações de pássaro e pétala que sou. Moro nesse lugar do adeus, porque estou sempre dizendo adeus. Sinto como uma dança essa coisa do adeus. Àdeus. Vontade de sentir-se como pétala. Como lua e como o próprio diabo.
O que transcorre da vontade de ter uma noite de sono tranquilo, como esta. Dormi e sem mais. Antes o pedido, depois os sonhos que não me lembro quais foram. Só a vontade.
Adeus, por deus.
Leves tendências de dizer adeus, ou de trazer cada vez mais perto de si, o presente.
Me visto de cores, pétalas vermelhas. Um pouco exagerado, mas ao vento, como as pétalas.

Tuesday, September 11, 2007

Go on and fool me

É nos sonhos que eu tenho você. É nos sonhos, pesados talvez, que eu consigo alcançar sonho-de-vida. Linguagem de emoção, sensação de ter tido, sem ter tido. Em verdade é assim. Os sonhos serão sempre sonháveis. Estranho. Estranho ter tido, mesmo que em vigilia, e acordar sem. Parece, por vezes, que meus olhos se cansam para que eu durma e tenha tudo isso que deveria ter na vida "real".
Mas isso é a velha mania de fantasiar com o proibido. Mania de séculos, mania de 25 anos. Talvez 23. Eu fantasio. Sonho com você e acordo feliz com o sol batendo na cara. Mas sonho com você e entristeço quando descubro - "Foi apenas um sonhos". Sonhar tem disso. Mas eu me engano fácil. Tenho sim a tendência louca à depressão. Ninguém sabe e ninguém vê. Passa em questão de horas. A depressão por coisas pequenas. E esse sonho que é tangível...Enfim. Viver de sonho. Quantos maneiras de escrever isso eu encontro por dia. Mesmo que acordado, recosto, deito, sonho, vejo sinto aqueço na loucura sem ponto e sem vírgula devocêexclamaçõeseecosdesonhosintermináveis. E m s e g u i d a p ar o e me recupero. Coloco o ponto e a vírgula. Um pouco de lado emocional.
É, sentimentos são assim. E a noite tem sempre mais:

Monday, September 10, 2007

Destin(action)

Ser sincero, verdadeiro mesmo. Que tarefa é esta que nos impõe à alma, do mundo que nada se leva. Ser intensamente, viver com este lado tão emocional que se coloca à frente de tudo e todos; a emoção que vem da pele, dos poros e da vontade imensa de ser um poeta romântico.
É difícil. Tarefa de mitos. Estou sempre a procura de saber o que dizer, como dizer, agindo de forma incalculada, descompassada e, enfim, não saber quando é hora. Eu me vejo perdido entre palavras que circulam meu pequeno pensamento. Me vejo perdido no momento de dizer, sem pormenores...
E isso pode ser coisa de destino. Coisa calculada, perdida fora da razão. E isso tudo que vem em terremoto, desenfreada mesmo. Sentir algo que é novo pela natureza do acontecimento. Sentir cada vez mais. E ainda aquela urgência em dizer, gritar em alto e bom som. Coisa do destino! Destino? É sim, o destino que me prega peças, que me faz de ator circense e degola minha pouca racionalidade. Em destino eu encontrei, encontrei e fora de rumo. Essa coisa toda. Não sei quando, como e...
Tarefa difícl essa coisa doce de ficar feliz no seu sorriso. Tarefa difícil essa a de me manter o sentimento no escuro; tarefa difícil essa a de não deixar...tarefa difícil essa a te me apaixonar pelas suas mãos ou pelo cheiro da sua pele. É, tarefa essa difícil de não te contar com voz e som.

Thursday, September 06, 2007

Take easy. Take it hardly

Calma. Explicar pode ser uma tentativa. Quero traduzir tudo isso naquela antiga vontade, lembra? A vontade de malas, de calças curtas, de sol no rosto e, possivelmente, insustentável leveza de ser. Calma. Vamos por partes. Primeira esta: existe segunda chance? Depois a outra: por que mesmo só os pássaros podem voar?
Calma, deixemos de lado tudo isso. Vamos partir em busca de terras distante, dentro de sonhos impossíveis, mas realizáveis. Eu ao seu lado. Encosto, esse suor preso na tua mão. Em dias quentes é assim. A janela semi-aberta; pela fresta o sol, ávido, tenta alcançar um pedaço da cama.
Calma...

Wednesday, September 05, 2007

Broken

Do corpo quebrado, corpo doente, as horas do dia parecem pesar. Semana. Semana de muita coisa. Semana que não termina. Saudade. Semana. Trabalho. Preocupação. Semana.
Eu quero descansar, talvez no seu colo, sim eu quero descansar no seu colo. Porque é tudo assim, do jeito que planejei: deitar no seu colo. Sem pretenção. Sem dor e sem lamúria. Hoje, amanhã, tarde e noite. Do que mesmo estou falando? Sim, de você. Sempre. Frouxe de rir. Esse blog é assim. Ele passa de temperamente à temperamente sem velocidade. O passado na estrada. O pé na areia. É faz falta. Ela faz falta. Muita até, eu diria. Eu gostaria que ela tivesse conhecido você. Mas ela conhece.
Do corpo quebrado, cansado, doente. A vontade e a alegria de você. Isso é peso? Isso é pena de bicho ávido e elegante. Algo como o cisne tatuado no meu braço esquerdo. Sua letra.
Cadê? Fim do dia. Começo do dia. Um gole de água. A descida árdua. Começo do dia.
Do que mesmo estou falando?

Frouxo de rir

Quer dizer, minha sombra pode se multiplicar. Ainda pelas vitrinis, o Chico me diz "é como um dia, depois de outro dia". É tão simples. Quer ver?
Aquela antiga frase do "nada é para sempre", em verdade é um bicho papão. Dizem para assustar, para que possamos, bestilmente, nos agarrar aquilo que se tem no conformismo, no rebanho, na atitude "correta" - espelho do infeliz. É o conto de fadas. Sem divórcio, sem brigas e pelo amor de deus, fique com alguém. O problema está no sozinho. Ah, como isso é demoníaco. Bom, certamente há um resquício de verdade na famigerada frase. Ao que me parece, a verdadeira semântica disso seria realmente a tal da pragmática. Realmente nada é para sempre. Claro! Acreditem. Nada é para sempre, pois somos ciclicos, mutáveis e instáveis. Como poderíamos então acreditar que tudo é para sempre?
Tolos!
Bom mesmo é ver que aquilo que não ficou para sempre mudou, virou outro - outrar-se. Sim, juntos jogamos tudo fora, agora nossos pés não se enroscam mais e eu não enlaço o teu vestido. Dei pra sonhar, sonhei, acordei e agora sonho novamente. As travessuras das noites eternas se tornaram retratos, belos retratos de memória. Tornaste a sorte pelo chão para que outro a pudesse aproveitar. Sorte! Nem é sorte. É outro. Fulgás. Meu sapato, enfim, não pisa mais no teu.
Agora é ser religião de si, veracidade de conclusões e vontades para serem feitas.
Quem acredita nisso? Só eu?
Retiro meu olhos. Agora é eu e você!
E eu, depois disso, frouxo de rir!

Tuesday, September 04, 2007

Os letreiros a te colorir

Eu quero canção. Quero canção de amor-amar. Sim, você pode ser letra enquanto eu, vigia, protelo momentos de amplidão. Vamos ao microfone anunciar temas de amor-amar. Quantas pedras sem vestígios nos deixam passar. Quero colorir, esse letreiro sim, essas vitrines que refletem sua silueta. Ansear pelo seu lábio, ou pelo calor da sua pele. Assim são as canções que me tocam.
Eu avisei, avisei ao meu corpo que ele é seu. Avisei em sentimento-sentidos que eu colori você no meu pequeno caderno de desejos - aflição. Com você despedaço, me desfaço - enfim, sou eu mesmo!
Eu quero canção. Já a fiz para você. Escute-a. Esta na ponta dos lábios. Entre eles está você...

Monday, September 03, 2007

Num fundo de armário

Tem algo, dentro de cada coisa, tem algo. É real e deveras verdadeiro. É assim que deveria ter sido? Se assim o fosse, teria acabado? Quantas questões que não serão resolvidas. Eu sei como medir cada coisa. É o sentimento. Tem algo maior no espaço, pequeno, que separa nossos corpos. Há algo maior ainda entre eu e você. Um mistério, um maior que não tem nome. Primeira vez.
É o anseio pelo toque no lábio, pelo suor escorrendo nas costas e pelas mãos enxugando-o. Confissão de travesseirom, essa que faço.
Tem algo. Maior que imaginamos. Aquilo que nos reserva na vida. Seja lá o que possa vir a ser vida, tem algo maior. Sabemos? Esquecemos? Eu e você.
Aqui e ali, dentro de cada coisa, dentro de cada sentido, as palavras, que mudamos, transfiguramos, vem isso e aquilo. Tem algo. E sim, a gente abre aquela avenida com nossos passos e vozes. Tudo se confunde. É bonito. Arrisco e não perco. Tem algo maior. Eu e você.
Tem algo maior dentro de cada coisa.
Eu digo, você repete e dizemos juntos.
Tem algo.