Saturday, July 05, 2008

Marlboro

Deve ser sentimento da abstinência.

A ruína de toda paciência, do virtuosismo pacifico, da realidade tal como ela é. E nem sei ao certo se crueldade vem de cru; o cru daquilo que esta por fora. Chega daquela comoção bestial.

Deve ser sentimento do confinamento.

Quando pelas histórias carinhosas, torcemos pela bruxa, pela maldade do meio para o final. Chega a ser dolorido, deveras dolorido, a profanação das tais histórias de amor. Nascemos assim, da mesma forma que morrermos, aprendemos. Hoje, escrotos, amanhã lovers. Tem tanta coisa na agonia, no êxtase, na anti-realidade que tanto nos atrai como um vórtice, como o centro de tudo. Larga-se o inalador, o cigarro e os remédios cuidadosamente colocados ao lado da cama. Volta a estaca zero. Manda tudo à merda. Que o inferno desça em grandes escalas, como lava, como fogo liquido e nos queime. Como disse, a decepção. Somos feitos de decepção e mágoa. A bruxa venceu afinal. As princesas estão ainda em busca de muito. Eu acordei, levantei, e parei de acreditar que serei de príncipe, sendo bruxa, sendo madrasta, jamais serei de príncipe ou príncipe.

Mas isso tudo porque a realidade é outra. Menos colorida, menos leve, mais densa e árdua. Para tudo, são muitos pesos e poucas medidas. É tudo rígido e regulamentado aqui. Deve ser assim. É instinto de sobrevivência de quem já caçou, já foi caca, abatido, sangrado e posto de volta ao jogo. É instinto. Perdoe-me se pareço cético ou cínico. Nenhuma esperança é morta do dia para a noite. É preciso muita paulada, muita astúcia e argumento.

Deve ser sentimento de abstinência.

Friday, July 04, 2008

Acontece nos tempos de muita chuva. Os marinheiros do silêncio.

Pela água, pela corrente fina, vêm perseguindo o som agudo e pequeno dos pulmões. Perseguem cada pedaço do corpo, dos ouvidos, a respiração lenta e fatídica. Por que não me espera a noite sentar e aproveitar alguns minutos de pensamento? Os marinheiros do silêncio, armados de trompetes e buzinas alertam para um estado de calamidade pública, um certo ar de enchentes. Na rua, peço um algodão doce, cubro a boca com a mão. Aos poucos, vou afundando até ficar com os olhos para fora da água; o resto do corpo mergulhado na água escura, gelada e misteriosa. Vou afundando, esperando uma besta marítima qualquer me devorar as pernas, o tronco e toda a porcaria.

Há dois instantes. Eu tento agarrar o vazio. A matéria. Eu tento assoprar um cata-vento como criança colorida. Eu tento fazer o tudoir à direção contrária só para deixar seu rosto livre de falsas correntes. Existem, pelo menos, duas ou três gotas de agua por dentro e fora. Eu, dentro, afogando-me em desespero e idéias semiconscientes de loucura e pseudopaixões. Não digo nunca a que vim. Desperto certos sentimentos inócuos e pouco obstinados que, breves, são seguidos pela sensação indiferente e asquerosa do temor.


Acontece sempre nos tempos de muita chuva. Os marinheiros do silencio a resgatar-me em nuvens roxeadas, pouco cinzas. Como faço há tempos, tenho impressões de dias chuvosos guardadas na memória e as uso sempre que posso. Sou tragado pelo feliz, pelo mordaz e pela ferocidade com a qual meu corpo sente tudo e dissolve tudo em forma de vento colorido.

Acontece nos tempos de muita chuva. Os olhos encharcados de honestidade. O meu olhar de encontro com uma guerra futura.
Vem do fundo do mar para lembrar que é no silencio, na mudez e na falta do que falar que podemos
enfim
dizer:

Tuesday, July 01, 2008

Marlon Brando

Foi apenas um instante. Talvez tenha durado mais do que hoje consigo recordar. Foi um ano estranho. Tudo parecia ter se erguido num falso jogo de vaivém. Os beijos eram insípidos, o sexo em grandes espaços de tempo. Eu ouvia Fiona Apple e tentava escrever sobre as coisas da vida. Eu estava sozinho. Sozinho diante de tanta coisa que ia e vinha, sem que eu pudesse notá-las. Eu escrevia poemas naquela época.

Foi apenas um instante. A transformação filosófica do mundo, das artes, e no geral eu acabei me reiventando. Comprei acessórios, mudei o guarda-roupa e comecei a usar Herchcovitch. Joguei o Adidas fora e comprei três pares de All Star. Troquei a Fiona pelo novo rock sueco, pelo eletrônico e pelo British Pop. Raspei o cabelo e aposentei a poesia. Foi um ano estranho. Me apaixonei por diferentes perfis. Todos errados. As paixões inócuas, tão companheiras. Foi fácil passar aquele ano. Troquei o All Star e mudei para outro estilo.

Foi apenas um instante. Troquei as caveiras e passei a usar T-shirt Hering. Joguei fora as sandálias. Só óculos escuro Ray-Ban. Mas ainda lia Nietzsche, Foucault e Aristóteles. Sempre na bolsa, tratados de literatura, poesia e pintura. Eu hoje, gosto de origami. Eu ouço música romena e nunca mais assisti filme nacional. Foi um instante naquele ano em que tudo pareceu mudar. Passei a recusar arte renascentista, para apreciar arte contemporânea de Tim Eitel e Cecily Brown. Foram muitas informações que acabei deixando de lado, como o meu diário e o gosto por cinema americano. Eu li e reli alguns livros e vendi o resto num sebo de Pinheiros. Comprei um I-pod e dei meu discman para meu irmão. Eu ainda ouço, naqueles mesmos fones brancos outras músicas. Foi apenas um instante. Será que eu mudei ou tudo, subitamente, se transformou? Eu ainda sou adorador do Marlon Brando e continuo com a certeza de que não existirá outro homem como ele, assim como ninguém nunca mais terá o mesmo olhar de Bette Davis. Mas eu troquei a Noviça Rebelde por Kubrick e hoje aprecio David Lynch a John Ford.

Naquele ano eu pensei que o amor podia ser uma fonte de inspiração. Tornei-me o pior. Fiz de mim, uma sombra e foi quando eu descobri que se era daquele jeito, não era o tal amor. Foi um instante. Aquele ano em que tudo acabou. O que sobrou foi, talvez, uma ou duas fotos.
Eu ainda raspo o cabelo. Não da mesma forma. Raspo dos lados com máquina dois e deixo maior em cima com a três. Eu sou uma soma de tudo o que aconteceu naquele ano. Acabei subtraindo tantas pessoas, gostos, vontades. E hoje tornei-me exatamente aquilo que eu queria ser, sem mais nem menos. Fui somado a tudo, a todos, e resultei nisso: um resumo daquele ano. Eu ainda vou continuar com o meu All Star, ouvindo certas músicas e com saudade de um tempo outro, com outras pessoas, mas hoje quem ficou, quem eu sou, o que sobrou é o que será de mim.

E tem uma letra do Phoenix que eu adoro que diz “guess I couldn't live without the things that made my life what it is.”

Monday, June 30, 2008

My buzzer goes

Um peso para o corpo, uma medida para o copo, um certo ar de quem sabe o que faz. O descanso necessário a partir de uma outra vontade maior. A vontade de simplicidade, de leveza, de tudo aquilo que me traz e dá esse sentido. A leveza e a simplicidade. Seja para o sorriso, para uma cor, um dia de chuva, uma espera no ponto de ônibus, o beijo quente, o primeiro cigarro do maço. Uma simplicidade multiplicada e replicada para todas as instâncias. Um peso para o corpo, um peso outro.
E será mesmo que tudo deve ser simples? Simples como um carinho, um vento, um espírito quebrado. Ah, mas as coisas podem ser somente leves, planando no alto do céu. São momentos. Viver de momentos. Alegrias, martírios, funerais, esperanças. Enterrar alguém é difícil. Por isso, devemos viver na simplicidade de tudo aquilo que é honesto, infantil e leve. Em tudo.


...

Friday, June 27, 2008

One more shot


Ontem eu disse: não consigo escrever. Não consigo alinhar idéias com palavras, com as linhas inócuas, com a vontade de transcrever um pouco de tudo.


Thursday, June 26, 2008

Fire and works

Eu escondo razões e motivos aparentes. Uso como desculpo o virtuoso caminho da facilidade do engano. Toda aquela comoção pelo sopro de vento, pelo levar e trazer. Um ritmo estranho, nada aparente. Eu escondo e facilito as vias do engano. O vôo secreto de uma águia já abatida.
Escondo os tiros, as faces ocultas e devoradoras de realidade e, em troca, devolvo tudo aquilo que sou transformado em pó. Pó estelar, talvez. Carrego nas costas um mundo de irrealidades e livros usados. Eu escondo razões para não ser ser feliz pelos olhos. Por vezes, deixo cair os ombros, tamanho é o peso de todas as escolhas reunidas num único saco natalino. Nada parece importar. As batidas do coração fortes, o pulsar gigantesco de uma fome voraz e a ansiedade, toda a ansiedade de um estado quase mágico.
Mato e escondo as possibilidades. Escondo no sorriso e na voz doce. Dou ao demônio um beijo na testa, traindo os céus, anjos e toda a porcaria reluzente. Sim, dou um beijo no demônio e ele me agradece com suaves toques e tapinhas nas costas. Sim, eu troco o fogo e o calor pelo frio e gélido ar das noites. Troco tudo. Durmo sem roupa para sentir frio e esquecer de tudo o que se passa ao redor do meu corpo. Esqueço tudo. Escondo tudo. Escondo num armário, num baú e embaixo da cama.
Transbordando, transbordado, os instantes e semelhanças se dissolvem na água do banho e estouram como bolhas de sabão. O virtuoso caminho do mais fácil.
Eu escondo, escondo o demônio atrás de mim.
E ele adora quando, suavemente, eu beijo sua testa.

Tuesday, June 24, 2008

Be extraordinary

Milhões de motivos. Todos sabem o quanto aqui repito a palavra "saudade" em suas variadas formas. Não é segredo o quanto certos pontos me tocam. São milhões de razões. Motivos fundados e intocáveis que me fazem acreditar ter saudade do que foi bom.
Não é segredo.
E essa saudade vem sempre acompanhada de um gole seco de entender, desmentir e desmistificar a própria realidade. Não quero ser demagogo com o passado e muito menos discorrer sobre as vicissitudes da vida, destino etc etc etc. São milhões de motivos para celebrar o calor do meu espírito quando todas as coisas das quais já falei me causam saudade. Saudade de tempo, de amor, de paixão, saudade de sexo, experimentação, saudade literária, musical, visual. É porque todas essas coisas me fizeram num sentido outro. Transformaram todo o universo, juntando estrelas e astros ao redor de uma planeta desconhecido que, aos poucos, foi tornando-se universo. Eu sou paralelo. Pareço que não, mas sou. Avesso ao vazio, ao anti-romantismo, à exacerbação do paraíso e mesmo do inferno. Não é segredo o quanto estou trancafiado. Milhões de chaves que se somaram no fechar. É como um cubo, eu diria. Um cubo mestre, cheio de espetáculos, lados obscuros de decepções, lados de pura alegria, os lados saudosos, os lados fantasiosos etc.
Não é segredo.
Não é segredo que desejo uma planta de casa desenhada no chão com velas, no topo de uma colina. Esse desejo de poder quebrar as minhas próprias barreiras, destrancar as portas e deixar entrar. Como uma casa, como o mar acolhe as estrelas, como o universo que deixa estar as estrelas e os astros.
Não é segredo do amanhã. Tudo, o passado, o presente a vida em si. Meu chão de estrelas e passados.
Não é segredo que amanhã eu posso tornar-me apenas uma poeira cósmica. Não é segredo.

Monday, June 23, 2008

Let´s call it off

Por dentro e fora, nas beiradas e nos cantos escondidos. Pelo centro de cada coisa, pelo sentido de tudo isso. Dentro e fora. Amanhã, como hoje, será um pouco diferente. Sem manias, sem peso, sem bigornas e estopins. Somente as plumas, a leveza do mar e o amanhecer sempre adiantado.
Por dentro e fora, na ponta dos pés, no olho inchado e no calor. Por dentro e fora. Pela esquerda e pela direita. Onde fomos parar? No riso coincidente, nas memórias literárias. Talvez seja um dos lugares para estarmos ontem e hoje. Nas minhas costas, aquele consolo de que tudo é passageiro, efêmero. O consolo de ainda vamos ter esse sentimento, dia após dia.
Ontem e hoje. Espreitamos em locais proibidos. Silenciei a razão, dei lugar a outra forma de esquecer a vida e celebrar uma pseudo-notoriedade dentro dos seus olhos. E nada combina melhor do que isso. Uma T-shirt branca estampada com letras grandes e pretas.
Aqui não sou eu.
Aqui não posso ser.

Sunday, June 22, 2008

Into the wild

Algo que muda. Algo que se transforma. Uma fome, uma ânsia e algo que se modifica. Algo sem motivo. Os motivos de outrora. Os motivos que fizeram algo mudar, como se não quisesse aquelas antigas sensações de estar sempre no meio do corte, cicatrizando e coagulando. A vontade de carnificina denunciada pelas pontas e beiradas dos dedos assume uma vontade particular e solitária. Se as vertigens parecem caminhar como parte do corpo é porque algo mudou. Prestes à mudar, talvez. Assim, sem aviso de chegado, em segundos tudo mudou. A fome pelos dedos, a fome pelo andar e pelas luzes semi-acessas do entardecer. Vermelhas, verdes, foscas e reluzentes. As pessoas vagando pelas ruas, umas conversando, outras rindo e muitas outras sozinhas caminhando no frio com o rosto rosado e de braços cruzados com medo do vento gelado.
Algo que muda. Aquele start incômodo de sentar-se no banco sem saber exatamente onde. A transformação pelo que foi. Soltar as amarras de um antigo animal selvagem e deixar os dentes à mostra. Essa é a vontade. Galopes de um cavalo solto na paisagem; a crista leve balançando solta no ar. Assim, simples como se poderia imaginar, algo muda em meio a um vaivém de vaidades, orgulhos e sentimentos passados. Aquele desgaste quase físico que clamou por uma estranha transformação atingiu o corpo e mobilizou-me diante de tudo: do quadro, da figura, dos rostos, da poesia, da melodia, de um dia, do frio, do calor, de anos, meses, dias, horas, minutos e segundos.
Algo que muda. Eterno enquanto dure a fobia pelo desagradável. Tantos nomes, tantas vezes que partiram aqueles rostos. Tantas vezes eu tentei me sufocar diante disso tudo, inclusive da mudança. Abdico do feliz conviver pacífico. Abdico de tudo. Uma única vez. Abdico da carne, do amor e das paixões violentas e desgastadas. Abdico de mim, do mundo e das vozes ocultas que me visitam ao anoitecer. Soma de todas as coisas, de todos os medos e de todas as vontades.
Volta. Meia volta. Algo muda.
Eu querendo escrever uma história e deixando que ela mesma viva, sem letras, sem regras, sem amarras. Na multidão algo tornou-se desespero. Enfim, uma única luz, vermelha ou verde, pôde se acender.
Algo muda.

Friday, June 20, 2008

To praise highly

Eu entendo pouco da psicanálise e dos mecanismos oníricos de defesa. Entendo menos do que gostaria. Meu conhecimento é como um guia de bolso comprado em um sebo por apenas alguns trocados. Mas eu entendo, entendo minhas sensações e brinco com todas. A perspicácia de entender um sonho, uma vontade semi nutrida de idéias toscas. Ah, é como se tudo isso, todas as coisas dentro de mim fossem uma bola rebatendo na parede – eu de um lado para outro.

A minha pseudo-psicanálise advém da leitura infantil de Kafka e Freud. Pudesse eu ter a habilidade de converter-me em pequenas moléculas para adentrar em minha mente e extrair, como um novelo, todas as linhas formadoras dos maus pensamentos. E quando sonho, aquele sonho indesejável, reconheço o momento de regurgitar a fome de você pela vaidade de continuar no caminhar e caminhar. Essas cores que me traz, essa vontade de colocar as mãos e os joelhos no chão, ficar de quatro, o calor experimental provocado pela adrenalina do seu cheiro, tudo isso, tudo isso é sintoma do pesadelo. E se até o gosto da sua boca ainda sinto, então é porque desaprendi as artimanhas da racionalidade. Tudo tornou-se passional. Meu corpo, para você, será sempre o estopim para uma incontrolável loucura; enquanto que eu espero pelo único momento do dia em que parecemos estar exatamente no mesmo lugar, nos meus sonhos.

Eu controlo vontades enquanto que pelos dedos escapa-me o destino fatídico. Ansioso, eu procuro o travesseiro e o tempo passa, lento, pesado e aquilo tudo não acaba, não acaba. Por um desses instantes, eu pego com a mão, e tento me perder. Deixar o controle disso tudo em mãos divinas. É quando levo um murro no peito, caio no chão e tudo recomeça. Pego a agulha e o novelo.

Teço meu destino em sapatinhos para o meu filho.

Teço você, em lã grossa, quente, colorida, eu teço-me em você. Eu me torno, eu sou o meu destino.

Thursday, June 19, 2008

Young folks

Um dia entre cortes, passos largos e o rosto levemente seco. O despertador atrasou, ou será que fui eu que demorei a entender que aquele estranho noise era do relógio e não do meu sonho? Dois comprimidos anti-vertigem, um sono pesado e um sonho estranho. Uma aliança, o mundo inteiro distante como se eu tivesse ido a uma viagem espacial, deixando pra trás toda quinquilharia e parafernalha que eu juntei ao longo dos anos. Uma viagem pelo foguete, junto ao espaço e duas alianças douradas.
um dia entre cortes e viagens espaciais. passos largos e um música zumbindo no ouvido.
Um dia em que o mundo, enfim, fez-se efêmero e mostrou-me o quanto sou frágil, como uma linha de lã...como eu também sou efêmero.

Wednesday, June 18, 2008

CInderela´s disease

O vaivém quase marítimo, o chacoalhar do barco, de um lado para outro, a paisagem estática, imóvel. Primeiro, vem o enjôo, depois a sensação de que o mundo parece ter parado de girar, enquanto que dentro, no nosso corpo, o mundo começou a girar mais forte.
O vaivém de sonhos, vontades e pensamentos tardios.
É sintoma. Labirínto. Sem saída. É tudo uma grande jogo, entra e sai. Eu, suado, com crise de labirintite.

Monday, June 16, 2008

Notice

Era como um astro, um corpo estelar, cheio de pontos reluzente, ora coloridos, ora translúcidos. Na frente de uma outra cena, de um outro caso, era um ponto entre tantos pontos já visto e re-visitados. Um sopro da antiga brisa. Era outono, ou outra estação qualquer do ano em que o ar parece mais leve. Essa sensação estelar de sentir, sentir tudo sobre todas as coisas, sobre o nada e o vazio, sentir pulsar cada milímetro do corpo como se fôssemos uma estrela cadente.

A ansiedade ficou como uma recordação que vemos no retrovisor – aos poucos, aquela imagem vai se afastando, ficando longe, pequena como uma lembrança vaga e rápida. Mas a paisagem não cessa, não pára e nem por nossa própria vontade. O partir, as malas prontas e aquele gosto pelo novo, pela estrela e pelo céu noturno coberto por tantas sensações díspares e pontiagudas. O novo que aproxima e torna-se ontem, como o hoje em que esperamos no banco, sentados, ver a estrela cair. O por vir daquela gota que escorre na janela, até atingir a borda.

Era como um astro, essa vontade de sempre ter malas e pés na porta. E olhar para o alto, mesmo quando é dia, sempre à procura daquele ponto, o ponto luminoso de uma estrela cadente.
Talvez seja assim, a sensação do novo, sempre o novo.

Monday, June 09, 2008

Odelay


Há tempos tinha me esquecido desse álbum. Deve ser ouvido sempre, com os tímpanos abertos para as misturas de sons, mixes e tendências que, hoje em dia, repercutem entre os tais hypes, nos clubs da Augusta e os novos com little taste.


Lançado no começo dos anos 60, esse primeiro cd do Beck foi um marco. Lançou a tendência do rock misturado ao folk e, claro, já lançando moda com as guitarras eletrônicas mixadas.


Imperdível para quem tem bom ouvido. Para quem acha cool as novas bandinhas folks, precisa conhecer essa raíz.


Beck - Odelay


I Wonder

A obra de arte. Aquele prazer de sentir-se atraído e ao mesmo tempo possuído pelo objeto. A obra de arte em si mantêm um estado entre o espectador e a obra em si. A obra de arte. Nunca poderá ser perene; ela deve ser atemporal e imortal.
Mas é preciso ser treinado. É preciso ter espírito e coragem para entregar-se a esse universo. É preciso ter uma espécie de virgindade. Livrar-se do pseudo-conhecimento, das bobagens da vida e das amarras pedantes que nos circunscrevem. A obra de arte, clama por essa virgindade. Mas é preciso ser treinado. Àqueles que não conseguem reconhecer, olhar através da tinta, da música e até mesmo das páginas de um livro não a merecem. A obra de arte.
É preciso ter leveza. Essa insustentável levaza que nos falta para conduzir a vida, traídos pela covardia do querer-mais, é o cordão que nos conduz a uma possível existência que cative para o espírito o sentido da arte. A leveza com que devemos ser, virgens, diante da obra. Aos histéricos, que restem apenas as inverdades e a malidicência. Aos virgens, fiquemos com as obras. Entre uma cena e outra, um corte com a música quase surda. A obra de arte é um elemento de vida. Antes de tudo, ela vem carregada de sentimento, de reação, de uma possível experimentação de momentos. Mas os histéricos disseram que a obra de arte é peça de museu. Peça de museu.
Sustentar as sensações, crédulos, precisamos de instantes entre o objeto e nós mesmos. O filme, a música, o quadro, a escultura. Um instante entre aquilo que nos reage e a liberdade para os olhos. Saber apreciar uma obra é poder, por alguns segundos, emudecer, ensurdecer e calar-se. Diante do palco, o histérico grita, pois anseia pela palma, pela ridículo, pelo patético. Não carece à obra as tolas palmas. Seu prêmio é a reação daqueles, virgens, que estão com ela naquele momento.
Essa insustentável leveza que não aprendemos a compartilhar. Essa levezade ser. Leveza de ver. Ouvir, sentir, saber. Virgens, devemos procurar outros sentidos. A liberdade do espírito.
A insustentável, leveza do ser.

Saturday, June 07, 2008

Drop

Uma ou duas horas. Talvez fosse ainda mais perto. Quando já estava tudo em preto e branco, outras cores, menos fortes, surgiram como tudo aquilo. Era água doce banhando apenas um pequeno fragmento da mão, dos ossos e da pele.Onde permanece o calor. Nas pontas do cabelo e na forma como a cama moveu-se de um lado para outro. Aquilo que atraí, reage e retrai. Assim, imã, entrelaçou-se meu corpo ao seu. Na bruta forma de não-querer-aquilo-que-se-quer. Aquelas marcas doloridas, espalhadas, deixadas marcadas nas costas, no braço, na fronte e no lábio inchado. Um pequeno despertar, fugidio da fresta da janela, aquele pequeno que percorreu o contorno do corpo, o que na verdade eram dois. Aquela sensação de respiro; transação do suor em queima de paixão reprimida. Esquentar os lençóis.
Eu, debaixo do seu corpo molhado.

Tuesday, June 03, 2008


A maquinária do amanhacer sem ter estado em sono profundo. As portas se abrem pesadamente como se tudo isso estivesse/está preso dentro de uma grande roda; um jogo mesmo. O jogo de dados, pessoas e sortes. A maquinaria de tudo aquilo que existe, no devir. As antigas manobras não funcionam. Deve-se tentar algo novo. Fazer as malas, com o pouco que se tem e levar, levar pelo caminho. Essas idéias pouco católicas são apenas armas forjadas no mais puro aço. Eu enlaço o calor e o troco por outras quinquilharias e folhas de livros envelhicidas.

Esqueci de outrora, jamais tentei pegar peixes com as mãos. A maquinaria sempre que me faz girar em constante maravilha, por sorrisos simpáticos e pela fome em devorar dedos. Mas é sempre no mesmo lugar que paro, descanso e recomeço como um animal sem vontade própria. E falar de natureza e sentimentos é como tapar a boca para uma possível asfixia. Mas é chegada a hora, sem delongas, sem pormenores. O devir de tudo aquilo que se plantou em anos de blá blá blá e mesquinharias.

A maquinaria do amanhã, essa que faz com que as inifitas possibilidades pareçam sempre tão perto, hoje deixou de lado os engenhos e parou a roda. Desembarco na mesma avenida, porém com outro nome.

Sem delongas.


Sunday, June 01, 2008

Yellow Submarine

Um plano perfeito. A corda bamba, estreita de citações, curtas durações de amores e memórias. Queria poder dizer ao mundo o quão fina é essa linha. Linha de balanço que traz nesse vaivém algo que me torna um pouco menos distante.

Seja pelo pavor de sentir tanto calor, seja pela fresta aberta na janela, tudo poderia ser um plano perfeito de lugares e experiências. A mão, segurando gentilmente o rosto, como se estivesse observando a paisagem sem toca-la. Na sabedoria da experiência, na vontade de querer devorar cada pedaço de tinta. Simples, pelo simples plano de deixar, como platéia, certos eventos acontecerem. Vaivém de sabores, como criança perdida.
Um plano perfeito.

Ontem sonhei que a corda havia arrebentado. Por terra, foram caindo as poucas moedas que haviam no bolso, um retrato em 3x4, uma receita de bolo e um pequeno soneto. Caíram como se nunca tivessem me pertencido. Aquela fome de paisagem. E pela corda, arrumava um jeito de manter um equilíbrio bestial. E já estava tudo morto.

No chão gelado, onde os dedos procuram abrigo na parte superior, resolvi terminar um texto dizendo: um plano perfeito. Antes que pudesse terminar, deixar cair a caneta e esperei alguém dizer “perfeito”. A frase inacabada nos lábios, pela ponta dos dedos. A sensação de que escrever era uma atitude desesperada de entender por que diabos a corda não arrebentava.
Ainda que apreciar tudo aquilo fosse um ato de coragem, mentir para si era trair a fome e todas as cores. Era um plano perfeito. Deixar a toalha cair e ver no palco, atores sem máscaras.

Em 18 de Junho de 1972, o jornal Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata, no Complexo Watergate, na capital dos Estados Unidos. Durante a campanha eleitoral cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata. Bob Woodward e Carl Bernstein, dois repórteres do Washington Post, começaram a investigar o então já chamado caso Watergate.

A descoberta dos jornalistas culminou na renúncia do presidente Richard Nixon.


Alguns anos depois o diretor Alan J. Pakula filmou o caso no filme Todos os Homens do Presidente, contando a investigação de Bob Woodward e Carl Bernstein. O filme detalhe suas investigações dando ênfase a um estilo de jornalismo, hoje, morto.

Thursday, May 29, 2008

Arretê Là

De muito longe, há uma voz que diz sempre a mesma coisa. Ela vem distante quase como um sussurro e diz sempre a mesma coisa. Seja a direção ou até mesmo a vontade de comer e beber. Quando o laço se corta, ela vem e diz da saudade, mas que o tempo insiste em curar. Quando do amor, ela chega mansa e diz sobre o valor de cada pedaço que o coração deixa cair por terra. Ela diz sempre a mesma coisa.
Sejam lições escondidas nos mistérios de um percursso, seja pela vontade de querer crescer, de muito longe ela vem e diz sempre a mesma coisa. Pela vontade de retorno daqueles que se foram, ela diz que a distância é bálsamo para o esquecimento-benéfico. Remédios para a dor, remédio da felicidade. O sono leva que ela traz, dizendo baixinho que os sonhos devem ser esquecidos no travesseiro. Ela deixa a água encantada com um cheiro de flor e baunilha. Ela diz sempre a mesma coisa. Quando o afastamento chega atropelando a vida, ela vem e diz para deixar passar e que no fim, sempre há uma equação balanceada para cada acontecimento.
Ela vem de longe e diz sempre a mesma coisa. Repete canções antigas, recita poemas diversos e lê as mais belas passagens contidas nos antigos livros. Arrête là. Levanta, ela diz suave. Levanta que é dia de festa. E recita, como tutora das águas, um verso:
Ela diz sempre a mesma coisa. De muito longe ela vem e arranca a raiz do solo. Aquilo que não germina ela arranca com as mãos. Aquilo que não tem fruto, sem sabor, sem cor; ela corta pela raiz e diz sempre a mesma coisa. Arrête là! A maldade dos olhos que percorre também a noite, ela cega. As palavras duras ela faz silenciar no canto do fogo, ela deixa arder os cabelos ruivos. Arrête là. Avante que o mar é dentro. Ela diz sempre a mesma coisa. Metáforas esvaziadas e muitos ditos populares. Inventora de árvores gigantes, dos relâmpagos que iluminam o breu da noite, ela cala inimigos. Arrête là! Erga sua espada, ela diz. Erga o elmo e avante para a guerra. A guerra pelas chuvas e florestas. Embrenhando-se no mato selvagem, por entre cobras, insetos e animais.
De muito longe, há uma voz que diz sempre a mesma coisa:
Arrête là!

Tuesday, May 27, 2008

Be smart

Ninguém poderá dizer o contrário. De tudo aquilo que se foi, da antiga chama. Ninguém poderá dizer o contrário. Feito um caleidoscópio as imagens giravam em torno de um único objeto. E isso era desejo da loucura. Loucura de ter próximo ao corpo, um corpo. a luxúria de antigos desejos e novas aspirações da alma. Ninguém poderá dizer o contrário.

Como se fossem papéis picados, foram pelo rastro do mar, um a um. Pelo vento forte e morno, as lembranças dançavam no balançar – vaivém. E sendo ou não clichê, a vida parecia ter-se colocado em seu devido lugar. As peças se encaixando e o pedaço de alecrim seco entregue ao seu destino. Que destino? Ninguém poderá dizer o contrário quando a ópera começar. Um a um, se foram todas as memórias. No jogo, na peça, pelo oceano sem fim, ali ficaram os pedaços de papel.

Ninguém poderá dizer o contrário. A vida se põe como desejo próprio. As vontades materiais de se amar e ser amado como tanto queríamos, acabou. Acabou por longas horas escorridas em lágrimas insípidas e sem gosto. Sem gosto de retorno e toda a preguiça d´espírito se fez presente naquele instante. Da morte ao nascimento. Ninguém poderá dizer o contrário. Alguns precisam disso na vida, outros mal sabem como ainda estão de pé. O sofrimento pelo que há, virá e foi. As moedas que preechem o bolso furado pela moral destituída. Ninguém poderá dizer o contrário.

As cartas seladas pelo beijo do eterno, o retorno à si. De um lugar para outro, é sempre ali que deve ficar. Umas sobre as outras. O resto, foi-se com o vento. Deito no mar e observo a paisagem grande e tudo pareceu uma ilusão ótica. Deixo estar. Amanhã, sem sol, com sol, ninguém poderá dizer o contrário. A vida encontra um jeito.


"Ninguém poderá dizer o contrário."

Friday, May 23, 2008

Some letter

Inspiração:
Certas palavras faziam sentido. Um futuro promissor. Aquele era o seu destino ou talvez fosse um desejo maior de entender a soma das palavras, sons, gramática, ritmo; tudo misturado em um grande esquema que eram aquelas frases que, somadas, formavam um livro. E aquilo sempre foi algo maior. Não era apenas papel tipografado. Era um objeto, uma forma viva que o transportava para outros mundos.
Pra mim, abrir um livro e ler a primeira página é como um beijo. Sentir a primeira palavra escolhida, o jeito como a história começará. È um beijo. Um beijo que percorre os sentidos formando um prazer inenarrável. A primeira página de um livro.
As subsequentes são romance. Um tórrido romance que estabeleço com aquilo que está diante dos meus olhos. Ler é um romance. E tudo começa com um beijo. E como todo começo, termina com o orgasmo do final. O beijo, seguido do romance terminado com um orgasmo. Verossimilhança, dizia a professora de literatura. "Observe o peixe apodrecer", escreveu Pound. Tantas teorias. A prática é uma mistura de sentimentos, prazeres e esperanças. Quando abro a primeira página, sinto-me...inexplicável.
Inspiração.
Meu primeiro beijo.

Wednesday, May 21, 2008

Itouch, Ipod, Ai...and i dont give a fuck!

Hoje em dia tudo mudou.

Eu me lembro de ir ao Mcdonalds e comprar o número 1 por apenas R$5,65. Antigamente tudo parecia mais acessível. Era a inflação?

Eu me lembro que o telefone era artigo de luxo e as brincadeiras de rua mais divertidas do que videogame. Me lembro de sentir prazer em comprar um cd, abri-lo e deliciar o encarte e ler as letras ouvindo as músicas. Hoje em dia, assumo, não compro cd´s. Sou daqueles traidores que fazem download. Hoje em dia tudo mudou.

Minha mãe costumava contar como era divertido andar de bonde e brincar nos “bosques” que haviam em São Paulo. Bosques? Só restou o Ibirapuera. Meu pai contava que um de seus passeios favoritos era ir ao Vale do Anhangabaú tomar cerveja. Seis meses atrás ele foi assaltado no mesmo lugar que ele tanto havia passeado com os amigos e namoradas. Hoje em dia tudo mudou. Não é saudosismo. É constatação.

Estamos na era do perene, do instável e do favoritismo. Deixamos de lado o cd player, o próprio cd e o rádio e trocamos pelos tocadores virtuais de música. Não precisamos mais do cd; a letra fica disponível na Internet. Estamos na era do virtual. As músicas vêm sem que sejam vistas. Antes, o cd era palpável. Um arquivo de extensão chamado de MP3 mudou tudo. Não “vemos” a música. Estamos na era do dois em 1. Telefone celular que tira foto, filma, acessa Internet e vem acoplado com pacote Office e, claro, faz ligação. Esquecemos que a máquina de escrever é funcional. Humana. As câmeras analógicas e práticas ficaram nas brechós e ferros-velhos urbanos. Aquela revelação artísticas que permitia efeitos e trabalhos experimentais como os de Hockney ficaram para trás. Basta tirar uma foto, abrir o programa de imagens e tudo poderá ser alterado em questão de segundos. Estamos na era do dois em um. Geladeira com televisão, moedora de gelo e som. E, claro, ela ainda refrigera alimentos. Estamos na era do menor esforço. Trocar de marcha é obsoleto. Bom mesmo é carro automático, correr na esteira digital da academia, ver DVD no banco de trás, pendurar televisores no lugar de quadros e acender as luzes com um simples bater de palmas.

Hoje em dia tudo mudou. Estamos na era do desprendimento, do anti-relativismo e do distanciamento. Se antes as relações pessoais eram mais estreitas, hoje elas são manuseadas por e-mails, mensagens de texto e vídeo-chamadas. Perdemos o contato humano. Estamos sim na era do anti-relativismo. Quem quer saber de onde viemos e quem somos? A metafísica está morta. A herança de Aristóteles custa apenas R$ 1,99 no sebo da esquina. “Acesse já e saiba a sua personalidade”. Quem precisa de leitura? Nietszche já havia alertado para a morte da metafísica lá por 1800. Estava certo. Com ela, as questões ontológicas também se esvaíram. A arqueologia do saber ficou soterrada pelo distanciamento. Estamos na era de somas. Quem soma mais, pode mais. Tudo é enfeite. Menos, sempre menos contato, menos humano, menos sentimental. A era do Iposso, Ifaço, Isou, Ipod, I I I . Quem quer saber de metafísicas, Aristóteles, filosofia, máquinas de escrever, papel e caneta..? Hoje em dia tudo mudou. Somos perfeitos um para o outro, desde que seja à distância.

E eu ainda me lembro da minha mãe contando como era divertido pegar o bonde e ir até o Vale do Anhangabaú tomar sorvete.

Tuesday, May 20, 2008

KDE DOMOV MUJ

Alguém, algum pensador já deve ter dito que a beleza das coisas está na simplicidade. A simplicidade de uma cidade, um sorriso, a simplicidade para se vestir e tomar decisões na vida. E tudo pode ter esse toque de “simples”. Chanel já havia dito: na dúvida vá de tubinho preto. Elegante e simples.

E foi planejando meu roteiro de final de ano fui pesquisar sobre Praga, capital da República Tcheca. Já sabendo que a cidade, apelidada de pérola do oriente, era uma das mais belas da Europa, me deparei com algo que me chocou. Tendo a idéia, como a maioria do ocidente, que Praga era sinônimo de um povo rude, fechado e, porque não calado, encontrei no hino dos Tchecos algo espantoso:


KDE DOMOV MUJ
Kde domov möj, kde domov möj?
Voda huí po lu¹inách, Bory ëumí po skalinách,
V sadÆ skví se jara kvÆt,
Zemskú ráj to na pohled!
A to je ta krásná zemÆ, ZemÆ
Teská, domov möj, ZemÆ Teská, domov möj!
Kde domov möj, kde domov möj?
V kraji znáë-li bohumilém Duëe utlé v tÆle ilém,
Mysl jasnou, vznik a zdar,
A tu sílu vzdoru zmar!
To je Techö slavné plémÆ,
Mezi Techy domov möj,
Mezi Techy domov möj.

ONDE ESTÁ MEU LAR
Onde está meu lar? Onde está meu lar?

Onde a água borbulha pelos rios,
E pinheiros sibilam entre os rochedos,
Um jardim glorioso com flores de primavera,
Um paraíso sobre a terra.
Esta é a terra maravilhosa,
A terra Tcheca, é meu lar,
A terra Tcheca, é meu lar.
Onde está meu lar? Onde está meu lar?
Se, num lugar celestial, você encontrar,
Almas nobres e sensíveis,
De mente clara, vigorosa, audaciosa,
Dotados de uma força capaz de enfrentar qualquer desafio,
Aí está o glorioso povo Tcheco,
Entre os Tchecos está o meu lar!
Entre os Tchecos está o meu lar!

Esse é o hino tcheco. É simples, elegante, forte e lindo. Fiquei emocionado. Fiquei tocado pelo comovente hino de um país que, até então, eu achava “rude”. E claro, que fiquei pensando em outras coisas similares. Metáforas a respeito do simples e do rude e daquilo que pode parecer simples e que no fundo é rude. E do rude que é simples.
È coisa de caráter. Eu imagino que quanto mais simples se queira ser, mais rudimentar e tosco é o espírito. Isso porque a simplicidade está nela mesma, na própria natureza de ser e parecer simples. Não é passível de força. Quanto mais se força, mais se arrebenta o laço. O simples das atitudes honestas e sinceras. O simples no lidar com sentimentos próprios. Aquela falsa simpatia que provém da arrogância. O desprendimento com dinheiro, quando a questão principal é a ganância devoradora. E tantas outras somas, que se estendem pelo espírito. Não podemos falar de simplicidade quando algo já está intitulando-se como “simples”. Questão difícil essa, mas repleta de exemplos. Será que dei um? Devo ter dado. Devo ter falado de muitas outras coisas aqui. O importante é falar de simplicidade. Nem sempre camiseta branca e jeans é ser simples.

Monday, May 19, 2008

Hard Candy

Depois da chuva calma, fria e demorada de ontem, hoje o dia nasceu ensolarado.

Acordei, olhei pela janela e deixei o casaco de lado. Sentei-me de frente à janela e enquanto tomava o primeiro café do dia, lembrei de você. Lembrei do seu rosto. Aquelas lembranças tristes de outono. E nem parecia outono. Pela xícara fumegante, eu sabia que haveria algo mais. Sem explicar, fui trabalhar com aquela imagem. No fundo, todos temos fantasmas. Alguns tem mais de um. Um fantasma que assombra e que vive como uma marca.

E fui, no caminho, guiado pelo sol, lembrando de você e da última vez que vi o seu rosto virar a esquina. Lembrei de como eu poderia ter ido e não fui. Lembrei do livro que eu estava lendo na época e de como havia começado o dia.

Uma manhã.

Thursday, May 15, 2008

Arrow

O movimento pelos carros assessorados pelo tempo, da vida curta e apressada e das vontades alheias, nos trouxe até aqui. Pelo alto prédio espelhado, do sol reluzente de outono ou os céus límpidos dum azul mais que profundo. Por onde andamos o dia inteiro? Qual foi o laço maior que nos apartou? Estivemos no efêmero espaço do mortal para morrermos de pé em pé, como se caminha rumo ao monumento dos espíritos saudáveis. E jazemos no paraíso que tanto buscamos esses anos todos.

E por que parecemos com lágrimas de arrependimento. Eu ouço sua orelha sussurrar a vontade de uma outra coisa qualquer. Romântico, talvez sejamos românticos como Goethe, mas somos covardes como seus personagens. E vivemos do sistema da recordação, do padrão de formas da memória. Lincoln disse que “Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes.”

Tornamo-nos covardes de si mesmos. Nos encobrimos de normas e paradigmas. Sartre apontou para esse mal duradouro; essa coisa da norma. E estamos bamboleando na sua citação “Os covardes são os que se encobrem sob as normas”. Encobertos das normas de finalização, do término e de que, no fundo, as coisas acabam. Perdemos o sentido de imortalidade que nos deram o livre arbítrios. Essa coisa do católico, presa em nosso corpo desde o nascimento, estamos atormentados de culpa. O certo e o errado. Ainda acreditamos em teorias de vingança.
"Não faça aos outros o que não queres que te façam”, dizia Confúcio. E estacionamos o corpo no lugar perfeito e calmo. Avante ao cômodo que o nosso estandarte já foi alvejado pelas más-línguas.

Eu deixo você como quem deixa a água correr pelo rio. Você, olha, e me deixa ir como quem deixa a areia escorrer entre os dedos. E a cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.

Somos covardes de nós mesmos.

Wednesday, May 14, 2008

Far from other town


Na idade média, Galileu disse que a Terra era redonda e girava. Todos se chocaram e ele teve que mentir. Mas dizem as más línguas que no pronunciamento forçado, depois de dizer que não, a terra não era redonda ele virou para o lado e quase sussurou "mas que gira, gira".


Espirituoso nosso colega cientista. E gira, gira. É inquietante essa coisa da terra girar. Ele mesmo, o Galileu que o diga. Por pouco não foi para a fogueira com a Joana D´arc. Ela certamente iria lhe dizer uma poucas e boas e o chicote ia cantar (castigo de Deus).


Bom, point is, essa história de que a terra gira já foi usada para muitas metáforas. Minha amiga Silvia diz que isso ai de falar que o mundo gira é puro despeito. Segundo ela, dizer isso seria algo como "ah, não me quer? vai ver só!". Bom, não questionando a razão ou os motivos que a levam crer nisso, eu myself hei-de-concordar-com-ela. Me parece um certo despeito. E o Galileu foi despeitado sussurrando que a terra gira. E logo após ter desmentido!


Ao que me parece, essa história de mundo, terra e peão girar só foi bom mesmo para as naus que partiam oceano afora achando que uma hora iam cair no abismo ou encontrar um monstro malvado. Quando souberam que a terra era redonda e que girava, ficaram mais calmos, os pobres portugueses.


E nós mesmos que ficamos no futuro com a porca teoria de que o mundo gira é que caímos no abismo, esperando que a terra fosse girar e se vingar.

Sunday, May 11, 2008

Certos dias, certos instantes, algo parece mudar. É pouco, é provável que seja pouco. Com os minutos, algo parece se dividir exatamente como um ato de reprodução. E algo muda. Pequeno, sensível aos ares e cores. É uma procura incessante pelo desconhecido ou pode mesmo ser a busca por aquilo que provê a vida.


É um sentimento aurívoro e um tanto desgastado esse o da procura. A mudança das coisas pode trazer uma busca. Busca por aquilo que se está perdendo; o corpo lentamente esvaziando, deixando antigos hábitos escorrerem por um fluído insípido, até sair pelos poros ou escorrerem por uma lágrima.E que busca é essa? A vontade de um aperto de mão estranho ou de um sorriso apertado de saudade. A vontade por flores e túmulos. A saudade daquilo que foi e não retornou. O anseio pela imortalidade das coisas e pelo gosto do mar.


Certos dias, a vida parece mudar. Um fragmento por vez. Uma distância por minuto. Na cardeal, jaz aquilo que ficou de esperança. O domínio do espírito, seja lá o que possa ser, carregando uma flor no semblante. Duas badaladas de sino. Duas pausas para piscar os olhos - preto e branco -, e um único momento para sentir que o outono chegou em dias claros de ventos frios. Por um minuto, algo pode mudar. A eternidade do corpo transforma-se em um único aparato da antítese. E dizem que deve existir um lapso, um evento ou catástrofe para algo mudar. Não crêem que uma gota de chuva pode ser o escopo para uma liberdade irônica. As tentativas de cartas, enterradas próximas ao túmulo, sem lápide...
Certos dias, o céu, como acontece com o mar, vai de encontro à cabeça e chega a encostar no fio de cabelo que o vento levantou. Lentamente, a íris muda de cor e algo acontece. Algo muda e transforma-se.


Nas minhas poucas esperanças de um possível retorno, eu deixo flores na Cardeal. Levo pensamentos para um lugar estranho e desconhecido que imagino ser um espaço paradisíaco. Pelo menos é a minha idéia. Eu carrego a memória como alavanca para tornar-me aquilo que se espera. Ela sorri, contente, ela sorri.

Acena na porta e diz: bom trabalho.

Friday, May 09, 2008

Show me your teeths

Entre os anos 60 e 70, surgia na Europa um novo sopro para a filosofia que se estendeu para outras áreas do saber como, por exemplo, a antropologia e sociologia. Michel Foucault reiventou a filosofia do século XX, instituindo um novo modo de pensar e escrever.

Preocupado com as questões do mundo contemporâneo, Foucault voltou olhos para a política e examinou como o mundo estava se transformando pela questão do poder. E foi exatamente nessa trilha (resumidamente), que o filósofo dissecou o poder e suas facetas. No livro intitulado Microfísica do Poder, uma série de entrevistas feitas com Foucault, ele discorre sobre o que ele considerava como "micro-poderes". Já desgastada a idéia de que o poder vem, essencialmente, do Estado e, assim, repassado aos integrantes hierarquicamente, Foucault nos mostrou que o poder não está somente nessa instância.

Esse tal "micro-poder" é um tipo de ação causada, grosso modo, pelos simples cidadãos da sociedade capital. ELe funciona como o poder do Estado sobre a sociedade: controle estabelecido entre o dominante e o dominado. Segundo Foucault, o poder permeia a sociedade em todas as instâncias, desde o motorista de ônibus ao jornaleiro da esquina. A novidade foi estabelecer que o poder existe e convive entre todos das mais variadas formas. Seja o pode linguistico-persuasivo, seja o poder sobre o doente, sobre o deficiente ou necessitado. E esse poder nos é dado, não pelo Estado, mas exatamente pelo convívio mecanizado. Isso porque, a sociedade ocidental construiu como referência a sociedade capitalista de ascenção. As tais discussões acerca da influência norte americana no mundo não é somente à guiza de discussão. Por ela se estabeleceu o pensamento burguÊs que aceita o poder e o tem como figura paterna: aqui funciona. E é a própria sociedade dos Estados Unidos da America do Norte que estabeleceu: o mais forte sobe, o mais fraco desce. Segundo essa proposta, para que isso ocorra, é necessário que se instaure um micro poder para que, o mais forte possa dominar o mais fraco e, desse modo, torne-se dentro da sociedade em que vive (tal sociedade se caracteriza em qualquer ambiente, seja familiar ou de amigos) o dominante.

Mas Foucault determinou outros "por vir" diante dessa questão problema. Se o poder pode se estabelecer em qualquer instância da sociedade, sem o controle do Estado, como se dá a manutenção desse micro-poder?

É ai que jaz a principal caracteristica, ao meu ver, do século XXI. O suposto dominado tem como constituição e como sonho a ser almejado, um dia poder dominar. E como em qualquer relação sempre há ou surge uma "brecha" (como os anarquistas ou comunistas que surgem diante do capitalismo),é por meio dessa "brecha" que o dominado pode, enfim, tornar-se o dominante. Pode ser por um segundo, mas o infeliz poderá gritar "eu ganhei". Uma conversa ou pela fraqueza de alguém. O micro poder se instaura e torna-se saboroso. A perda da virgindadade, como a criança que experimento o doce pela primeira vez. O infeliz vê-se obrigado a cometer "crimes" sobre o dominado, esquecendo que um dia já esteve na mesma posição.
Foucault postulou essa teoria.
O que nos resta, no começo do século XXI, é um outro Michel que possa nos dizer sobre a alma desse infeliz. Poderia ser um novo Aristóteles, mas ele foi dominado, por algum grego infeliz.

Thursday, May 08, 2008

You got me Rocking

Um avião no meio de um arranha-céu. Outro avião. Uma grande nuvem de fumaça. O pai trancafia a filha de 18 anos num porão. Lá ela vive por 24 anos, sendo estuprada e parindo filhos do modo mais primitivo. Os pais que jogam a filha pela janela, depois de estrangulá-la. A pauladas, a filha-patricinha, mata o pai e a mãe com a ajuda do namorado. Num belo dia a filha se joga do quarto andar por não aguentar mais o pai bêbado. A mãe, outra mãe, prendia as filhas com corrente dentro de casa (disse que eram rueiras). Uma bomba explode dentro de um trem na espanha. No Brasil, imigrantes japoneses são detidos no porto de Santos por ordens de Getúlio e são levados para campos de concentração. Os EUA, curiosos, apertam o botão para jogar a primeira bomba atômica em Hyroshima. Mataram a curiosidade, mas a imagem daquela nuvem é hoje motivo para arte. Ninguém esquece. Milhões de judeus dentro da câmara de gás. Os russos prendem soldados alemães nos próprios campos. O homem vai à lua. Desce, recomeça e anos depois dois garotos, armados até os dentes, matam seus colegas nos EUA. Semanas depois, uma criança é presa depois de apontar um nugget para o coleguinha. O pai diz "não sou um monstro. Eu poderia ter matado ela e seus filhos", em relação a menina austríaca. Einstein, dizem, ficou chocado: não só pelo que fizeram com sua teoria - que mais tarde viria a ser título de cd de cantoras melódica - não podia retornar à Europa. Duplamente chateado. Morreu com dor de cabeça. O presidente Clinton, esporra a secretária e essa, sem pudor, vai à televisão denunciá-lo. Sua mulher, altiva, anos depois se candidata à presidência. Soldados talibãs são treinados pelo governo dos EUA. Anos depois, se jogam em aviões contra prédio comercial. Mas os estudantes se revoltaram em Paris contra uma possível repressão. Disseram, alguns, que eram burgueses. E nem precisou tanto quando Maria Antonieta foi levada à guilhotina depois de comer um pouco mais de doces. O jovem é levado à presidência da República Federativa do Brasil depois de aparecer como galã na contra-capa de revista. O maior escândalo político da década de 90. Alguns repórteres acharam ousada, mas Madonna saiu nua nas páginas de um livro. Enquanto que o Michael Jackson, maravilhado com o mundo cirúrgico, tirou o nariz e clareou a pele. Não muito longe, uma menina vietnamita corria depois do exército americano jogar napalm perto da sua casa. E ninguém protestou contra o papa quando ele disse que os gays eram criminosos e camisinha tinha que ser proibida. Ele mesmo, nunca precisaria delas. E o Franco matou milhares. Fidel ficou ilhado, mas usando Reeboks. Alguns anos antes, a ativista política Olga, famosa pelo radicalismo, foi enviada à Aushwitz. Morreu como mártir, não por aqueles que mandou matar, mas pela sua morte. Prestes se livrou. E Liz Taylor, amável, casou 10 vezes, e nem se deu conta que atores-glamurosos de Hollywood iam morrendo com pílulas para dormir. Quando disseram para Carmem Miranda que seu inglês era muito bom, ninguém achou estranho que os estúdios mandaram ela forçar um sotaque portuglês. Sem delongas, queimar livros e pessoas na fogueira parecia ser o esporte predileto dos católicos da idade média. E depois disso, as pessoas ficaram chocadas quando souberam que Michelangelo roubava cadáveres para estudar anatomia. E quando cantaram parabéns para a menina que foi jogada pela janela, um senhor tomava café no bar da esquina. O Machado mesmo analfabeto tornou-se escritor reconhecido e do outro lado do oceano o Eça dizia "isso é literatura marrom". Bobagem. A peste bubônica invade a Europa e mata milhões. Sem falar nos índios da américa central que, ingênuos, foram dizimados com lanças, pedras e socos. Isso antes mesmo antes do EUA terem tomado a Califórnia dos pobres mexicanos. Não houve questionamento quando ficaram sabendo que a cidade chamava Los Angeles e não The Angels. Todos chocados com os prédios em chamas. Lembraram, é claro, do Joelma. A Estátua da Liberdade viu tudo de perto - era um presente dos franceses. E os argelinos finalmente estavam livres das baguetes e croissant, mas morrem de fome hoje. Coitada, a Índia nem com a língua inglesa pôde ficar. Só os japoneses que tiveram a ajuda financeira para reconstruir as cidades bombardeadas. O teste deu certo. As pessoas, sim, morrem. E coisas boas acontecem quando os escravos resolvem se rebeliar. No sul, lá em cima, perderam a guerra. Felizes eles ficaram quando em uma ilha criaram um bairro só deles. E saiu outro dia no jornal que o maior índice de suícidio é na Suécia.
Kennedy assassinado e a Greta Garbo escondida no apartamento em NYC, só ficou sabendo pelos jornais. E o que o Dom Pedro tinha a ver com as mentiras do Nixon? Getúlio se mata com um tiro na cabeça, mas nos deixa o FGTS e o seguro desemprego, enquanto que Juscelino inicia a dívida externa. Alguns militares diziam que comunismo era crime. No Chile, milhões são mortos. A Argentina se racha ao meio. A ditadura trouxe benefícios. Pergunte aos mais velhos. "Era ordem".
Os aviões colidem, os pais escondem filhas no porão quando não as jogam pela janela. E tantas outras coisas acontecem.
O que isso tem a ver?

Wednesday, May 07, 2008

My senses

Outro dia, outro livro, talvez uma ou duas músicas sem sentido. Sentado, lia pelo menos vinte palavras por minuto. É pouco. Ouvia pouca coisa enquanto a música tocava. Eu estava sentado tentando entender certas nunces lá do mundo de fora. Tentei a lógica, a poesia, a música e até mesmo geometria, mas como nunca fui bom aluno de contas, resolvi deixar de lado.

Resolvi encostar o livro e dar um stop no rádio. Quantas vezes eu ainda poderia dizer que não tinha lido e nem ouvido? Deitei, como se eu pudesse simplesmente, sem sono, fechar os olhos e dormir. Sem êxito, levantei, pisei no chão gelado-de-outono e fui para a cozinha. Preparei um café, mas não tomei. Acendi um cigarro, troquei de roupa e abri a janela. Estava deserto. O frio tem dessas coisas de afastar as baratas. Tentei cochilar no sofá, mas não pude.

Parei em pé, ao lado das persianas verdes da sala. Deitei os olhos no sofá, depois tentei medir minha altura. Talvez 1, 80. Menos até. Sorri para o escuro e voltei para o quarto. Inquieto, dormi sem perceber que eu ainda deitava a cabeça no seu peito, todas as noites.

Thursday, May 01, 2008

Brass in Pocket

Há quanto tempo venho treinando a caneta por entre os dedos? O medo de ficar trêmula, bamba ou sem tinta. Há quanto tempo? Nem ao menos borracha eu tenho para apagar o que sai errado.
Outros, tantos outros poemas ficaram para trás. O poema de nós dois. O que virou três ou quatro xingamentos. Uma história de começo e meio. Finais infelizes. Eu vou fazer algo além do que escrever. Print as palavras para outra ordem. Misturar o english com o français. Será que decorei minhas aulas? Classes em pleno inverno. Talvez seja sintoma da loucura, this thing.
Há quanto tempo venho treinando os olhos para ler Faulkner e Foucault? Nem ao menos entendi as aulas de filosofia e já acho que os sofistas eram farsantes gregos. Do fogo selvagem, unhas queimadas, eu venho treinamento meus dedos. Minhas mãos. Meus lábios, minha pele, meu corpo, meu gozo, cada fio do meu cabelo:

Tuesday, April 29, 2008

Give me the sun

Pudesse eu não ter laços nem limites, dos sonhos que acalentam possíveis insônias, lá no fundo ouço aquele borbulhar de espumas. P'ra poder responder aos Teus convites, suspensos na surpresa dos instantes, um dia eu esqueço de abrir as cartas. Um dia esqueço de abrir os olhos e circular pelo mundo como sombra de penas.

Se posso ser, por que não serei pássaro assombrado pelos ares quentes? Um certo hipismo e logo tenho a vida em rédeas curtas. Eu ouço aquele borbulhar ou seria apenas o meu coração transbordando os momentos que me fizeram ir ao longe, tirando os pés do chão, levitando entre o inferno e o céu. Ali, mesmo, naquele lugar tão repleto de felicidade eu encontrei a chave.

Blackout do corpo. Foi a tentativa. Se fosse poeta de boas palavras eu diria:
Para ser grande, sê inteiro, põe quanto és no mínimo que fazes.

Mas eu perdi certos sonhos, certos olhares, certas vontades de ter seus beijos como boa-noite. Nada teu exagera ou exclui. E não se perdeu nenhuma coisa em mim. Como o mar que se afasta da areia, retorna sem pedir licença. Não sou de dar adeus, a ele nada me serve. Não sou de dar as costas e nem dar nós nos cabelos. E através de todas as presenças, caminho para a única unidade: o que poderei ser nos tempos curtos da minha vaga história.

Não tenho limites, laços, cores vibrantes. Para ti, sobrou o que um dia foi teu: memória do que fui. Vou trazendo as Sophias, os Tatos, as Virginias, Fabianas, Marias, Cristo, mães, amigas e tudo mais que soube conservar como o mar conserva o sol.
Um dia ainda vou engolir o sol; deixar queimar a vida dentro da vida e ainda sentir o frio da ansiedade. Vou engolir o sol, esquecer as bocas e os dedos apontados. Um dia o sol vai me lembrar que lá longe ele me esquenta. Ela não sabe, mas além do Taj Mahal eu vou na trip do sol, sem roupa no corpo, sem fumo e sem álcool.


O pesar é saber que os momentos foram sós de histeria. Se tanto me dói que as coisas passemÉ porque cada instante em mim foi vivo na busca de um bem definitivo em que as coisas de Amor se eternizassem. E foram elas perdidas por entre dedos, gritos, suores e vozes, muitas vozes de estranhos, porém familiares, ares de sentimento.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos, e vou de mãos dadas com os perigos. Sabendo que meus dentes cerram um tecido fino que é tua pele. Porque os outros calculam, mas eu não.

Não calculei que meu limite terminava exatamente no calor de tua pele.
Não sou de dar adeus. Vou-me partindo, vendo a paisagem diminuir, vendo teu rosto sem expressão e digo, sem que possas ouvir:

Monday, April 28, 2008

Eu vou ver o Taj Mahal

Tem vezes que as coisas se quebram. Ou somos nós que quebramos? Por si só, ou pelas nossas mãos, um dia as coisas quebram, como encanto mesmo. Se há encanto. E só assim saberemos o se o encanto foi produto onírico ou do real. Se sobrar é porque era real, se não era onírico mesmo.
Tem vezes que as coisas se quebram. É, um dia eu ia voltar. Posso dar oi, olás etc, vocês estiveram comigo sempre e para sempre ficarão.
Você sabe do que eu estou falando. Tem vezes que as coisas se quebram. Um dia eu vou para o Taj Mahal e quem sabe mando um postal: Por aqui está tudo bem. E um dia mesmo, e não demora muito, visitarei as Pirâmides. O Cristo eu já conheço, mas poderei revê-lo. Final do ano, torre Eiffel. Mas ainda assim, eu vou ver o Taj Mahal.
É, tem vezes que as coisas se quebram. Não, obrigado, não quero Superbonder.

Thursday, April 24, 2008

You send me...

Destinos cruzados ou palavras cruzadas? Palavras incertas talvez. A coisa de se sentir distante, de voar para outros ares, de espantar-se com o vento leve e suave. Estranheza dos passos lentos e toda aquela história de encaixotar as roupas, os sapatos, mantimentos e itens pessoais.

Destinos cruzados. While I was thinking you didn't have a clue, eu mesmo pisei fundo no acelerador. Rápido, veloz, eu fui em direção ao desfiladeiro. So now I feel so small discovering you knew How much more torture would you have put me through? E as palavras cruzadas que montei para não entender o verdadeiro jogo da sedução/redução. Estranho mesmo é essa coisa do voar, do ir e vir com pressa de quem quer adiantar os relógios.

And although my pride is not easy to disturb...

You sent me flying when you kicked me to the kerb!

Monday, April 21, 2008

Piece of me

Dizem que a limpeza é um fator essencial na vida. Começa com um simples banho. Limpamos o corpo com sabonete, esfregamos a pele, lavamos o cabelo, partes íntimas, orelhas, pés, mãos, rosto etc. Limpamos também a casa: sala, cozinha, banheiro. Lavamos a roupa à mão ou na máquina de lavar. Tentamos limpar tudo. Até a cidade é limpa. "Proibido jogar papel no chão" dizem as placas.
Estranha essa coisa da limpeza. É uma necessidade. Um hábito, um estilo de vida, um comportamento. A limpeza está por toda parte. Mas tem também aquela limpeza mais oculta, algo como a chuva que limpa involuntáriamente. Essa limpeza de chuva, essencialmente um resgate. Sim, um resgate. É a busca do Éden, do paraíso perdido. A limpeza é a mais uma tentativa de alcançarmos o inicio, voltar a um estado de pureza. A pureza do inconsciente buscando o útero paradisíaco. E nessa busca muito pode ser encontrado embaixo da sujeito que muitas vezes varremos para baixo do tapete. Podemos encontrar uma pessoa perdida, uma vontade esquecida, um brinco, um pedaço de unha roída e até mesmo podemos encontrar a nós mesmos perdido no mais profundo espaço entre o ser e o não ser (digo, o mundo real exterior e o mundo que nos fechamos). E quando menos se espera, estamos lá, em cima de uma cadeira, mexendo na parte de cima do guarda-roupa para limpar aquele pó acumulado há meses. Espanador, pano úmido e um pouco de cuidado. Em breve, tudo estará limpo. Por pouco tempo, até acumular mais pó e mais pó.
Um processo deveras peculiar. Tem vezes que a limpeza vem como a chuva mesmo. Sem querer, com o mínimo de alerta e rápida, forte levando embora uma sujeira que nem sabíamos existir.
Eu li hoje no jornal: Chuvas esparsas 18 a 23c.

Saturday, April 19, 2008

Out of the Sea

Eu sempre me deliciei com o mar. Com o dançar das ondas, a cor da areia, a luz que fica no fundo quando o oceano parece encostar no céu. Eu sempre me preocupei com profundezas, do mar em específico. São essas preocupações, transpostar na realidade, na verdade, no sentido de tudo. Nas profundezas do não-oculto inconsciente, na vontade de crescer o que não pode crescer.
Minha saudade do mar, do vaivém, a saudade de um retorno, uma passagem com o dedo de deuses gregos. Do céu à terra, voltamos para o oceano sem enxergar verdades. Tudo à vista. Saudade de balançar nos teus olhos.

Thursday, April 17, 2008

Smile at me

Eu ouço alguma coisa; alguma coisa que faça sentido enquanto meu coração vai se deixando levar pelo vazio de estar só. Eu dou a ele uma trilha sonora. De Sinatra à João Gilberto, eu faço uma trilha para a solidão do vazio. E eu tenho aquela velha mania de não deixá-lo só, o meu coração. Viajo pelas lembranças. Umas já atearam fogo, outras a distância separa as coisas...
É só uma trilha para lembrar o quanto foi bom te amar.

Tuesday, April 15, 2008

Room of Fire

Disseram que o fogo pode apagar um caminho, cortar a pele e até mesmo trazer o novo. Dizem que dentro de uma caixa podemos armazenar sonhos, esperanças, vontades e, por que não, um passado? Dizem mesmo que o fogo é renovador. Na antiguidade, dizem que as bruxas dançavam nuas em volta do fogo para que os deus ouvissem seus pedidos. Dizem que os hereges foram queimados vivos na fogueira. Dizem que uma úlcera pode causar a sensação de fogo no estômago. Dizem que a vontade de sexo é "fogo". Tudo, tudo enfim pode ser esse tal fogo.
Eu que não presto muita atenção coloquei fogo naquelas vontades que não passaram!
Bom, como cantaria a Gal: "fogo, fógo".

Tuesday, April 08, 2008

Long time before

O passado pode nunca perdoar. Ele pode desaparecer sem deixar vestígios. Podemos mudar, transformar e refazer erros, mas o passado, como diriam, não perdoa. Ele fica entre nós como fenda de um eterno e incansável caminhar, seja para a frente, lado ou trás. Ele não esconde mágoas, sentimentos, amores; não esconde de ninguém. E logo, com ele, vem a saudade.
Saudade do irmão que mora longe, do pai inexistente, da mãe que jaz na memória seletiva, da amiga que eu nunca tive, das roupas, presentes, risadas...
Por fim, me questiono o que o passado me fez ser. Ele me trouxe uma série, talvez fileiras de pensamentos perturbados. Ele, o passado, vem a galopes em momentos decisivos. Espero pela hora certa do passado, tornar-se presente. Você vem como uma voz. Me parte em dois, três ou quatro pedaços. Me perco onde eu deveria me achar, sem ao menos sair do lugar. Prego sermões intermináveis sobre como a vida deveria ter sido se não houvesse o se.
Se eu lembrasse de ligar para o meu irmão, esquecesse o pai desastroso, a mãe doente, os amigos que tenho, os presentes, as roupas, a parafernalha toda, será que assim o passado deixaria de ser uma veia saltada para tornar-se uma fotografia? Simples, inócua, pendurada na parede ou exposta na estante do quarto. Um vaivém sem fim.
Ele não perdoa, o passado. Me parte em pedaços como seu fosse oco, feito de vidro vagabundo. É, Silvya Plath bem disse as palavras "as vezes acho que não sou sólida; que sou oca por dentro".
E é nesse "oco" que os sons do passado se reviram, como um túmulo.

Sunday, March 30, 2008

Dirty

Houve um tempo em que eu me forçaria. Houve um tempo em que eu tentaria arrumar gavetas, escrever poemas e fazer loucuras na madrugada. Houve um tempo em que eu tentaria reatar a vontade com o acontecimento.
Esse tempo passou, acertou os ponteiros com outras coisas. Esse tempo correu para outros lados. Eu poderia supor e ter outras idéias. Mas houve um tempo em que me desgastei com tentativas, com força e com vontades que resultarão em outro tipo de matemática: a soma de egos.
Nos dias de hoje, outros tempos, outras cores, eu tentaria mesmo em saber se restou alguma coisa sua dentro de mim. Talvez um gosto, um jeito de me fazer estremecer, um gozo na memória, uma forma estranha de me fazer rir. Dentro de mim. Pode ainda restar um pouco de você como vestígio de passado querendo reviver o presente. São tempos. Tempos que não voltarão. Tempos que se transformaram em outros tempos.
E no seu tempo, será que ainda restou algo de mim dentro de você?

Wednesday, March 26, 2008

There is a moment

Uma linha que constrói lentamente todo o processo.
A linha se forma, lenta e as vezes de forma rápida e indolor. As vontades afloram, as situações se agravam e tudo é tragado direto ao vértice.
A tal linha. Maldita, bendita linha que se fortalece nos dias pesados, nos dias felizes, na cara virada ou na tentativa de elaborar uma palavra.
De onde vem essa linha? Vamos culpar os magos, os mágicos e, por que não, culpar os astros? Seria sonhador dizer que a linha vem por força oculta? Adoramos as auto-ajudas e ela nos é bem vinda. Tão bem vinda que ela traz a linha; o fio condutor.
A tal linha. Não seria ela uma linha que liga os fatos da vida, acontecimentos, vida mesmo? Talvez seja. Talvez seja os astros que vão nos influenciando, conduzindo aquilo que não está ao nosso alcance e por isso, deixamos que a linha venha e conduza.
E esses astros? O que seriam? Seriam eles o novelo? A linha? A própria vida..?

Saturday, March 22, 2008

Sophie´s Choice

Sonhei com algumas coisas. Sonhei com vontades e desejos que ficaram para trás. No meio do caminho, na vontade de vida e na pulsão de cores. Espalhei pelo quarto, na noite profunda, a escolha que me deu o sonho. Dois ou três passos para frente. Espalhei como líquido aquele sonho pelo quarto.
A escolha. Toda escolha que façamos, seja um simples ordenar de coisas, não importa; a escolha indica 2 caminhos. Lá na frente saberemos se a escolha foi correta. Eu, ainda pensando no sonho, fiz algumas escolhas. Dentre elas, apenas a escolha de parar de sonhar.
Você também fez uma escolha.
Espero que não se arrependa.

Sunday, March 16, 2008

Cause i believe in you

Começou a chover. Parece que o tempo, de fato, mudou. Mudou para outros tempos, outros lugares, novos ares e perfumes, outros perfumes. Está frio também. Isso me lembra outra época. Novas memórias. Mudar para aquilo que nos traz outros trilhos. Eu acredito em você.
A rosa que desabrochou essa semana, branca, grande e esperançosa. Algumas milhas longe de casa. O eterno retorno das coisas que almejamos. Não, não é luxuria.
É o mais puro tesão por aquilo que está por vir. O Antes e o Depois. Mas eu acredito em você. Acredito no supremo e nas forças da divindade. Sou cético, mas acredito em você e nas escolhas que fez. Quem dirá o contrário? Quem poderá saber quais foram os motivos? Pela dor, pelo amor, pelo passado que me persegue e pelo presente na palma da mão. Eu acredito em você. Acredito no meu amor, no sentimento latejante e no pulsar do meu sangue. Os amigos que restaram, fome, sede, os amigos que foram e a saudade.
Eu acredito em você;

Tuesday, March 04, 2008

Today

Hoje eu acordei achando que o mundo estivesse parado:
carros enfileirados, quentes e impacientes. o céu limpo sem nuvens e sem cor de chuva. alguns estilhaços no chão, o celular sem sinal e a vida meio parada. aos poucos o que era feito, foi intensificado pelo sol que batia forte, como se as sombras não mais existissem para dar lugar à realidade pouco mágica.
Hoje eu acordei achando que o mundo ia explodir:
os corpos empilhados. o calor queimando a carne exposta que em minutos havia se tornado alimento de inseto. os carros virados e a fumaça ultrapassando o limite do céu e da visão, formando grandes nuvens de desespero. Hoje, por hoje, a vida parecia ter parado. Meu coração, havia parado na mesma esquina por onde passei tantas vezes sem te ver.
Hoje eu acordei achando que o mundo havia se transformado:
parecia sonho quando eu beijava você na rua. quando por segundos eu encontrei no seu corpo, o meu corpo. no calor que não nos atingia, aquilo parecia o real. o real que não se manifesta fora do corpo, fora da nossa saliva, fora dos olhos perplexos por tudo o que se sente, por dentro e por fora. Eu, que esperei o sonho, virei realidade do lúdico. Eu e você, por instantes, ali, naquela esquina.
Hoje eu acordei achando que o sonho não era sonho:
tive apenas um sonho. do caos à vida. apenas um sonho.

Tuesday, February 26, 2008

For Maria

Sabe Maria aquele velha vontade de mochila? Estranho como é esse vaivém de sensação...eu, por vezes, sinto isso. É quando as coisas andam em linhas tortas ou quando a maçaneta da porta emperrou, sem motivo aparente. Eu pensei e re-pensei. Tudo o que se foi, onde foram parar os planetas e as estrelas-do-mar. E conclusões vieram sem dar nenhuma explicação. Por que é mesmo que o passado tem que ser tão amigo da memória? Não podemos ter um passado só daquilo que foi?
Sabe Maria tantas as vezes que conversamos sobre o fim das coisas? Eu hoje pensei sobre o fim das coisas. Sobre o medo de perder, perder o pouco que restou, sem saber exatamente o que é esse pouco. Meus braços são longos demais, por isso eu os deixo alcançar lugares onde não se deveria alcançar. E eu parei de comer a beirada dos dedos por puro prazer de ver minhas mãos em estado de perfeição. Outro dia, jogaram fumaça de nicotina nelas. Tudo, sem razão de ser. Essas coisas que tanto pensamos, por longas horas e longos dias, hoje e ontem começaram a seguir o caminho. Será que tudo tem que ser marcado pelo ponteiro?
Sabe Maria hoje é data de aniversário. Não, não do seu. Aniversário. Só o aniversário. Ela era pisciana, como tantos são. Diferente, porque era minha. E hoje é aniversário. Hoje, dia quente de semi verão, eu tentei usar uma roupa diferente, mais bonita; ao invés disso, sai andando como se estivesse nu, sem saber para onde ir ou como ir. Faz falta. Quando eu penso que estou sem a corda para jogar na outra margem do rio, penso em você. Me esgotaram as vontades. Será que fui vencido? Será que venceram-me? Sempre pensei que em um jogo, o jogador nunca é a peça que move, mas a que fica parada. Hoje, não sei mais como me mover no tabuleiro. Preto e branco são apenas cores neutras. Uma de ausência e a outra, infinita. Será que ao invés de ir para a direita, acabei confundindo tudo dentro de um cubo; idas e vindas. Hoje é aniversário. Eu tenho te visto pouco. Eu tenho ouvido pouco a sua voz.
Sabe Maria, você tem o mesmo nome dela. Você exerce o mesmo poder de me pôr no lugar.
Sabe Maria, hoje é aniversário dela, da Maria.

Sunday, February 24, 2008

My favorite addiction

As evidências não enganam. Aquela estranha dor no peito, a vontade de correr, o sonho quase perfeito se não fosse pelo despertar, a soma de medos e vontades; aquilo que dá alegria, mesmo não sendo feliz. Sinais de que algo está estranho. A força de se arrumar, de entrar pela porta aberta e deixá-la aberta. Sem freio, sem vontade de parar. Os sinais e as evidências.
A dor de que algo possa acabar. A dor de que algo possa começar. Do início ao fim. Aquele meio perdido entre correrias e vontades que terminaram num grave acidente. Feridos, recuperados e cicatrizes. As evidência, não, não enganam. Sabotamos a vontade, escondemos o olhar - e o movimento de suas direções, e antes mesmo que possamos perceber algo nos empurra bruscamente para outro lado. E reiventar uma história, escrevê-la como achamos que ela deva ser contada, isso, isso sim evidência de que algo atingiu graves consequências. É o vício, a droga mesmo que percorre o sangue e o corpo. O vício. Esse, é o meu vício favorito.
Quem pode me culpar por entregar flores e remeter cartas sem destino? Quem pode me culpar por querer a droga como organismo físiológico? Sim, deixa essa droga em mim. Antes ela, do que sem ela.

Thursday, January 31, 2008

Dearest

'Dearest, I feel certain I am going mad again. And I shan't recover this time. Das fontes obscuras em que retive verdadeiras sensações de prazer e dor. Naquele armário secreto, repleto de entulhos, passado e presente se completam como um círculo do qual jamais saímos. Escondido nos escombros da verdadeira máquina de sonhos, ali jaz o real.sim, o real; este que escondemos atrás dos olhos, na penumbra de saber por si só. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness Escolher o real escondê-lo como arma secreta, esse é o truque dos mestres do disfarce. You have been in every way all that anyone could be.E ouço ainda mais perto a voz de Cortázar dizendo que o real é apenas fantasia da mentira. Ouço ainda muitos outros e outras dizendo que o caminho certo é saber pontuar as frases. Sentenças, que podem ser igualmente a escolhe da vida, a opção de viver e sentir. Mas o que é mesmo que eu estava querendo dizer? Cortázar, sempre capcioso, roga para que eu discurse sobre o mundo em que vivo, pois ele me atormenta nas noites de insônia. O escorpião encurralado entre as labaredas do fogo céltico. Mas é da realidade que vive a fantasia. Sem ela, o que seria da manifestação onírica se viver aquilo que não se vive. Respostas infundadas; esse é o sonho. . I don't think two people could have been happier till this terrible disease came. I can't fight any longer.Esse é o caminho do desespero.
O que seria da fantasia sem o real? E por longos períodos, Virginia revelou-me a dura verdade.
I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that - everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Ainda me disse que por muito tempo ainda, restaremos no tabuleiro, como peças de um grande jogo: o jogo que é viver. Jogos da amarelinha, jogos de sedução e todos postos no tabuleiro do real.
Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer.
I don't think two people could have been happier than we have been.

V.'

Sunday, December 02, 2007

No one

O ano que começou lento, termina rápido. Aqui, registros, declarações, amantes inventados. Tudo que foi perene. Antes e depois de tudo que começou. Pela estrada a fora. Tudo o que poderia ter sido e não e o que foi e não deveria ter sido. Ainda restaram alguns minutos preso em alguns instantes, mas isso é poesia de outra ordem. Hoje, ficou aquela antiga vontade, mais forte do que nunca de ir embora. De me afastar. E mesmo ouvindo aquela frase, tu não te moves de ti, eu ainda sinto que a partida, enfim, chegará. Para quem lutou e perdeu. Quantas vezes podemos nos recuperar de um tombo? E quanto mais poderia bater o meu coração? Amar, tornou-se o fardo dos fardos. Algo como o costume em perder. Só um registro mal desenhado, meu e daquele que amo.
Demorei, talvez, mais de um ano, ou 23 anos, para descobrir o que é realmente o amor. Enfim, chegar esse sentimento. E quando descobri, terminei comigo mesmo. Por onde olho. Minhas paisagens, todos aqueles que beijei, que dormi, que me aproximei. Ninguém conseguiu realizar tanto quanto você fez, em tão pouco tempo, dentro de mim. Encontrar uma parte, um fragmento de quem somos. O amor que nos deixa altruístas. O amor que me fez querer ser melhor e largar velhos hábitos. O amor que nasceu precoce. O amor que me engrandeceu e me fez tremer. Mas é o mesmo amor que fez com que eu chorasse. Por vezes de felicidade. Por vezes, de tristeza. Aqui, só um registro. Escrevi pouco dele, pouco do amor, pouco de mim e do passado.
Mas deixo aqui, o registro desse blog que me acompanhou. Ele ficará aqui, mas sem a minha mão. Só, como um dia ele começou. Deixo às canções tudo o que fiz.
Me despeço já com saudade. Enfim, foi uma cria.
Deixo aqui, meus pequenos registros. Deixo aqui,
um pouco de mim.

Saturday, December 01, 2007

Declare, a little thing called

Quantas palavras em um único momento podem se formar. Em um único momento, em pequenos, longos, instantes. Do sonho, do dia, do cotidiano. Tudo vai se formando com símbolo, signos, matéria próxima do real, misturados à paisagens idílicas. Tudo como deveria ser. As páginas que eu viro acumulam-se dentro dos pensamentos mais doces, como se os instantes pudessem ser duráveis, ou mesmo, não ter duração alguma. E um signo se forma, a partir de um pedaço do corpo, de uma sensação. Metafísico. Eu seleciono a imagem e formo a palavra. Para a boca, os olhos. Minhas partes favoritas. Invento um nome. Um nome que represente. Um nome que seja fiel àquilo. Tudo o que eu posso dar, são as minhas palavras. Isso tudo é um momento. Que mais poderia ser?
Quantas palavras se formam dentro desse único, peculiar, momento. Apenas três, três curtas palavras. Talvez já saiba. Talvez eu saiba.

Wednesday, November 28, 2007

Se é verão...

Ligo o rádio. Uma estranha, porém familiar, música está tocando. E será mesmo que deveria estar assim tão quente? Certos sons, aqueles mesmos que remetem a tantas coisas, são como fotografias. Talvez sejam mesmo as fotografias capazes de captar não só momentos, mas verdadeiras alegrias. Eu tenho essas fotos.

Entre as fotos, o sono, o derradeiro prazer de saber, sentir, ver. Um dia frio e outro quente. Há quanto tempo sem ter o que escrever e por isso saio por ai falando do tempo. Pouco interessa o tempo, as nuvens, as chuvas e até mesmo o frio. Se é verão, que faça calor. Cada coisa tem seu lugar de ser e existir. Se existe é porque deve ser.

Friday, November 23, 2007

Close your eyes

Tudo pode ter um truque. Talvez eu tenha vários. Como mágica, como um mágico. Eu sei que, por exemplo, água e detergente podem fazer bolhas de sabão. Sem mais nem menos. Elas podem e voam, mas estouram ao atingir certa altura. Deve ser algo relacionado com a química do detergente e da água. Mas são apenas bolhas de sabão. Às vezes podemos fazê-las, outras não. Sempre que precisar: um copo com água, detergente e um canudinho. Simples.

Sem as bolhas, tudo pode ter ou ser um truque. Ilusão de ótica. Maestria de quem sabe tirar coelhos da cartola. Sem cartola. Sem vontade. Serrar pessoas ao meio. É o mundo da magia. Ótica. Truques na manga. Em espera. Hold on. Plug play. Eu sei exatamente onde posso ir. Foi, talvez, fantasias. Mais do que eu imaginei ter. Tudo pode ser um truque.
Desvendar uma magia. Ela só vale enquanto dura, porque ela é mágica. E não outra coisa. Ela é fantasia enquanto dura. Só. Um truque.
Talvez dois.

Thursday, November 22, 2007

Esses sonhos, plantados à força, os sonhos intermináveis. Senti-los como melodia, como sinfonia orquestrada a sete ou oito cordas. Esses sonhos. Como abrir um livro pela primeira vez. O espanto das palavras. Das frases. Dos sentidos. Pela primeira vez. Erguer-se do sonho, esses valores que prezamos por tantos anos. Por fim a tudo, recomeçar. Andar meio metro e ainda saber que faltam quilômetros. Eu espero por sonhos. Estou tentando não tê-los, como os tive avidamente. E mesmo quando tudo desaba, ainda podemos criá-los, um a um.

Meu sonho, meu estar, pesar, sentir tudo dessa forma. De intensidade em intensidade. Esses tais sonhos.

Wednesday, November 21, 2007

Default

Sentir-se na derrota. Na parte mais baixa. Onde fica mesmo aquilo, a coisa, aquilo que nos prometeram?
E eu preocupando-me com os outros, acabei esquecendo de mim. Deixei escapar as construções, frágeis. Eu pensando no amanhã, quando era tempo do agora. Sem mais, nem menos. Às pressas, agarrando as paredes, sangrando os dedos de tanto lutar. A luta, a resistência, a batalha que travei, em vão, as barreiras. Para onde foi? Ainda resta um pouco mais. Talvez mais do que eu saiba. As construções, como as fiz, todas frágeis e pouco, pouco, pensadas. A vontade de chorar. Será que isso faz parte do novo? O novo, pelo novo. Pela estrada, pelo caminho que agora novamente me libertou. Me lembro das travessuras de criança e como era, ou parecia, tudo mais fácil. Entre as pedrinhas, a corda, as rodas da bicicleta. Como éramos crianças. Quando éramos apenas o que escolhíamos ser. E tudo seguiu. Foi indo. Os pés cresceram, o corpo mudou e a voz parecia ter amadurecido. Será que era para ser tudo assim?
Acabei esquecendo de prestar atenção nos adultos. Coisa de criança. Perder não é tarefa para qualquer um. Perder, ou ter perdas. E quando parecia que havia apenas uma, tive duas, três ou mais. Quem disse que seria fácil? Ou dissemos a nós mesmos? Quem disse que contos de fada realmente existem? Parei por um momento. Entre as forças que me deram. As poucas que consegui juntar. E realizar, construir, fazer acontecer a vida estando sozinho é difícil. Inexplicável.
Como é a sensação de olhar para a porta do quarto e não ter ninguém. Ter apenas as lembranças, os fantasmas do passado, a força dos olhares. Mas é apenas o começo. O começo para que eu um dia observe melhor os adultos e, sozinho, talvez, tenha mais crédito pelo que eu conseguir.
Momentos que podem passar. Rápidos ou lentos. Estou à espera. Vontades.
Que mais?

Monday, November 19, 2007

A new thing

O mundo pode se transformar. Se há na própria vida um tal crescimento, resta-nos o poder de mudar. Sentir tudo como se fosse a primeira vez. Vez essa de mudar. Aquilo que não serve e lembrar quem realmente somos. Eu passei mais de um ano entre o "quem sou" e o "quem serei". Foi a abertura de um palco, para palmas, risadas e vaias. E eu esperei tão pouco de tudo. Mas ser maior do que se é, pode ser dificil. Enfim, complicado, como sempre foi.
Mas há o fator do novo. Quem disse que eu sou assim? Hoje me veio, aquelas pequenas, curtas e sinceras frases. Foi como se eu realmente tivesse estendido a mão e, sem perceber, você segurou e me disse tudo aquilo que eu esperei mais de um ano para ouvir. E, talvez, como o relógio já nos enganou, eu conseguir me ver. Ver tudo aquilo que só você enxerga. E cá estou, devendo muito para quem eu sou. Devendo às pessoas que eu amo e que deixei para trás. Vou carregar ainda alguns bons tapas que levei. Aquilo tudo que eu ouvi sem querer e que me magoaram. Mas você, simples como sempre foi, conseguiu me tirar desse lugar que eu estive por muito tempo. E ninguém mais poderia fazer. Só você. "E desde quando você se importa com o que os outros dizem?"
Mudar, instaurar o novo, a vontade de ser. Largar tudo aquilo. Ser, voltar a ser, estar sendo e ter sido. Acho que é uma promessa. Essa a de mudar. E de repente tudo passa a ter um sentido outro. Os livros de filosofia na estante. Os poucos textos que escrevi. Eu escolhi bem. As palavras que sei usar.
Uso-as para mim.
Deixo que o resto, diga por si só.

Tuesday, November 13, 2007

Os livros permaneciam empilhados na estante. Um sobre o outro. Algumas fotos esquecidas mediavam o pequeno espaço entre eles. Aquele lugar era segredo. Ocultava os mistérios dos momentos em que Julia sentava na cama, abria a primeira página e lia com gozo infantil o primeiro parágrafo. Um sobre o outro, os livros pareciam querer contar a vida como se eles fossem feitos de um presente, tomados pelas recordações assentadas entre as capas e as páginas. Há tempos que estavam ali naquela estante torta de madeira barata e sem cor. Alguns com as bordas rasgadas, outros em estado de emergência, mas empilhados uns sobre os outros. Os marca textos queriam poder ter chegado ao final, mas ficaram parados naquele tempo da preguiça em terminar o primeiro parágrafo; outros, afortunados, ultrapassaram a página vinte ou trinta, na melhor das hipóteses. Ali naquele espaço de tempos, todos guardavam em si um segredo e uma vontade. Pareciam ter vida. Em alguns, Julia deixava um registro a lápis, quase como se fosse uma borda para a primeira página. Eram rabiscos, desenhos tolos e pequenos poemas. Em casos raros, circulava palavras que lhe interessavam como “falácia”, “promontório”, “amor”. Mas estavam ali, obscuros, empilhados uns sobre os outros. Julia passava as mãos lentamente por eles na tentativa de senti-los respirar. Esquecia-se de ordena-los por título, autor, ano de publicação e assim deixava apenas uma ordem de chegada. Na compra de um novo título, corria a colocar o exemplar em último lugar, pois assim sabia que não haveria a obrigação de ler ou catalogar. O pó seco que vinha pela janela alojava-se como um inquilino vitalício e o sol raras vezes alcançava a estante. O tempo corria sem sentido naquele lugar de assombrações. Um a um os livros permaneciam empilhados na estante, entre as recordações e o passado. Presos no espaço.

Saturday, November 03, 2007

O Passado

Naquilo que fica na estante, entre o que foi, o que é e o que sempre será. A vida, como caminhos, como escolhas de um deserto infindo de possibilidades de montagens, colagens, paisagens e tudo o que se quiser plantar. A colheita daquilo que somos. Entre todas as fotos que mesmo jogadas ao chão, recortadas e amassadas permancessem no coração, no sangue quente e nos olhos lacrimejantes.
As lembranças que permeiam o coração, sempre selvagem, daquiles que amaram, foram amados e serão sempre amáveis. Eis a recordação. Somos o que amamos. Talvez não. Talvez seja apenas o romance medieval que é-nos corpo, matéria viva da carne, cindida, perdida na busca do irreal, do que sabemos palpável que é o amor. A loucura de ter tido e não mais ter aquilo que tanto se buscou como tesouro perdido. E no fundo, quem nos restará para dizer que o amor, o antigo amor, será o supremo momento de se ter vivido?
Será sempre, como sentimento único, raro e doloroso, momentos de felicidades, de apreensão e sabemos, ao amar, que viver pode ser uma dupla. O sentimento que nasce e é irreconhecível, como mistério, alquímia do corpo, tudo o que fica entre o livro perdido, a foto rasgada, as lágrimas e os risos. Um dia se foi. Outro dia novamente será. Será, seremos, serão. Verbos de muitas declinações. À espera de se ter um outro na cama. Mas O Passada rege o que será o futuro. O passado será a lembrança para aquilo que se espera ser/ter/amar/viver.
Os filhos no jardim e loucura de se reencontrar um grande amor. O primeiro amor de muitos, será, futuro, amor de outros. E ficamos assim, no meio, na história com começo, mas sem fim. Como somos; a vida que separa, leva, traz, mata e acaricia o desejo e o despertar de muitos, muitos sonhos em vão.
Naquilo que fica na estante, há o sonho. O amor.
O passado.

The Assassin watch

Eu jamais serei óbvio. Tudo o que eu não digo, o que eu digo e gostaria de dizer. Pouco óbvio. Envolve em mistério, as palavras que seriam tão simples. Seja esse um problema de expressão. Não saber se expressar. Ou seja esse um puro artifício da retórica.
Mas é isso. Uma simples defesa da fala. Porque no fundo eu sei o resultado que virá de muitas situações. Como quando sonho repetidas vezes a mesma coisa. Como hoje. Mas na vida, têm disso. O tempo pode ser cíclico, sempre. Vai e volta. Os mesmos erros como se estivessem jogadas no mar. A onda leva e traz, sucessivamente. O relógio assassinado na parede não nos permite contar o tempo nem o mundo. Ele é o que é. Sem mais nem menos. É só mais uma vez.

Thursday, November 01, 2007

It´s Just the Price I Pay for it

Hoje é o dia de dizer “parabéns”, “feliz aniversário”, “muitas felicidades”. Eu disse.
A comemoração por 26 anos de vida. Contar, como se fossem ponteiros, os anos que nos separam do ventre e nos coloca entre o útero e a morte. Ao meio, partidos, cindidos, permeado de sonho. O que se formou dentro de 26 anos no espírito, no corpo, no discurso que foi se criou por meio de lágrimas, risos, vozes, tudo o que eu vi, ouvi, deixei de ver, deixei de ouvir, amei, deixei de amar, ganhei, perdi.
Tudo aquilo que se formou dentro de mim. Tudo aquilo que sou, que poderei ser e que um dia deixei de ser. “Feliz aniversário”. É o dia de retrospectivas, de abraços e apertos de mão, beijos e de anseios. Como se eu tivesse o dever, nos próximos 12 meses, de fazer o melhor, dar o melhor e ser o melhor. A cobrança que vem sei lá de onde. Talvez sejam os olhos Dela em cima de mim. A falência de uma paternidade. O horror. Enfim. Dia feliz. Vamos celebrar. Em um ano, me deram tudo o que eu não quis ver ou aprender. Como uma bomba. Jogaram-me a vida. Aprendi, meio tropeçando, pouco daquilo tudo. Ainda há, assumo, estilhaços espalhados por todos os lados. Estilhaços de erros e acertos. Por cima da cama, pelos cantos do quarto, entre os livros, na musica, nos quadros e nas roupas. Ainda resta um pouco daquilo que um dia eu fui e que jamais serei. Depois de dois lutos, duas perdas, alguns ganhos, tapas na cara, tombos, porradas, machucados, dei e distribuí muitos risos, alegrias e algumas lágrimas. Seguir em frente. Tenho mais 12 meses. 12 sonhos, 12 vontades, 12 manias e 12 erros. Tenho mais uns 26 anos para ser o que sonhei ser. A vontade dos outros. Que se foda a vontade dos outros. Fodá-se. Toca pra frente. Segue em diante. Sempre de cabeça erguida. Pedante mesmo. Como sempre fui.
Tenho hoje no meu coração, muitos outros. As pessoas que me ergueram. As pessoas que me deram força, ensinamentos, risos, tristezas. Todas aqui dentro reunidas. Esse ano, esse ano descobri algumas pessoas. Algumas partes de mim que estavam espalhadas pelo mundo. Tão perto e tão longe. Essas pessoas, umas nem sabem, mas são importantes na minha vida. São 26 motivos para contar. 26 vezes que eu precisei. 26 vezes que me fizeram rir. Queria colocar o nome de todos aqui. Não vai caber. Mas eu queria dar às palavras do meu texto nome de vocês. 26 vezes multiplicadas por mais 26. Esse ano. O ano em que descobri muito do que eu precisava. Caçador de tesouros. Caçador de vontades.
Enfim. Tem muito ainda do ano em mim. Fodam-se os estilhaços. O peso: mais 12 meses.