Thursday, April 26, 2007

Breve romance de sonho

Segundo Nietzsche:
"o grau de verdade que um espírito suporta, a dose de verdade que um espírito pode ousar, foi o que me serviu cada vez mais para dar a verdadeira medida do valor. O erro (quer dizer, a fé no ideal) não é a cegueira, o erro é a covardia. Qualquer conquista, cada passo em frente no domínio do conhecimento tem a sua origem na coragem, na dureza face a si mesmo" (Ecce Homo. p. 2-3)
Nesse caminho, deve-se entender muita coisa. O jogo de máscaras principalmente, quer dizer, estamos frente a uma fala que quebra com conceitos fundamentais da construção da moral - moral está disfarçada por meio de jogos sociais. Uma vez que o indivíduo se utiliza da moral, tal como ela foi germinada na sociedade ocidental, ele se torna em sua pior essência: o covarde. A covardia aqui, para Nietzsche, se trata de não saber , ou melhor, transverter os conceitos de bem e mal para uma filosofia de vida banal e do senso comum.
Essa fala do filósofo remete a tantas característica que não há meios de enumerá-las. Sim, Nietzsche pode ser pedante, mas há que se entender sua filosofia por um prisma, digamos, mais real. Em quantos casos já não ouvimos alguém dizer "não faça isso, é feio", ou então, "mas ela(e) não teve culpa, coitado"? Tais discursos são provenientes da fraqueza diante de si mesmo; a falta de coragem em resgatar valores morais fora do senso comum. A falta de coragem de vencer tais valores e entregar-se fora das regras do "bom convívio" é, em suma, o que Nietzsche chamará de covardia. Tal sociedade, constituida na base do moralismo religioso e da pieguece da bondade cristã, arquitetou as formas banais e frageis daquilo que deveria ser o espírito primitivo do homem.
Em resumo, a bondade na verdade é um grande jogo de máscara. Tudo em nome do bom convívio.
"Aquilo que vem ao mundo para não perturbar não merece respeito nem paciência" (René Char)

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