Sunday, March 30, 2008

Dirty

Houve um tempo em que eu me forçaria. Houve um tempo em que eu tentaria arrumar gavetas, escrever poemas e fazer loucuras na madrugada. Houve um tempo em que eu tentaria reatar a vontade com o acontecimento.
Esse tempo passou, acertou os ponteiros com outras coisas. Esse tempo correu para outros lados. Eu poderia supor e ter outras idéias. Mas houve um tempo em que me desgastei com tentativas, com força e com vontades que resultarão em outro tipo de matemática: a soma de egos.
Nos dias de hoje, outros tempos, outras cores, eu tentaria mesmo em saber se restou alguma coisa sua dentro de mim. Talvez um gosto, um jeito de me fazer estremecer, um gozo na memória, uma forma estranha de me fazer rir. Dentro de mim. Pode ainda restar um pouco de você como vestígio de passado querendo reviver o presente. São tempos. Tempos que não voltarão. Tempos que se transformaram em outros tempos.
E no seu tempo, será que ainda restou algo de mim dentro de você?

Wednesday, March 26, 2008

There is a moment

Uma linha que constrói lentamente todo o processo.
A linha se forma, lenta e as vezes de forma rápida e indolor. As vontades afloram, as situações se agravam e tudo é tragado direto ao vértice.
A tal linha. Maldita, bendita linha que se fortalece nos dias pesados, nos dias felizes, na cara virada ou na tentativa de elaborar uma palavra.
De onde vem essa linha? Vamos culpar os magos, os mágicos e, por que não, culpar os astros? Seria sonhador dizer que a linha vem por força oculta? Adoramos as auto-ajudas e ela nos é bem vinda. Tão bem vinda que ela traz a linha; o fio condutor.
A tal linha. Não seria ela uma linha que liga os fatos da vida, acontecimentos, vida mesmo? Talvez seja. Talvez seja os astros que vão nos influenciando, conduzindo aquilo que não está ao nosso alcance e por isso, deixamos que a linha venha e conduza.
E esses astros? O que seriam? Seriam eles o novelo? A linha? A própria vida..?

Saturday, March 22, 2008

Sophie´s Choice

Sonhei com algumas coisas. Sonhei com vontades e desejos que ficaram para trás. No meio do caminho, na vontade de vida e na pulsão de cores. Espalhei pelo quarto, na noite profunda, a escolha que me deu o sonho. Dois ou três passos para frente. Espalhei como líquido aquele sonho pelo quarto.
A escolha. Toda escolha que façamos, seja um simples ordenar de coisas, não importa; a escolha indica 2 caminhos. Lá na frente saberemos se a escolha foi correta. Eu, ainda pensando no sonho, fiz algumas escolhas. Dentre elas, apenas a escolha de parar de sonhar.
Você também fez uma escolha.
Espero que não se arrependa.

Sunday, March 16, 2008

Cause i believe in you

Começou a chover. Parece que o tempo, de fato, mudou. Mudou para outros tempos, outros lugares, novos ares e perfumes, outros perfumes. Está frio também. Isso me lembra outra época. Novas memórias. Mudar para aquilo que nos traz outros trilhos. Eu acredito em você.
A rosa que desabrochou essa semana, branca, grande e esperançosa. Algumas milhas longe de casa. O eterno retorno das coisas que almejamos. Não, não é luxuria.
É o mais puro tesão por aquilo que está por vir. O Antes e o Depois. Mas eu acredito em você. Acredito no supremo e nas forças da divindade. Sou cético, mas acredito em você e nas escolhas que fez. Quem dirá o contrário? Quem poderá saber quais foram os motivos? Pela dor, pelo amor, pelo passado que me persegue e pelo presente na palma da mão. Eu acredito em você. Acredito no meu amor, no sentimento latejante e no pulsar do meu sangue. Os amigos que restaram, fome, sede, os amigos que foram e a saudade.
Eu acredito em você;

Tuesday, March 04, 2008

Today

Hoje eu acordei achando que o mundo estivesse parado:
carros enfileirados, quentes e impacientes. o céu limpo sem nuvens e sem cor de chuva. alguns estilhaços no chão, o celular sem sinal e a vida meio parada. aos poucos o que era feito, foi intensificado pelo sol que batia forte, como se as sombras não mais existissem para dar lugar à realidade pouco mágica.
Hoje eu acordei achando que o mundo ia explodir:
os corpos empilhados. o calor queimando a carne exposta que em minutos havia se tornado alimento de inseto. os carros virados e a fumaça ultrapassando o limite do céu e da visão, formando grandes nuvens de desespero. Hoje, por hoje, a vida parecia ter parado. Meu coração, havia parado na mesma esquina por onde passei tantas vezes sem te ver.
Hoje eu acordei achando que o mundo havia se transformado:
parecia sonho quando eu beijava você na rua. quando por segundos eu encontrei no seu corpo, o meu corpo. no calor que não nos atingia, aquilo parecia o real. o real que não se manifesta fora do corpo, fora da nossa saliva, fora dos olhos perplexos por tudo o que se sente, por dentro e por fora. Eu, que esperei o sonho, virei realidade do lúdico. Eu e você, por instantes, ali, naquela esquina.
Hoje eu acordei achando que o sonho não era sonho:
tive apenas um sonho. do caos à vida. apenas um sonho.

Tuesday, February 26, 2008

For Maria

Sabe Maria aquele velha vontade de mochila? Estranho como é esse vaivém de sensação...eu, por vezes, sinto isso. É quando as coisas andam em linhas tortas ou quando a maçaneta da porta emperrou, sem motivo aparente. Eu pensei e re-pensei. Tudo o que se foi, onde foram parar os planetas e as estrelas-do-mar. E conclusões vieram sem dar nenhuma explicação. Por que é mesmo que o passado tem que ser tão amigo da memória? Não podemos ter um passado só daquilo que foi?
Sabe Maria tantas as vezes que conversamos sobre o fim das coisas? Eu hoje pensei sobre o fim das coisas. Sobre o medo de perder, perder o pouco que restou, sem saber exatamente o que é esse pouco. Meus braços são longos demais, por isso eu os deixo alcançar lugares onde não se deveria alcançar. E eu parei de comer a beirada dos dedos por puro prazer de ver minhas mãos em estado de perfeição. Outro dia, jogaram fumaça de nicotina nelas. Tudo, sem razão de ser. Essas coisas que tanto pensamos, por longas horas e longos dias, hoje e ontem começaram a seguir o caminho. Será que tudo tem que ser marcado pelo ponteiro?
Sabe Maria hoje é data de aniversário. Não, não do seu. Aniversário. Só o aniversário. Ela era pisciana, como tantos são. Diferente, porque era minha. E hoje é aniversário. Hoje, dia quente de semi verão, eu tentei usar uma roupa diferente, mais bonita; ao invés disso, sai andando como se estivesse nu, sem saber para onde ir ou como ir. Faz falta. Quando eu penso que estou sem a corda para jogar na outra margem do rio, penso em você. Me esgotaram as vontades. Será que fui vencido? Será que venceram-me? Sempre pensei que em um jogo, o jogador nunca é a peça que move, mas a que fica parada. Hoje, não sei mais como me mover no tabuleiro. Preto e branco são apenas cores neutras. Uma de ausência e a outra, infinita. Será que ao invés de ir para a direita, acabei confundindo tudo dentro de um cubo; idas e vindas. Hoje é aniversário. Eu tenho te visto pouco. Eu tenho ouvido pouco a sua voz.
Sabe Maria, você tem o mesmo nome dela. Você exerce o mesmo poder de me pôr no lugar.
Sabe Maria, hoje é aniversário dela, da Maria.

Sunday, February 24, 2008

My favorite addiction

As evidências não enganam. Aquela estranha dor no peito, a vontade de correr, o sonho quase perfeito se não fosse pelo despertar, a soma de medos e vontades; aquilo que dá alegria, mesmo não sendo feliz. Sinais de que algo está estranho. A força de se arrumar, de entrar pela porta aberta e deixá-la aberta. Sem freio, sem vontade de parar. Os sinais e as evidências.
A dor de que algo possa acabar. A dor de que algo possa começar. Do início ao fim. Aquele meio perdido entre correrias e vontades que terminaram num grave acidente. Feridos, recuperados e cicatrizes. As evidência, não, não enganam. Sabotamos a vontade, escondemos o olhar - e o movimento de suas direções, e antes mesmo que possamos perceber algo nos empurra bruscamente para outro lado. E reiventar uma história, escrevê-la como achamos que ela deva ser contada, isso, isso sim evidência de que algo atingiu graves consequências. É o vício, a droga mesmo que percorre o sangue e o corpo. O vício. Esse, é o meu vício favorito.
Quem pode me culpar por entregar flores e remeter cartas sem destino? Quem pode me culpar por querer a droga como organismo físiológico? Sim, deixa essa droga em mim. Antes ela, do que sem ela.

Thursday, January 31, 2008

Dearest

'Dearest, I feel certain I am going mad again. And I shan't recover this time. Das fontes obscuras em que retive verdadeiras sensações de prazer e dor. Naquele armário secreto, repleto de entulhos, passado e presente se completam como um círculo do qual jamais saímos. Escondido nos escombros da verdadeira máquina de sonhos, ali jaz o real.sim, o real; este que escondemos atrás dos olhos, na penumbra de saber por si só. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness Escolher o real escondê-lo como arma secreta, esse é o truque dos mestres do disfarce. You have been in every way all that anyone could be.E ouço ainda mais perto a voz de Cortázar dizendo que o real é apenas fantasia da mentira. Ouço ainda muitos outros e outras dizendo que o caminho certo é saber pontuar as frases. Sentenças, que podem ser igualmente a escolhe da vida, a opção de viver e sentir. Mas o que é mesmo que eu estava querendo dizer? Cortázar, sempre capcioso, roga para que eu discurse sobre o mundo em que vivo, pois ele me atormenta nas noites de insônia. O escorpião encurralado entre as labaredas do fogo céltico. Mas é da realidade que vive a fantasia. Sem ela, o que seria da manifestação onírica se viver aquilo que não se vive. Respostas infundadas; esse é o sonho. . I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer.Esse é o caminho do desespero.
O que seria da fantasia sem o real? E por longos períodos, Virginia revelou-me a dura verdade.
I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Ainda me disse que por muito tempo ainda, restaremos no tabuleiro, como peças de um grande jogo: o jogo que é viver. Jogos da amarelinha, jogos de sedução e todos postos no tabuleiro do real.
Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.
I don't think two people could have been happier than we have been.

V.'

Sunday, December 02, 2007

No one

O ano que começou lento, termina rápido. Aqui, registros, declarações, amantes inventados. Tudo que foi perene. Antes e depois de tudo que começou. Pela estrada a fora. Tudo o que poderia ter sido e não e o que foi e não deveria ter sido. Ainda restaram alguns minutos preso em alguns instantes, mas isso é poesia de outra ordem. Hoje, ficou aquela antiga vontade, mais forte do que nunca de ir embora. De me afastar. E mesmo ouvindo aquela frase, tu não te moves de ti, eu ainda sinto que a partida, enfim, chegará. Para quem lutou e perdeu. Quantas vezes podemos nos recuperar de um tombo? E quanto mais poderia bater o meu coração? Amar, tornou-se o fardo dos fardos. Algo como o costume em perder. Só um registro mal desenhado, meu e daquele que amo.
Demorei, talvez, mais de um ano, ou 23 anos, para descobrir o que é realmente o amor. Enfim, chegar esse sentimento. E quando descobri, terminei comigo mesmo. Por onde olho. Minhas paisagens, todos aqueles que beijei, que dormi, que me aproximei. Ninguém conseguiu realizar tanto quanto você fez, em tão pouco tempo, dentro de mim. Encontrar uma parte, um fragmento de quem somos. O amor que nos deixa altruístas. O amor que me fez querer ser melhor e largar velhos hábitos. O amor que nasceu precoce. O amor que me engrandeceu e me fez tremer. Mas é o mesmo amor que fez com que eu chorasse. Por vezes de felicidade. Por vezes, de tristeza. Aqui, só um registro. Escrevi pouco dele, pouco do amor, pouco de mim e do passado.
Mas deixo aqui, o registro desse blog que me acompanhou. Ele ficará aqui, mas sem a minha mão. Só, como um dia ele começou. Deixo às canções tudo o que fiz.
Me despeço já com saudade. Enfim, foi uma cria.
Deixo aqui, meus pequenos registros. Deixo aqui,
um pouco de mim.

Saturday, December 01, 2007

Declare, a little thing called

Quantas palavras em um único momento podem se formar. Em um único momento, em pequenos, longos, instantes. Do sonho, do dia, do cotidiano. Tudo vai se formando com símbolo, signos, matéria próxima do real, misturados à paisagens idílicas. Tudo como deveria ser. As páginas que eu viro acumulam-se dentro dos pensamentos mais doces, como se os instantes pudessem ser duráveis, ou mesmo, não ter duração alguma. E um signo se forma, a partir de um pedaço do corpo, de uma sensação. Metafísico. Eu seleciono a imagem e formo a palavra. Para a boca, os olhos. Minhas partes favoritas. Invento um nome. Um nome que represente. Um nome que seja fiel àquilo. Tudo o que eu posso dar, são as minhas palavras. Isso tudo é um momento. Que mais poderia ser?
Quantas palavras se formam dentro desse único, peculiar, momento. Apenas três, três curtas palavras. Talvez já saiba. Talvez eu saiba.

Wednesday, November 28, 2007

Se é verão...

Ligo o rádio. Uma estranha, porém familiar, música está tocando. E será mesmo que deveria estar assim tão quente? Certos sons, aqueles mesmos que remetem a tantas coisas, são como fotografias. Talvez sejam mesmo as fotografias capazes de captar não só momentos, mas verdadeiras alegrias. Eu tenho essas fotos.

Entre as fotos, o sono, o derradeiro prazer de saber, sentir, ver. Um dia frio e outro quente. Há quanto tempo sem ter o que escrever e por isso saio por ai falando do tempo. Pouco interessa o tempo, as nuvens, as chuvas e até mesmo o frio. Se é verão, que faça calor. Cada coisa tem seu lugar de ser e existir. Se existe é porque deve ser.

Friday, November 23, 2007

Close your eyes

Tudo pode ter um truque. Talvez eu tenha vários. Como mágica, como um mágico. Eu sei que, por exemplo, água e detergente podem fazer bolhas de sabão. Sem mais nem menos. Elas podem e voam, mas estouram ao atingir certa altura. Deve ser algo relacionado com a química do detergente e da água. Mas são apenas bolhas de sabão. Às vezes podemos fazê-las, outras não. Sempre que precisar: um copo com água, detergente e um canudinho. Simples.

Sem as bolhas, tudo pode ter ou ser um truque. Ilusão de ótica. Maestria de quem sabe tirar coelhos da cartola. Sem cartola. Sem vontade. Serrar pessoas ao meio. É o mundo da magia. Ótica. Truques na manga. Em espera. Hold on. Plug play. Eu sei exatamente onde posso ir. Foi, talvez, fantasias. Mais do que eu imaginei ter. Tudo pode ser um truque.
Desvendar uma magia. Ela só vale enquanto dura, porque ela é mágica. E não outra coisa. Ela é fantasia enquanto dura. Só. Um truque.
Talvez dois.

Thursday, November 22, 2007

Esses sonhos, plantados à força, os sonhos intermináveis. Senti-los como melodia, como sinfonia orquestrada a sete ou oito cordas. Esses sonhos. Como abrir um livro pela primeira vez. O espanto das palavras. Das frases. Dos sentidos. Pela primeira vez. Erguer-se do sonho, esses valores que prezamos por tantos anos. Por fim a tudo, recomeçar. Andar meio metro e ainda saber que faltam quilômetros. Eu espero por sonhos. Estou tentando não tê-los, como os tive avidamente. E mesmo quando tudo desaba, ainda podemos criá-los, um a um.

Meu sonho, meu estar, pesar, sentir tudo dessa forma. De intensidade em intensidade. Esses tais sonhos.

Wednesday, November 21, 2007

Default

Sentir-se na derrota. Na parte mais baixa. Onde fica mesmo aquilo, a coisa, aquilo que nos prometeram?
E eu preocupando-me com os outros, acabei esquecendo de mim. Deixei escapar as construções, frágeis. Eu pensando no amanhã, quando era tempo do agora. Sem mais, nem menos. Às pressas, agarrando as paredes, sangrando os dedos de tanto lutar. A luta, a resistência, a batalha que travei, em vão, as barreiras. Para onde foi? Ainda resta um pouco mais. Talvez mais do que eu saiba. As construções, como as fiz, todas frágeis e pouco, pouco, pensadas. A vontade de chorar. Será que isso faz parte do novo? O novo, pelo novo. Pela estrada, pelo caminho que agora novamente me libertou. Me lembro das travessuras de criança e como era, ou parecia, tudo mais fácil. Entre as pedrinhas, a corda, as rodas da bicicleta. Como éramos crianças. Quando éramos apenas o que escolhíamos ser. E tudo seguiu. Foi indo. Os pés cresceram, o corpo mudou e a voz parecia ter amadurecido. Será que era para ser tudo assim?
Acabei esquecendo de prestar atenção nos adultos. Coisa de criança. Perder não é tarefa para qualquer um. Perder, ou ter perdas. E quando parecia que havia apenas uma, tive duas, três ou mais. Quem disse que seria fácil? Ou dissemos a nós mesmos? Quem disse que contos de fada realmente existem? Parei por um momento. Entre as forças que me deram. As poucas que consegui juntar. E realizar, construir, fazer acontecer a vida estando sozinho é difícil. Inexplicável.
Como é a sensação de olhar para a porta do quarto e não ter ninguém. Ter apenas as lembranças, os fantasmas do passado, a força dos olhares. Mas é apenas o começo. O começo para que eu um dia observe melhor os adultos e, sozinho, talvez, tenha mais crédito pelo que eu conseguir.
Momentos que podem passar. Rápidos ou lentos. Estou à espera. Vontades.
Que mais?

Monday, November 19, 2007

A new thing

O mundo pode se transformar. Se há na própria vida um tal crescimento, resta-nos o poder de mudar. Sentir tudo como se fosse a primeira vez. Vez essa de mudar. Aquilo que não serve e lembrar quem realmente somos. Eu passei mais de um ano entre o "quem sou" e o "quem serei". Foi a abertura de um palco, para palmas, risadas e vaias. E eu esperei tão pouco de tudo. Mas ser maior do que se é, pode ser dificil. Enfim, complicado, como sempre foi.
Mas há o fator do novo. Quem disse que eu sou assim? Hoje me veio, aquelas pequenas, curtas e sinceras frases. Foi como se eu realmente tivesse estendido a mão e, sem perceber, você segurou e me disse tudo aquilo que eu esperei mais de um ano para ouvir. E, talvez, como o relógio já nos enganou, eu conseguir me ver. Ver tudo aquilo que só você enxerga. E cá estou, devendo muito para quem eu sou. Devendo às pessoas que eu amo e que deixei para trás. Vou carregar ainda alguns bons tapas que levei. Aquilo tudo que eu ouvi sem querer e que me magoaram. Mas você, simples como sempre foi, conseguiu me tirar desse lugar que eu estive por muito tempo. E ninguém mais poderia fazer. Só você. "E desde quando você se importa com o que os outros dizem?"
Mudar, instaurar o novo, a vontade de ser. Largar tudo aquilo. Ser, voltar a ser, estar sendo e ter sido. Acho que é uma promessa. Essa a de mudar. E de repente tudo passa a ter um sentido outro. Os livros de filosofia na estante. Os poucos textos que escrevi. Eu escolhi bem. As palavras que sei usar.
Uso-as para mim.
Deixo que o resto, diga por si só.

Tuesday, November 13, 2007

Os livros permaneciam empilhados na estante. Um sobre o outro. Algumas fotos esquecidas mediavam o pequeno espaço entre eles. Aquele lugar era segredo. Ocultava os mistérios dos momentos em que Julia sentava na cama, abria a primeira página e lia com gozo infantil o primeiro parágrafo. Um sobre o outro, os livros pareciam querer contar a vida como se eles fossem feitos de um presente, tomados pelas recordações assentadas entre as capas e as páginas. Há tempos que estavam ali naquela estante torta de madeira barata e sem cor. Alguns com as bordas rasgadas, outros em estado de emergência, mas empilhados uns sobre os outros. Os marca textos queriam poder ter chegado ao final, mas ficaram parados naquele tempo da preguiça em terminar o primeiro parágrafo; outros, afortunados, ultrapassaram a página vinte ou trinta, na melhor das hipóteses. Ali naquele espaço de tempos, todos guardavam em si um segredo e uma vontade. Pareciam ter vida. Em alguns, Julia deixava um registro a lápis, quase como se fosse uma borda para a primeira página. Eram rabiscos, desenhos tolos e pequenos poemas. Em casos raros, circulava palavras que lhe interessavam como “falácia”, “promontório”, “amor”. Mas estavam ali, obscuros, empilhados uns sobre os outros. Julia passava as mãos lentamente por eles na tentativa de senti-los respirar. Esquecia-se de ordena-los por título, autor, ano de publicação e assim deixava apenas uma ordem de chegada. Na compra de um novo título, corria a colocar o exemplar em último lugar, pois assim sabia que não haveria a obrigação de ler ou catalogar. O pó seco que vinha pela janela alojava-se como um inquilino vitalício e o sol raras vezes alcançava a estante. O tempo corria sem sentido naquele lugar de assombrações. Um a um os livros permaneciam empilhados na estante, entre as recordações e o passado. Presos no espaço.

Saturday, November 03, 2007

O Passado

Naquilo que fica na estante, entre o que foi, o que é e o que sempre será. A vida, como caminhos, como escolhas de um deserto infindo de possibilidades de montagens, colagens, paisagens e tudo o que se quiser plantar. A colheita daquilo que somos. Entre todas as fotos que mesmo jogadas ao chão, recortadas e amassadas permancessem no coração, no sangue quente e nos olhos lacrimejantes.
As lembranças que permeiam o coração, sempre selvagem, daquiles que amaram, foram amados e serão sempre amáveis. Eis a recordação. Somos o que amamos. Talvez não. Talvez seja apenas o romance medieval que é-nos corpo, matéria viva da carne, cindida, perdida na busca do irreal, do que sabemos palpável que é o amor. A loucura de ter tido e não mais ter aquilo que tanto se buscou como tesouro perdido. E no fundo, quem nos restará para dizer que o amor, o antigo amor, será o supremo momento de se ter vivido?
Será sempre, como sentimento único, raro e doloroso, momentos de felicidades, de apreensão e sabemos, ao amar, que viver pode ser uma dupla. O sentimento que nasce e é irreconhecível, como mistério, alquímia do corpo, tudo o que fica entre o livro perdido, a foto rasgada, as lágrimas e os risos. Um dia se foi. Outro dia novamente será. Será, seremos, serão. Verbos de muitas declinações. À espera de se ter um outro na cama. Mas O Passada rege o que será o futuro. O passado será a lembrança para aquilo que se espera ser/ter/amar/viver.
Os filhos no jardim e loucura de se reencontrar um grande amor. O primeiro amor de muitos, será, futuro, amor de outros. E ficamos assim, no meio, na história com começo, mas sem fim. Como somos; a vida que separa, leva, traz, mata e acaricia o desejo e o despertar de muitos, muitos sonhos em vão.
Naquilo que fica na estante, há o sonho. O amor.
O passado.

The Assassin watch

Eu jamais serei óbvio. Tudo o que eu não digo, o que eu digo e gostaria de dizer. Pouco óbvio. Envolve em mistério, as palavras que seriam tão simples. Seja esse um problema de expressão. Não saber se expressar. Ou seja esse um puro artifício da retórica.
Mas é isso. Uma simples defesa da fala. Porque no fundo eu sei o resultado que virá de muitas situações. Como quando sonho repetidas vezes a mesma coisa. Como hoje. Mas na vida, têm disso. O tempo pode ser cíclico, sempre. Vai e volta. Os mesmos erros como se estivessem jogadas no mar. A onda leva e traz, sucessivamente. O relógio assassinado na parede não nos permite contar o tempo nem o mundo. Ele é o que é. Sem mais nem menos. É só mais uma vez.

Thursday, November 01, 2007

It´s Just the Price I Pay for it

Hoje é o dia de dizer “parabéns”, “feliz aniversário”, “muitas felicidades”. Eu disse.
A comemoração por 26 anos de vida. Contar, como se fossem ponteiros, os anos que nos separam do ventre e nos coloca entre o útero e a morte. Ao meio, partidos, cindidos, permeado de sonho. O que se formou dentro de 26 anos no espírito, no corpo, no discurso que foi se criou por meio de lágrimas, risos, vozes, tudo o que eu vi, ouvi, deixei de ver, deixei de ouvir, amei, deixei de amar, ganhei, perdi.
Tudo aquilo que se formou dentro de mim. Tudo aquilo que sou, que poderei ser e que um dia deixei de ser. “Feliz aniversário”. É o dia de retrospectivas, de abraços e apertos de mão, beijos e de anseios. Como se eu tivesse o dever, nos próximos 12 meses, de fazer o melhor, dar o melhor e ser o melhor. A cobrança que vem sei lá de onde. Talvez sejam os olhos Dela em cima de mim. A falência de uma paternidade. O horror. Enfim. Dia feliz. Vamos celebrar. Em um ano, me deram tudo o que eu não quis ver ou aprender. Como uma bomba. Jogaram-me a vida. Aprendi, meio tropeçando, pouco daquilo tudo. Ainda há, assumo, estilhaços espalhados por todos os lados. Estilhaços de erros e acertos. Por cima da cama, pelos cantos do quarto, entre os livros, na musica, nos quadros e nas roupas. Ainda resta um pouco daquilo que um dia eu fui e que jamais serei. Depois de dois lutos, duas perdas, alguns ganhos, tapas na cara, tombos, porradas, machucados, dei e distribuí muitos risos, alegrias e algumas lágrimas. Seguir em frente. Tenho mais 12 meses. 12 sonhos, 12 vontades, 12 manias e 12 erros. Tenho mais uns 26 anos para ser o que sonhei ser. A vontade dos outros. Que se foda a vontade dos outros. Fodá-se. Toca pra frente. Segue em diante. Sempre de cabeça erguida. Pedante mesmo. Como sempre fui.
Tenho hoje no meu coração, muitos outros. As pessoas que me ergueram. As pessoas que me deram força, ensinamentos, risos, tristezas. Todas aqui dentro reunidas. Esse ano, esse ano descobri algumas pessoas. Algumas partes de mim que estavam espalhadas pelo mundo. Tão perto e tão longe. Essas pessoas, umas nem sabem, mas são importantes na minha vida. São 26 motivos para contar. 26 vezes que eu precisei. 26 vezes que me fizeram rir. Queria colocar o nome de todos aqui. Não vai caber. Mas eu queria dar às palavras do meu texto nome de vocês. 26 vezes multiplicadas por mais 26. Esse ano. O ano em que descobri muito do que eu precisava. Caçador de tesouros. Caçador de vontades.
Enfim. Tem muito ainda do ano em mim. Fodam-se os estilhaços. O peso: mais 12 meses.

Tuesday, October 30, 2007

Big City - Rio de Janeiro Parte II


As saudades remanescentes daquilo que foi. Vontade de passear, dia-a-dia, pelas calçadas famosas e ter um pouco da paisagem dentro dos olhos. Um pouco mais da água esverdeada escorrendo na pele e o suor, típico do calor sedutor, um pouco mais pelo corpo. Ainda com a beleza do sotaque, o jeito despojado de falar, os "r"´s arrastados, quase lânguidos. Ali, naquela cidade, por três curtos-longos dias. O cuidado para não se deixar levar. Ondas, muitas ondas. Das vozes que vieram de fora para fazer bater mais forte seis nobres corações. Da cerveja gelada ao porre; queimar a largada no início da noite, porém feliz.

Da discussão, às pequenas faíscas, aquecidas ao som de guitarras, garoa fina e muito, muito calor. O que a cidade provocou em cada um será, para sempre, um segredo pequenino. Aos sonhos de cada um, seja qual for, desde a vontade de permanência ao eterno retorno, cada um terá um pedacinho do Rio dentro de si.

Ainda em estado de euforia pelo acolhimento, de braços abertos, deixamos o lado paulista aqui mesmo para embarcarmos na aventura de desmistificar um lugar, pessoas para ter então um novo olhar. Talvez um olhar como o daqueles que lá vivem. Por três dias deixamos a cor branca da pele, as manias de shopping para adentrar em um universo do "bem viver". Praia, sol-show-cerveja-sunga-biquíni-riso. Os sonhos, tudo o que seria só memória, pode ainda viver, feliz, em nossas conversas.

Um pouco mais apaixonado, um pouco mais de esperança, lembrança daqueles que nos encantaram, saudade e qualquer coisa que o valha.

Talvez um pouco mais do que gostaria. Ao Rio.


Para matar a saudade, Mr Brighside - The Killers


I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can't look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside
I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I'm falling asleep
And she's calling a cab
While he's having a smoke
And she's taking a drag
Now they're going to bed
And my stomach is sick
And it's all in my head
But she's touching his chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
'Cause I just can't look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Turning through sick lullabies
Choking on your alibis
But it's just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
'Cause I'm Mr Brightside
I never...
I never...
I never...
I never...