Friday, June 25, 2010
Pós
Friday, May 28, 2010
Thursday, April 22, 2010
Tudo.
Monday, April 05, 2010
Friday, March 26, 2010
Wednesday, February 24, 2010
Hoje de manhã.
Thursday, February 18, 2010
É como se...
Sunday, January 17, 2010
De volta.
Tudo passa rapidamente. Até isso me disseram. Num piscar de olhos, tudo pode mudar. Uma simples palavra pode levar um país à guerra. O amor dói. E por ai vai. De toda essa formação, é dificil entender o que foi nosso e o que foi dos outros. As manias excessivas. A falta que faz um conselho. Vez ou outra, abro os olhos e relembro de alguma coisa que minha mãe me disse. Procuro sempre uma espécie de bússula para me dizer onde ir ou quem seguir. No final do dia, a sensação é de que a bússula, ou mapa, está preso em algum lugar do meu corpo. Talvez seja esse o mapa. Seguir a si próprio, num caminho trilhado pelo o que minhas mãos sejam capazes de fazer.
Mas a vida e aqueles que estão juntos têm um peso. O fardo, como diriam, pesado demais para ser carregado. E eu não sou religioso. Isso me ensinaram. A vida por si só já tem o seu peso. E quando eu era criança eu não entendia muito bem o que isso significava.
Quando criança eu não sabia que a vida em si não é pesada. Talvez hoje eu entenda que O peso não está na vida, mas naquilo que carregamos ao longo do caminho.
Friday, December 18, 2009
Feliz ano velho
Eu poderia jurar. Jurar que no próximo ano, mudarei, esquecerei ou farei tudo aquilo que nesse ano não consegui. E todo final de ano, as coisas se repetem. Antigos desejos, anseios ou mesmo amores. Tudo se repete compravando que, sim, a história é cíclica.
O tempo passou, e algumas coisas mudaram. Naturalmente, nada foi uma escolha. Por simples que pareça, as coisas mudaram. Dentro e fora, deixei de lado muito do peso. Deixei que uma certa leveza tomasse conta de tudo. Mas eu ainda poderia jurar que eu jamais me divertirei como me diverti esse ano. Posso jurar que eu não vou mais fumar, beber, beijar estranhos. Poderia jurar que vou esquecer isso tudo, fazer as malas e partir para longe dos problemas. É só uma questão de simplificar. Tudo aquilo que eu amo, tudo o que desejo. A realização, essa realização que todos esperam da vida, nada mais é do que trazer para o amanhecer os sonhos da noite. Esse sonho, há tempos guardados. Posso prometer, jurar que esse ano eu vou realizar todos esses sonhos. Jurar que eu não vou deixar de amar, nem esse ano, nem nos próximos cem anos ou mais.
Mas o que é esse término de ano, senão um término de ano? Algo que passou. A soma de tudo o que foi. Mas será isso uma soma? Talvez, por mais que eu não goste, a Clarice esteja certa ao dizer que viver ultrapassa todo o entendimento. Existe a possibilidade. Mais do que matemática, a importância disso tudo é que seja no próximo ano ou amanhã, ou daqui cinco minutos, eu não deixarei que tudo o que eu sonho se desfaça com o abrir de olhos. São três os desejos. São três.
Eu poderia jurar que jamais vou me esquecer desse texto. Mas isso seria irreal. Por enquanto, só posso jurar que não vou me esquecer disso:
Sunday, November 29, 2009
Ego
Talvez seja egoísmo meu ou simplesmente um desejo, maior e incontrolável, esse de querer tudo para mim.
Monday, November 23, 2009
...
Sunday, November 01, 2009
Apenas.
Já houve momentos em que contar a idade era quase um levantamento matemático. Hoje, é ato de coragem. Ser aquilo que o tempo formou. Ser a soma da experiência com o tempo. Mesmo as subtrações específicas, aquelas que apagamos no poder da memória, são contabilizadas no balanço geral. Se pudéssemos, o tempo não passaria jamais daqueles instantes de felicidade. Mas é fato que nada dura para sempre. Sejam os sorrisos, os desejos, as promessas ou mesmo aqueles doces discursos do viver para sempre. Os planso nem sempre possíveis. Existir é o cálculo. Existir são todas as somas. Indo sempre para a direção do maior e do melhor. Adoramos o tempo. Ele quem traz as marcas no corpo, tatuagens naturais para lembrarmos o quanto se é possível sobreviver ao mundo. Dores, despedidas, partidas, família, beijos, paixões, amores. O resultado vai ficando nos cantos escondidos de cada um. Nosso tempo particular para processar o que é que a vida nos ofereceu ao longo do andar. E pode parecer pouco mesmo, mas como na matemática, quanto menor o número do resultado, maior foi a soma. Eu penso nisso.
Nos anos que atravessei e não vi. Nos momentos em que tudo parecia uma grande mentira. Nas duras palavras que ouvi. Nas manias que adquiri para sobreviver. Nos amores que eu tive. Nos beijos estranhos. No sexo sem fundamento. Nos momentos felizes. No vício. Nas noites e nos dias. Nos erros que cometi e não sabia. Eu penso em como aquilo que eu mais queria eu não podia ter. Todos os tapas na cara, todas as puxadas de orelha e todos aqueles que se foram ou que eu deixei partir. Adoramos esse tempo.
O tempo que parece apagar tudo. O tempo que conserta erros, ajusta o presente e dá continuidade para o futuro. E mesmo não gostando, é uma data para se entender os pesados anos que se passaram. De batalhas, lutas, mortes e decepções. Nunca o tempo se encostou. Parece realmente pouco. Ou por muito tempo achei que era pouco. Mas é fato, quando ela diz que nada disso foi pouco. Mas para toda história, como apontou Aristóteles, existe o ponto de quebra. Aquilo que separa a dor da vitória. O herói diante do seu confronto. Sem imitações, essa é a vida que construi com o tempo. tijolo por tijolo. E até mesmo ele, narciso, adora a si próprio. O tempo.
Adoramos esse tempo. A soma. A felicidade e a dor andando juntas, cada uma de um lado da via. Adoramos como tudo parece uma agulha e linha: a grande malha de retalhos. É esse o tempo. Tudo recomeça, termina, inicia.
Adoramos o tempo. Apenas 28 anos.
Tuesday, October 20, 2009
um dia.
E quando perguntarem, ninguém saberá a resposta. Se tudo não passou de um velho truque de magia ou se aquilo era a realidade. Do tempo, da resposta, dos momentos e da velha interrgoção:
Tuesday, October 06, 2009
nu e cru
Pensei nos medos que vim sentindo. Nos caminhos errados. Nas vozes que ouço e não reconheço. No tempo. No tempo como sucessor da imortalidade. Pensei na matéria e na filosofia. Nas gotas que caem do céu. Pensei o quanto tudo é vagaroso. Os dias quentes, os dias frios, os dias bons e os ruins. Essa história toda de contar contos infinitos do amor e do ódio. Essa transformação do corpo. Eu andei pensando em tudo. Na grande soma de todos os medos e nos lapsos de felicidade que acompanham os sorrisos esporádicos. É só uma maneira de expor a vida.
Eu andei pensando nela e na falta que ela faz. Eu nem percebo.São os momentos inesperados, ou partes de momentos em que ela estaria perto. Nos carinhos que ela costumava me dar, mesmo quando eu não pedi. No jeito de cozinhar aos domingos. O tempo, curto, em que ela foi feliz, sorrindo nos shows, indo ao cinema, lendo um livro que eu havia deixado jogado em cima da cama. Andei pensando o quanto eu sou parte dela. Isso eu nunca vou conseguir me livrar. As madrugadas em que eu acordava e a via na sala fumando um cigarro. Andei pensando em como tudo foi rápido demais e eu não percebi. Lembrei daquela tarde e da semana anterior. Eu estava tão distante. Lembrei o quanto, hoje, eu queria poder contar e deitar no colo dela.
Os pensamento, todos eles, acompanhados de dias bons e dias ruins. Esse mover de coisas que eu faço só para não me distrair. Os segundos contados, as horas intermináveis. As vezes, os dias parecem não acabar. Será que faz tanto tempo assim? E me entristece quando eu tento lembrar, e não consigo mais saber como era o rosto dela. As recordações, como me disseram, viraram a saudade. Será isso viver em tempos mortos? Essa busca constante para preencher um espaço, um vácuo tão grande que nem mesmo eu consigo calcular.
Tudo isso junto. Assumindo a saudade. A conclusão de que no fundo, ninguém é forte o suficiente. Eu mesmo que me imaginei um dia corajoso. Não há força para se controlar uma saudade. Não há força para os dias ruins.
Nesses dias, só mesmo ela, só ela, conseguiria me fazer sorrir.
Wednesday, September 23, 2009
You live, you learn
Eu tive os braços feitos para segurar o seu corpo. Tive as mãos nos seus cabelos. Tive as pernas e os pés encostados no seu caminhar. Tive os olhos dentro do seu mundo, a boca beijando a sua, o nariz no seu cheiro e o ouvido para sua voz. Tive a ponta dos dedos presas em suas mãos. As unhas arranhando suas costas e as digitais provando que eu era seu. Tive as costas para carregar o mundo, o nosso mundo. Mantive meu coração para contar as horas em que não estive ao seu lado. Experimentei as dores do estômago.
Eu tive os braços para voar sempre que preciso dentro e fora de você. Eu mantive meu coração, ardendo, calado. Eu mantive tudo.
Inclusive, você, em tudo que sou.
Monday, September 21, 2009
Setembro.
Como se mede um caminho quando não conseguimos ver o fim? As pessoas ao redor, os carros passando apressados, os faróis verdes, vermelhos, pontos, pessoas, casacos, calçadas e fachadas. E mesmo as coincidências parecem ter se perdido nas entrelinhas de tantos pensamentos entorpecidos. Vozes e cores, música para deitar.
Depois disso, acho que nunca nada será igual.
Ainda assim, setembro nunca demorou tanto para passar.
Sunday, August 30, 2009
Frias almas
Na antiguidade, diziam, ser o fígado o resposável pela nossa natureza; No romantismo, nos voltamos ao coração e sua engenhosidade como símbolo de vida e pulsão. E não seria de se estranhar que no mundo contemporâneo o cérebro fosse o órgão a ditar as regras da nossa vida. Mas a dissociação dele com a nossa alma, com o nosso espírito ainda reside no plano das suposições. Como se render ao fato de que somos compostos pela ciência e pela imaterialidade? Esse cérebro que nos é tão estranho e ao mesmo tempo tão intrínsico ao nosso viver, nos faz questionar a grande interrogação de "quem somos e do que somos feitos?". Essa nossa "alma" comandando tudo o que somos. Feitos de consciência, consciência tardia e não muito evoluída. Essa consciência egoísta que nos traí, nos deixa à deriva, presos na beira do penhasco.
Seria essa a redenção para todas as questões? Quer dizer, ser a alma a guardadora de todos os nossos segredos, de todas as indagações. Quem somos, o que sou, por que faço e para onde vou. Se existe essa linha tênue entre o nosso cérebro-comandante e a nossa alma mais romântica, seria a consciência uma simples mediadora entre esses dois mundos? Mundos negados, mundos religiosos, científicos e tão irreais?
Seria a redenção a melhor forma de se terminar um texto? Viver a vida dos outros, ao invés da nossa, é render-se ao mais perfeito altruísmo humano? Para onde se vão os olhos nessa redenção?
Para onde se foram os meus?
Monday, August 10, 2009
Agosto
Isso eu nunca vou saber. Se tem explicação, se é só o jeito que as coisas são. Dele que herdei as mãos e o queixo dividido.
Mas procurei muito dele em todos os lugares. Procurei em mim. Procurei em braços estranhos. E ficou só isso. O espaço vazio que ele deixou e minha adoração por mãos. Talvez um dia eu saiba o que é ser, mesmo não tendo recebido.
Isso eu nunca vou saber.
Dele, nunca saberei o porquê de tanto desamor, tanta resistência e tanta amargura. Dele eu nunca vou ouvir. E ainda assim, desejei ontem, no escuro do meu inconsciente um feliz dia dos pais.
Friday, August 07, 2009
Michel Foucault
É tudo uma questão de castigo. Outro dia, li no jornal o presidente pouco se lixando para o que está acontecendo em seu governo. Virei a página e veio outra notícia falando sobre um casal de homens que foram espancados na porta de casa. No outro caderno, saltou-me aos olhos a notícia de que a bancada do PMDB tentará arquivar hoje os sete processos que restam contra Sarney no conselho. No mesmo caderno, um depoimento chocante a respeito das novas descobertas do colesterol. E a carta de uma mãe enviada à colunista especialista em comportamento e sexo, dizendo que manteve relações sexuais com o filho e que agora estava grávida. É, e aqui perto do trabalho uma manifestação a favor do fretado e professores da rede estadual reinvidicando por melhores condições depois que o colega foi morto dentro da sala de aula.
É, realmente, é uma questão de saúde pública. A idealização da classe média, por fim, chegou ao seu ápice. Vamos proibir o fumo em qualquer situação. Os direitos iguais castrados. Sinto que sofri um estupro mental. Lotes para se fumar fora. Lotes de 6 a 5 pessoas fumando na rua, vigiados pelo segurança carrancudo. Se pago imposto, se contribuo como qualquer um, pouco importa. A bola da vez é a classe média. A ascensão do novo burguês, que agora está protegido de nós, os fumantes insensatos e assassinos. A classe média está a salvo. Sentados à mesa do restaurante, a família ri e brinda feliz - com fumaça de cigarro à parte, por favor. O falso moralista ergue sua bandeira e finca o estatuto dos bons costumes. Nova lei, nova regra. As placas insinuando a punição. Lá mesmo, bem longe disso tudo, está a depravação da miséria. Mortos de fome, desmatamento e políticas ainda do engenho. Quem liga? Hoje vindo para o trabalho, um funcionário da CET, parado na avenida Santo Amaro, tapava o rosto depois de ser bombardeado pela fuligem dos carros. É uma questão de saúde pública. Avante moralistas. Brindemos à queda da democracia. A enfermidade que se enraizou dentro de todos nós. Agora, já acumulo a falta de direitos. Não tenho mais o direito de fumar, nem em áreas reservadas, e não tenho o direito de unir-me legalmente a pessoas que eu amo. É uma questão de saúde pública.
E se eu te pegar fumando mais uma vez, eu denuncio você.
Monday, August 03, 2009
Depois.
Todos os dias, chuvas de sol, manias de escrever escondido do tempo. Aquele florescer natural de arrepio. As vozes intercaladas, dizendo razões para o futuro, promessas mascaradas e outras formas de sentimento. Queria poder dizer "hoje está chovendo". Hoje o dia amanheceu quieto, sossegado e nem mesmo um pio se pode ouvir. As rodas dos carros passando nas poças d´agua. O barulho da chuva caindo nas folhas do jardim. A cama vazia, estirada, perturbada pela saudade salutar. A ausência do corpo e daquele calor rotineiro que nos acostumamos.
Todos esses dias. Dias de partida. Dias de saudade. Saudades do gosto da boca, ainda relembrado por cafés e sobremesas delicadas, pelo gentil calor misturado aos novos ares. O sabor da pele. Um cheiro diferente. Novos retratos, novelas, músicas e livros. Todos os dias aquele gosto a caminhar pelo canto da boca, querendo adivinhar se é saudade ou manifestação da mente. Em noites quentes, o delicioso barulho dos restaurantes, da cerveja e do vinho. Delicioso afagar de cabelos, barba mal feita e roupas de viagem. Tão presente, perto e distante. As vozes se intercalando, ruídos e a saudade que não se vai.
Escondidos no tempo, ficam os dias de sol.