Por ai vai.
Monday, June 29, 2009
Por ai, vai.
Por ai vai.
Wednesday, June 10, 2009
A Marca na Parede.
Abdico a Deus, à carne viva que me deste, à vida enquanto projeto de carência, ao coração satânico que borbulha suas imagens e, por fim, abdico a mim por ser que sou e por tentar erroneamente escrever-lhe esta carta. Em tempos que pulo no salto de uma imaginação esperta, vejo-o num futuro permissivo à minha memória que não conhece o tempo da vida. Se os relógios...Enfim, o que é abdicar a tudo que se valha por desnecessário entre eu e você? Mas choro pela escolha de não saber reparar os danos tão frágeis que cometi num surto da vontade de uma vida à espreita de outra que se pudesse valer ou coloca-la em xeque. Por isso, abdico à minha vontade de saber se teremos um futuro de paixões violentas, e a você que sei, me daria tudo isso. Não são somente suas palavras, ou seus olhos infantis que bailam ao som de nossa conversa. Apenas ao tétrico momento de instantes, como diria agora, eu trago-lhe minha posição: abdico-te.
Esqueço-me da carta acreditando criar uma ficção que me faça, e faça a você, uma estória futura trazida ao presente de meu devaneio. E são somente as palavras que me acompanham no instante em que vejo seus olhos colados ao meu na sinceridade que somente eles sabem revirar na procura de algo ou de alguma coisa. E essa imagem, tão familiar, atravessa meu corpo sem que eu perceba. Meus olhos ouvem tuas palavras e meus ouvidos ressoam sua imagem na atmosfera noturna de uma noite friorenta. E vejo todos....
Abdico.
Meu pecado maior é ter entre meu corpo você em água salgada e seus beijos que somente imagino em sonhos transpirantes. E como será ter um pecado entregue ao Diabo, à luxúria de todos os prazeres de um corpo ardente, quase febril, que espera, espera, espera por todos os galopes que este cavalo me dá? São as interrogações ligando-me à loucura. É você que me assombra com desejos perversos que fazem as mãos percorrerem meu corpo em busca de prazer. E quando vejo, já não é mais essa a carta e nem a você que desejo remeter; é algo outro, como se escrevesse a mim palavra tão tola. Amanhã enviarei ao correio somente a frase “abdico-me a você” e, assim, jamais saberei a quem remeti, pois você está em um sonho do futuro-presente-passado, próximo a tudo que conheço por imaginar. E se mesmo imaginando te sinto, será o presente o ladrão dos meus sonhos. Lembra-se da noite em que me recitou sua vida? Pois foi nela que banhei-me e não com o luar nem com as notas musicais...ô luar...
O que você diria de meus pecados? Amar-te? Serei sempre eternamente um galope de meu demoníaco cavalo, correndo pelo seu corpo, imaginando-te a pele branca recostada em meu coração tão branco eu...Imagino essas reticências em nosso tempo, um no outro e a febre de meu cavalo já louvado. E como diria, enterre-o, mate-o e coma esse animal, essa corrente do fogo azul, anil, e todas as cores. E o que diria de meus pecados? Cavalarias, infâncias, e o crepúsculo escurecido de todas as minha vozes, essas que não digo, silenciadas, sem moral alguma! Permite que adentre ao mundo de caos e entrego-lhe minha rosa vermelha em esperanças de outro tempo: àquele que me faz sonhar e deixar cair por sobre seu corpo quente minhas frias lágrimas. Espero no fio da noite apenas uma corda daquele seu instrumento tão poderoso que é a sua voz feita de seda. E em mil panos me retalho para ver-te partir nas sombras do meu desejado futuro. Deixei cair algumas das pétalas que me deste com tua boca e pelo chão, nesse esteio de palavras girantes, perdi-me em você. Sinto esta carta transformar-se em derrilição, pura magia sedutora do Diabo em teus olhos satânicos, tão próximos como os dentes do predador. E sou a caça. A caça de tudo isso que me devora em pedaços finos, preso em teus dentes alvos. Sou apenas a presa da caça. E estou raciocinando um momento de lucidez: fundir-me em seu corpo, tomando a vista do mar e entre as ondas circulares e ovulantes, vejo-me em você, dentro, tão dentro que não reconheço meu corpo, senão o seu. Minha presa! Sonhei com meu cavalo, com os fantasmas daqueles olhos vibrantes (ou penetrantes?) e acordei banhado de sonho. Você me faz sonhar com esta carta, com suas vozes em meus olhos...Contorço meu estômago para digerir você como um alimento engenhoso, criado por Ele, criado por mim naquele mesmo futuro de que lhe falei, no qual sonhamos um com o outro na esfera transversal, no campo e naquela rede onde batia o fino sol da tarde e você me beijava. E são apenas palavras incertas de meu desejo, que já nem é mais secreto. Contei a rosa vermelha meu verdadeiro anel de prata e entreguei-o a você naquele sonho afoito entre a vigília e o acordar. Traga-me o caos que lhe peço por esta carta tão sóbria de mim e lhe entregarei a saliva de minhas mãos ao escrever-te esta carta.
Sonhei com você. Sonhei com seu rosto. Fiquei, ou sou, louco. Seu rosto. Abdico a você. Essa carta é somente um arremesso de meu coração; uma tentativa frustrada de entender meu corpo em você, e meus galopes nas mãos do Diabo.
Saturday, May 30, 2009
Quando anoitece, em meus círculos de fogo eu praguejo. Deito o corpo na lama e sonho pesadelos de eternidade. A felicidade que se foi. Eu me tornei a alucinação da mãe morta. Por onde passo, meu rastro cobre com um manto negro os passos alheios. Eu vejo o ódio e desperto o pior de tudo. Eu sou a besta rastejante, a cobra e o veneno maligno. Eu vi o demônio e para ele preparei o meu corpo. Eu fui esquecido.
Eu me tornei o contrário, o avesso e a felicidade. Eu sou aquilo que sonhei.
Monday, May 18, 2009
Tim tim
E fica sempre por um fio. Tênue, delicada e frágil. Somos a grande experiência de deus. Somos a verdade e a mentira, juntas, criando espaços inabitáveis.
Quanto ao Ibsen, sozinho é aquele que encontra a derrota da vida. A força falsa de viver à dois. Ou mesmo o Hesse quando disse que o homem é o lobo do homem.
Wednesday, May 13, 2009
Writers block
I'm feeling rough
I'm feeling raw
I'm in the prime of my life
Let's make some music make some money find some models for wives i'll move to Paris, shoot some heroin and fuck with the stars.
You man the island and the cocaine and the elegant cars
This is our decision to live fast and die young
We've got the vision, now let's have some fun
Yeah it's overwhelming, but what else can we do?
Get jobs in offices and wake up for the morning commute?
Forget about our mothers and our friends
We were fated to pretend
I'll miss the playgrounds and the animals and digging up worms
I'll miss the comfort of my mother and the weight of the world
I'll miss my sister, miss my father, miss my dog and my homeYeah
I'll miss the boredom and the freedom and the time spent alone.
But there is really nothing, nothing we can doLove must be forgotten, life can always start up anew
The models will have children, we'll get a divorce
We'll find some more models, everything must run its course
We'll choke on our vomit and that will be the endWe were fated to pretend
Yeah yeah yeah
Friday, May 08, 2009
Carta endereçada.
- Mas você nunca mais esteve no sofá, fumando, tomando café e perguntando se eu não estou com fome ou se vou levar um casaco porque vai esfriar.
Monday, April 20, 2009
Gosto(so)
Novamente, o parafuso girando contra a madeira, querendo arduamente ligar duas formas de vida incompatíveis: a minha e a que desejo. O desejo do saber tudo, sobre todas as formas e todas as maneiras. Que me perdoem todas as justiças divinas, mas ali, naquele mesmo canto particular, não há lugar para relicários.
Feche os olhos. Um, dois, três. Abra los ojos.
Tuesday, April 14, 2009
Ao vazio.
Aqui, os vazios, lentos e prazerosos vão assumindo seus postos como se estivessem marchando rumo à guerra dos desesperados. Loucos, maníacos, egocêntricos, seguidores do demônio e mesmo os seguidores de cristo. Assassinos, românticos, apaixonados, adúlteros, mentirosos, fiéis, leais, falsos, fantasmas, familiares, mortes. Os vazios substituídos pelo pior e pelo melhor: a eterna antítesa. As artes barrocas, retorcidas e aglomeradas vão se fundindo a uma espécie de arte contemporânea. O desespero em se criar o quadro perfeito.
Todas as políticas públicas reunidas em uma só cabeça. A fome da África e os órfãos da guerra do oriente médio. Tiros e desparos. Negar os símbolos de uma suposta vontade religiosa, pode ser a melhor das armas.
Monday, April 06, 2009
London calling.
A vontade é sentir tudo como se fosse à primeira vez. A primeira dor do sexo, a primeira vontade de doce, o calor, o primeiro frio de temperaturas baixas, sonos e vontade de rir. O riso forçado. A primeira música. O arrepio do primeiro beijo. O primeiro beijo. Tudo num ritmo desacelerado e menos ordenado do que as equações matemáticas. Na antiguidade, isso poderia ser uma ode, tragicômica e feita para grandes platéias. O curto da vida, o curto do pavio, a fome pela vingança e a perversão. Tudo junto, num dos cantos mais escuros do coração, palpitando e bombeando para o corpo o sangue mais azul que se é possível produzir. Muitos outros dias ainda em estado vegetativo aguardam, sem anseios, pela maestria do destino. É dessa vontade, a falta de amor, nasceram às teorias do menino-que-não-sabia-se-amar. Daqueles olhos quase negros, do cabelo grosso e escuro. Com afinco, podemos afirmar nessa fábula não muito moderna, que o amor incondicional é para poucos. O menino-ainda-em-desalento procura lugares estranhos para se procriar, sabendo racionalmente que ali não encontrará um hospedeiro perfeito. Sua vontade é a de sentir dor pelas mãos do outro. Não saber se amar parece ser o destino do menino-que-não-é-amado. Sua mãe, sem entender as coisas do útero, admite sozinha em suas preces contrárias que ao filho entrega somente o destino do sustento familiar. É a fábula do mundo anti-moderno. Os laços finos do menino, cortados pela vida cruel e pelo mundo construído por desafetos. A vontade ali era de se sentir minimamente amado.
Tudo parece indicar que as histórias, como na própria História, não são cíclicas. Elas se repetem. Elas se dobram e desdobram. No espaço, não parece haver esse tempo para os mortais. Tudo se faz num único momento, o mesmo momento para todos em qualquer lugar e qualquer época. Uma bolha, de tudo, de todos os tempos que se dobra lentamente e com a mesma velocidade estoura por entre tantos astros. Seria apenas uma das formas esquizofrênicas de entender os significantes, ou mesmo estudos semióticos. O significado do espelho, ninguém parece ter entendido.
Aqui, as fábulas jamais foram escritas com base na vida real. A vontade é a de sentir tudo, como se fosse à primeira vez, desde que o passado tenha, enfim, sido enterrado.
Friday, April 03, 2009
A insustentável leveza
Ainda que nada se possa fazer, deve-se como uma espécie de trabalho artesão, esquecer de tudo, caminhar por um momento e adiante, abrir um pequeno carderno de páginas brancas e ali, reescrever tudo novamente. Pode ser um start de coisas. Pode ser também uma simples maneira de construir novas versões. O partir não parece, e nem pode parecer, distante como se imagina. É preciso um plano, um sentido e uma infelicidade para que se possa ir adiante. O espírito, tal como conhecemos, disfarçado por tanto tempo, atendendo necessidades frívolas do dia-a-dia, se volta contra as máscaras. Ali, no mesmo canto da sala, ainda há um pequeno rabisco de vontades. O anseio e os desejos insatisfeitos. Porque para ir, é preciso sentir-se infeliz.
Mas também um certo tom de desajuste é necessário para que se possa imaginar outras possibilidades de viver. Eu penso, e recoloco tudo na mesma medida. E as decisões se somam, e distraído planejo outros caminhos. Que seja a perda de uma profissão e mesmo a distância de tudo que se conheceu. E um dia ainda se poderá rir de situações desesperadoras. Hoje, o melhor é trancar tudo em uma mala e ir. Que seja amanhã ou depois de tudo.
O primeiro passo é partir.
Wednesday, March 18, 2009
ao romantismo.
Eu anseio por esse futuro. Distante. Pedras e água salgada. Quando nada mais faz sentido eu retorno para os seus cabelos, circulando meus dedos, fazendo carinhos perversos em sua orelha. Ensino pequenos grunhidos antes de adormecer. Sem notar, já é tarde, bem tarde, quando abro os olhos e ainda posso te ver reluzindo. Na chatice do dia-a-dia, a mesmice daquilo que não passou. Estátua de mármore dizendo doçuras. E tudo perde o sentido. Volta e recomeça do zero. Sem esquemas, geometria ou subjetivismo. Eu perco as palavras e só consigo dizer que te amo. Um medo terrível misturado às sensações do prazer. Aquilo que fica não dito torna-se meta. A vida passa, continua à espreita. Você ainda no reflexo do espelho dizendo adeus com lágrimas nos olhos e eu preso a teus pés. Perdi. Ganhei. Pontos e mais pontos e com eles sobrou apenas o retalho de uma eterna insatisfação. Aquele desespero dando lugar a mania de tentar esquecer. A calmaria do entendimento: aquilo que foi, não volta jamais. E essa pretensão de que tudo vire testemunho bíblico é só a força do hábito que não me permite correr ao florista, pedir meia dúzia de rosas brancas e levar até a sua porta. Seria mesmo a morte consoladora? Sem o romantismo torpe ou mesmo a coisa de Castro Alves. A morte como detentora do renovável, do começo e do fim.
Assim, se passaram cada um dos anos. Uma viagem homerica, na jangada carregada de lembranças, rumo ao desfiladeiro - à beira dos seus olhos. Disso, nasceu longos fios de ciúme, enrolados a um tempo de sabedoria, despeito e carÊncia. Que mais há para se fazer? Do luto à ressurreição. Você ali e eu aqui. Cavando buracos, desenterrando maravilhas de um doce passado. Jamais diremos o contrário. E tudo isso para provar a minha teimosia, a minha falta de desapego por aquilo que se foi. Você, que um dia parou na minha porta e que hoje tornou-se príncipe-romântico dos contos de fada.
O que dói não é a morte de quem se ama, mas a morte do amor que se teve um dia.
Monday, March 16, 2009
Sombra.
Tuesday, February 24, 2009
Além
Seja da ordem que for, as relações devem ter uma espécie de ligação-maior. Algo que vá além do simples hábito, do cotidiano e do experimental.E mesmo as pequenas relações também devem ter aquele caráter passional. Mas de todo modo, é de extrema dificuldade estabelecer essas relações.
Na estante de livros, olho e de súbito percebo que há história ali. O modo como sempre datei os livros que adquiri e mesmo os bilhetes escondidos, anotações de rodapé, orelhas dobradas. Tudo ali dentro daquelas páginas. Uma história de muitos anos. E eu tenho essa relação com meus livros. O prazer de tê-los, o prazer de sentí-los envelhecendo comigo - os anos que se passam e as leituras em cada fase, adquirindo uma vida nova além daquela que está sendo contada dentro dele. Ali também, elaborei trilhas sonoras do jazz ao mais pop, passando pelos clássicos. Lia Tolstói ouvindo as sinfonias russas. Deixei todas essas histórias em estantes fora de ordem, empilhados e envelhecidos.
É dificl estabelecer relações. Com os livros é uma ligação-maior. vou além daquilo que conheço. E talvez, seja a única relação que nunca se vai. Não há cortes, desavenças.
É a única que sempre ficou.
Saturday, February 14, 2009
Cartola.
É difícil acreditar em mágica. Seja no circo, seja em praça pública, o festival todo sempre parece truque para criança.
Os coelhos saem de cartolas, mulher cerrada ao meio e, claro, aquele velho truque de tirar a moeda por trás da orelha. É difícil acreditar em mágica. Talvez tenham que adotar, ou resgatar, aquele velho olhar de criança ingênua. Aí, a mágica passa a existir.
É difícil acreditar em mágica, mas parece que o truque nos persegue. E como seria bom se a vida pudesse acontecer num passe de mágica. Como se seria se realmente o coelho estivesse dentro da cartola e, melhor ainda, se a moeda estivesse de fato atrás da orelha. As crianças acreditam. São capazes de trair a mais pura razão em troca de puros momentos de magia.
É difícil acreditar em magia. A magia de cores que se fundem formando uma nova cor, a magia de se criar maravilhas da arquitetura. A magia também tem os seus significados para o público descrente. Mesmo que científicos, um arco-íris só é bonito se acreditarmos na magia de vê-lo no céu depois da chuva. São as evidências menos temporais que nos fazem, pelo menos, uma vez na vida dizer: mágico.
Mesmo que seja difícil acreditar em magia.
Tuesday, February 03, 2009
Testemunha
Eu trago heranças comigo. Trago formas distintas de traumas, paganismos e aversões. O que me foi dado, aquilo que se transformou e que fez de tudo uma grande dilema moral, agora é a base para essa construção mal progetada. As pinturas na parede, as cartas seladas, a gaveta cheia de poeira e vontades.
Eu trago um pouco de tudo. Dos estudos de filosofia, a psiquiatria auto-didata, as críticas literárias, estudos Woolfianos e lingüísticos. Falo e penso em Shopenhauer, Nietzsche e Deleuze. Acendo cigarros com os dias contados e ainda penso em como será quando eu estiver de cabelos brancos. As perspectivas do mundo, parecem, sempre um mundo distante. Vou devagar. Lendo mensagens no metrô, procurando espaços em locais fechados, abrindo o guarda-chuva e esperando o dia passar. Essa pouca esperança de encontrar ao fim de cada caminhada outros pés que não sejam os meus. Da perfeição já me bastam os Magrittes e as fotografias de Eggleston. Aqui ao lado não espero mais do que um singelo e elegante sorriso. As formas invariáveis e o mesmo jeito de entender tudo e todos os mesmo tempo.
Eu trago essa herança. Tudo acontece como se estivéssemos presos por um fino fio de seda. Por vezes colorido, ele parece nunca romper. Ali e aqui, vou procurando espaços na estante e empilhando livros.
Mas a herança mesmo, chega nos lugares mais inusitados. Um certo padrão de sorrir.
Monday, February 02, 2009
Versão Verão.
Risos à parte.
Monday, January 26, 2009
For the latest
Não se pode tudo. Na força, na força que damos ao braços, restam às pernas poder carregar o peso.
Friday, January 16, 2009
Abra los ojos
E saio ainda com passo saudadoso de tudo. Da minha mãe e de como eu não tive tempo de dizer o quanto eu amava ela. Dos rancores e das brigas com meu pai. Mas ainda pude consertar outros vasos quebrados. À minha família, digo ao meu irmão que ele é parte de mim; à minha sobrinha, deixo a barriga ser mordida pelos dentinhos frágeis, deixo ela passar gel e prender o pente no seu cabelo fino e até mesmo simulo mergulhos na praia só para vê-la sorrir. E ainda acho tempo para dar conselhos alheios, por pura diversão. E aos poucos o passado vai se esgotando. É um processo de cura, eu diria. As vontades de criança carente e o pirulito quebrado.
Eu penso nas diversas formas de se viver bem. Escolho as pessoas certas, os filmes, livros e programas de televisão. As vezes, tenho saudade. Saudade de poder dormir e não ter hora para acordar. Mas sempre que eu termino um trabalho, me sinto melhor do que se estivesse dormindo.
Eu falo muito de sonhos. Eu só queria mesmo agora, era poder não sonhar.
Queria só poder ser.
Tuesday, January 13, 2009
Ninguém aprende sozinho. Ninguém sabe lá como os discursos possuem efeitos colaterais perigosos. E seria, deveras, fácil dizer que as intenções eram somente da boa vontade. Na forma como se cria a casca da cicatriz, só o machucado sabe como foi ferido. E as questões acumuladas, pressionadas, começam a escorrer para dentro das veias. É sangue em excesso pulsando o dissabor de um adeus. Quem disse que o inferno está cheio de boa vontade? Resta a dúvida. Resta o crescimento. Eu, tento parecer um pouco menos professoral. Devo dizer apenas que cuidar daquilo que me interessa é a prioridade. É, por que não, bíblico e tão experimental quanto temas atuais. O que pra mim nunca foi motivo de sabedoria, o relativismo foi e continua sendo a maior besteira do mundo, sem esquecer do fracasso do humanismo.
Sem delongas, não sobrou mais espaço. Não pela recorrência de fatos ou inverdades, mas porque as leis da física são maiores do que as minhas.
Se tiverem que existir dois corpos, no mesmo espaço, pelo menos um terá que sair.
Antes tarde do que nunca.
Wednesday, January 07, 2009
Sobre
Imaginamos que o oceano possa ser infinito. Imaginamos como seria passar férias na Groelândia. Imaginamos que carne de baleia deve, no mínimo, ser gordurosa. Imaginamos como seriam os nossos filhos.Imaginamos se aqueles que se foram primeiro, chegaram enfim ao tal paraíso.Imaginamos que seria a sensação de matar alguém.Imaginamos como seria o primeiro beijo.Imaginamos como seria a vida em outra época.Imaginamos como seria ser loiro, ruivo, ter olhos verdes ou azuis. Imaginamos que a nossa vida é um filme. Imaginamos que os amigos próximos iriam nos respeitar.Imaginamos que os amigos seria fiéis e que teriam caráter.Imaginamos como seria acordar sem preocupações.
A gente sempre imagina tudo do avesso. Como se fosse mágia, truque para criança. Na realidade, tudo é diferente. Aquelas pessoas que você mais acha que conhece, no fundo, são aquelas que vão te empurrar pelo abismo. Mundo afora, há que se ter cuidado. Isso poderia ser conselho para um possível filho. Nunca se esqueça. Confie sempre naquele que não sorri muito.
Alguns dizem, o sorriso do diabo é dos mais sedutores.