Thursday, September 13, 2007

Sun in the sun

Me canso de histórias. Me canso daquilo que se perde em caminhos tão perfeitamente traçados. Sim, os caminhos, deveras inseguros, me cansam. Facilmente, o sol batendo forte de faca amolada no rosto, no peito e nos braços; o sol me cansa.
E talvez agora eu esteja entendendo muito de histórias. Revelações, sentimentos, alguns incertos, mas estou entendendo. O que é dor, o que é sofrimento e para cada um, uma alegria diferente. Será que tudo isso pode mesmo ser racional? Eu que sou tão emotivo, poderia ser minimamente racional? Questões infundadas. Apaixonar-se é racionalizar os motivos do sentimento. E será que há mesmo algum motivo? Quem sabe exato o que é apaixonar-se? Seria o desejo? Aquela vontade de fúria em abraçar, sentir o cheiro, o sabor da pele, passar as mãos pelo corpo trocando aquela energia e deitar, deitar-se sobre o corpo, deixando que o calor ultrapasse o espaço físico, tornando-se suor, cheiro, cor e vibrações.
É tanto. Tanto.
Não sei como descrever. Algo como estar relacionado ao sol, ao sol dentro do sol. Assim como estou por você: o sol dentro do sol.

Wednesday, September 12, 2007

Waiting for the Devil and the Moon

Leves tendências. Eu digo aquele adeus, aquela vontade imensa de jogar no ar pequenas pétalas de rosas virgens - vermelhas. Antes da voz, tem o som preso ao pé do ouvido. É lá, é nesse lugar que minha vida existe. As representações de pássaro e pétala que sou. Moro nesse lugar do adeus, porque estou sempre dizendo adeus. Sinto como uma dança essa coisa do adeus. Àdeus. Vontade de sentir-se como pétala. Como lua e como o próprio diabo.
O que transcorre da vontade de ter uma noite de sono tranquilo, como esta. Dormi e sem mais. Antes o pedido, depois os sonhos que não me lembro quais foram. Só a vontade.
Adeus, por deus.
Leves tendências de dizer adeus, ou de trazer cada vez mais perto de si, o presente.
Me visto de cores, pétalas vermelhas. Um pouco exagerado, mas ao vento, como as pétalas.

Tuesday, September 11, 2007

Go on and fool me

É nos sonhos que eu tenho você. É nos sonhos, pesados talvez, que eu consigo alcançar sonho-de-vida. Linguagem de emoção, sensação de ter tido, sem ter tido. Em verdade é assim. Os sonhos serão sempre sonháveis. Estranho. Estranho ter tido, mesmo que em vigilia, e acordar sem. Parece, por vezes, que meus olhos se cansam para que eu durma e tenha tudo isso que deveria ter na vida "real".
Mas isso é a velha mania de fantasiar com o proibido. Mania de séculos, mania de 25 anos. Talvez 23. Eu fantasio. Sonho com você e acordo feliz com o sol batendo na cara. Mas sonho com você e entristeço quando descubro - "Foi apenas um sonhos". Sonhar tem disso. Mas eu me engano fácil. Tenho sim a tendência louca à depressão. Ninguém sabe e ninguém vê. Passa em questão de horas. A depressão por coisas pequenas. E esse sonho que é tangível...Enfim. Viver de sonho. Quantos maneiras de escrever isso eu encontro por dia. Mesmo que acordado, recosto, deito, sonho, vejo sinto aqueço na loucura sem ponto e sem vírgula devocêexclamaçõeseecosdesonhosintermináveis. E m s e g u i d a p ar o e me recupero. Coloco o ponto e a vírgula. Um pouco de lado emocional.
É, sentimentos são assim. E a noite tem sempre mais:

Monday, September 10, 2007

Destin(action)

Ser sincero, verdadeiro mesmo. Que tarefa é esta que nos impõe à alma, do mundo que nada se leva. Ser intensamente, viver com este lado tão emocional que se coloca à frente de tudo e todos; a emoção que vem da pele, dos poros e da vontade imensa de ser um poeta romântico.
É difícil. Tarefa de mitos. Estou sempre a procura de saber o que dizer, como dizer, agindo de forma incalculada, descompassada e, enfim, não saber quando é hora. Eu me vejo perdido entre palavras que circulam meu pequeno pensamento. Me vejo perdido no momento de dizer, sem pormenores...
E isso pode ser coisa de destino. Coisa calculada, perdida fora da razão. E isso tudo que vem em terremoto, desenfreada mesmo. Sentir algo que é novo pela natureza do acontecimento. Sentir cada vez mais. E ainda aquela urgência em dizer, gritar em alto e bom som. Coisa do destino! Destino? É sim, o destino que me prega peças, que me faz de ator circense e degola minha pouca racionalidade. Em destino eu encontrei, encontrei e fora de rumo. Essa coisa toda. Não sei quando, como e...
Tarefa difícl essa coisa doce de ficar feliz no seu sorriso. Tarefa difícil essa a de me manter o sentimento no escuro; tarefa difícil essa a de não deixar...tarefa difícil essa a te me apaixonar pelas suas mãos ou pelo cheiro da sua pele. É, tarefa essa difícil de não te contar com voz e som.

Thursday, September 06, 2007

Take easy. Take it hardly

Calma. Explicar pode ser uma tentativa. Quero traduzir tudo isso naquela antiga vontade, lembra? A vontade de malas, de calças curtas, de sol no rosto e, possivelmente, insustentável leveza de ser. Calma. Vamos por partes. Primeira esta: existe segunda chance? Depois a outra: por que mesmo só os pássaros podem voar?
Calma, deixemos de lado tudo isso. Vamos partir em busca de terras distante, dentro de sonhos impossíveis, mas realizáveis. Eu ao seu lado. Encosto, esse suor preso na tua mão. Em dias quentes é assim. A janela semi-aberta; pela fresta o sol, ávido, tenta alcançar um pedaço da cama.
Calma...

Wednesday, September 05, 2007

Broken

Do corpo quebrado, corpo doente, as horas do dia parecem pesar. Semana. Semana de muita coisa. Semana que não termina. Saudade. Semana. Trabalho. Preocupação. Semana.
Eu quero descansar, talvez no seu colo, sim eu quero descansar no seu colo. Porque é tudo assim, do jeito que planejei: deitar no seu colo. Sem pretenção. Sem dor e sem lamúria. Hoje, amanhã, tarde e noite. Do que mesmo estou falando? Sim, de você. Sempre. Frouxe de rir. Esse blog é assim. Ele passa de temperamente à temperamente sem velocidade. O passado na estrada. O pé na areia. É faz falta. Ela faz falta. Muita até, eu diria. Eu gostaria que ela tivesse conhecido você. Mas ela conhece.
Do corpo quebrado, cansado, doente. A vontade e a alegria de você. Isso é peso? Isso é pena de bicho ávido e elegante. Algo como o cisne tatuado no meu braço esquerdo. Sua letra.
Cadê? Fim do dia. Começo do dia. Um gole de água. A descida árdua. Começo do dia.
Do que mesmo estou falando?

Frouxo de rir

Quer dizer, minha sombra pode se multiplicar. Ainda pelas vitrinis, o Chico me diz "é como um dia, depois de outro dia". É tão simples. Quer ver?
Aquela antiga frase do "nada é para sempre", em verdade é um bicho papão. Dizem para assustar, para que possamos, bestilmente, nos agarrar aquilo que se tem no conformismo, no rebanho, na atitude "correta" - espelho do infeliz. É o conto de fadas. Sem divórcio, sem brigas e pelo amor de deus, fique com alguém. O problema está no sozinho. Ah, como isso é demoníaco. Bom, certamente há um resquício de verdade na famigerada frase. Ao que me parece, a verdadeira semântica disso seria realmente a tal da pragmática. Realmente nada é para sempre. Claro! Acreditem. Nada é para sempre, pois somos ciclicos, mutáveis e instáveis. Como poderíamos então acreditar que tudo é para sempre?
Tolos!
Bom mesmo é ver que aquilo que não ficou para sempre mudou, virou outro - outrar-se. Sim, juntos jogamos tudo fora, agora nossos pés não se enroscam mais e eu não enlaço o teu vestido. Dei pra sonhar, sonhei, acordei e agora sonho novamente. As travessuras das noites eternas se tornaram retratos, belos retratos de memória. Tornaste a sorte pelo chão para que outro a pudesse aproveitar. Sorte! Nem é sorte. É outro. Fulgás. Meu sapato, enfim, não pisa mais no teu.
Agora é ser religião de si, veracidade de conclusões e vontades para serem feitas.
Quem acredita nisso? Só eu?
Retiro meu olhos. Agora é eu e você!
E eu, depois disso, frouxo de rir!

Tuesday, September 04, 2007

Os letreiros a te colorir

Eu quero canção. Quero canção de amor-amar. Sim, você pode ser letra enquanto eu, vigia, protelo momentos de amplidão. Vamos ao microfone anunciar temas de amor-amar. Quantas pedras sem vestígios nos deixam passar. Quero colorir, esse letreiro sim, essas vitrines que refletem sua silueta. Ansear pelo seu lábio, ou pelo calor da sua pele. Assim são as canções que me tocam.
Eu avisei, avisei ao meu corpo que ele é seu. Avisei em sentimento-sentidos que eu colori você no meu pequeno caderno de desejos - aflição. Com você despedaço, me desfaço - enfim, sou eu mesmo!
Eu quero canção. Já a fiz para você. Escute-a. Esta na ponta dos lábios. Entre eles está você...

Monday, September 03, 2007

Num fundo de armário

Tem algo, dentro de cada coisa, tem algo. É real e deveras verdadeiro. É assim que deveria ter sido? Se assim o fosse, teria acabado? Quantas questões que não serão resolvidas. Eu sei como medir cada coisa. É o sentimento. Tem algo maior no espaço, pequeno, que separa nossos corpos. Há algo maior ainda entre eu e você. Um mistério, um maior que não tem nome. Primeira vez.
É o anseio pelo toque no lábio, pelo suor escorrendo nas costas e pelas mãos enxugando-o. Confissão de travesseirom, essa que faço.
Tem algo. Maior que imaginamos. Aquilo que nos reserva na vida. Seja lá o que possa vir a ser vida, tem algo maior. Sabemos? Esquecemos? Eu e você.
Aqui e ali, dentro de cada coisa, dentro de cada sentido, as palavras, que mudamos, transfiguramos, vem isso e aquilo. Tem algo. E sim, a gente abre aquela avenida com nossos passos e vozes. Tudo se confunde. É bonito. Arrisco e não perco. Tem algo maior. Eu e você.
Tem algo maior dentro de cada coisa.
Eu digo, você repete e dizemos juntos.
Tem algo.

Thursday, August 30, 2007

New Ideas

Novas idéias podem surgir. Eu pensei em escrever, new york, mas a piada é sem graça. Novas idéias. Mas sempre vejo teu rosto, aquele seu jeito de sorrir e...
Bom, vamos falar de outra coisa.
Coisas que são pertinentes.
O ano está chegando ao final. Chegando ao final também estão as vontades quase explícitas. Querer e não querer.
Bom, vou dar uma dica de leitura.

O Passado - Alan Pauls - Cosac e Naif

O melhor livro que li esse ano.
Vale a pena

Wednesday, August 29, 2007

All...it´s Nothing

Escrever não basta. Nem mesmo dizer. É sempre aquela velha sorte que me em assalto. Arma apontada.
Rir não adianta. Pouca coisa resolve ou adianta. Aquele risco que era um alerta e que vinha todas as noites, por fim, confirmou-se. Sou amigo de premonições. Sou amigo do frio no estômago. E como sou, amante dos infortúnios. Sempre. Agora, que ao menos tive cuidado, preservei...
À razão, agradeço, como a poesia agradece as brutais palavras. Sim, obrigado a razão que me deram àqueles que fomentaram lágrimas em mim. Obrigado a esses também. Desejo? Como um armário. Paixões, amores, desgosto, e aquele velho, amigo, sentimento do desencanto.
Basta rir, porque no fundo os sinais foram fortes demais. O tempo fechou, está frio e volto, amargo, para a filosofia de que é preciso tempo. Certo que tudo pode mudar em instantes, algo mudou naquele instante, naquele momento; os olhos são inimigos da perfeição. Sim, eles, são.
Ontem que escrevi sim, hoje já nem sei mais o significado. Mal do signo? Ah se Pessoa me visse assim. Se Álvaro de Campos pudesse me aconselhar, certamente diria que sou mesmo a cadela de todos os cães. Natureza daquilo que não se nega, mas rejeita.
Não basta somente querer. Os olhos são inimigos da perfeição.
Eu teria dado o melhor de mim. Mas agora aquele muro se fez em concreto pesado.
Não pergunte o porquê. Sou assim.
Foi bom
enquanto durou, foi bom. Pelo menos o sonho.

Tuesday, August 28, 2007

I wanna say, but i dont know how...Do you?

Sim, quantas palavras, sim, eu poderia dizer, sim eu quero fazer, mas sim, não consigo nem ao menos formar um certo que discurso que diga sim.
Eu escrevi "sim", porque o som era esse. Eu digo sim, mas digo para você quando você não está. Sim, eu digo sempre sim, porque sim, eu queria que você percebesse, antes que eu pudesse...
Sim, eu aceito. Sim, eu aceito que somos isso e podemos, sim, ser aquilo ou qualquer coisa que o valha. Sim, você está para mim, como o coração está para o meu sangue. Sim, você possui tudo isso, transformou e sim, arranca o que há de melhor em mim. Lados sombrios ficam para fora, sim, você transforma.
Sim, sem talvez, sim, me diga como eu devo falar o que eu quero sem parecer tolo ou desnecessário. Ah, sim, você sabe que eu deveria falar e sim, a coragem é pouca, bem pouca. Pequena, eu diria. Sim, pequena.
Sim, eu sonho com você, porque eu digo sim todas as noites em que eu me pergunto mil coisas e só ouço, sim, vai lá que...
Sim, me diga como eu devo fazer. Sim, me diga sim também. Esse discurso que não sai. Eu quero dizer sim, mas há um não dizendo para não deixar esse "sim" ser um não mascarado.
Sim, me diz o que eu falo?
Sim, eu aceito.
Sim, é você. Só você. Sim, me fala?

Monday, August 27, 2007

Two Weeks Notice

Horas, segundo, momentos...

É...

Eu mando notícias.

Friday, August 24, 2007

Nothing Fails

Sim, tudo pode ser, um dia, renovado.
Este blog tem uma longa história. Estamos fazendo um ano. Um ano de separação. Um ano em que tudo mudou, desmoronou, criou futuros e nos levou para longe de onde começamos.
E esse blog contou todas essas passagens. Ele se fez e desfez. Contei muita coisa. Coisa que deveria ser só minha - intimidade castrada. Mas ele publicou tudo aquilo que senti. Eu procurei estar sempre pronto para o que desse e viesse. Me aprontei, fiz malas, joguei fora o maço de cigarros, cortei o cabelo, dormir e acordei. Fiz de tudo. Tentei ter de volta. Tentei recuperar memórias dentro da nossa amizade. Foi como ontem. Três dias sem dormir, comprimidos e 10 k a menos. Contei as horas.
Carreguei pessoas; viraram fantasmas. Ou talvez tenha sido eu que me tornei um espectro.
Vide de fantasmas.
Hoje acordo e penso no carinho que guardei para você, dentro do meu coração. Histórias assim não se apagam. Fomos felizes. Acabou e . Agora, hoje, é dia de lembrar só do que foi bom. Nossa história.
Porque hoje levo no coração um novo olhar; um novo alguém...levo ele no coração. Levo ele no meu dormir e no meu acordar. E porque eu prometi não ser platéia da minha vida.
Mas eu tenho ainda muito o que arrumar.
Esse blog, esse blog, contará tudo. Nos detalhes sórdidos. Nas mentes vazias e no meu coração que ele já preencheu. Sim, ele preencheu com aquilo que eu nunca imaginei: a surpresa de se apaixonar. Isso é outra história.
Esse blog comemora, sem feste e velas aquilo que me destruiu e refez.
Não tenho mais fotolog. Não faço jogos de vistas. Quem entra aqui sabe o que encontrará. Não quero, não faço, "dramas". A partir de agora é assim: no games.
Vamos comemorar.
Como?
Ah, isso é outra história.

Wednesday, August 22, 2007

Taxi Ride

O caminho pareceu longo demais. Chegar em casa, de repente, era como alcançar o topo da montanha - sentado no banco do carro, o volante segurado por uma mão enquanto a outra agarrava o cigarro, já no fim. Fileiras intermináveis de carros parados. Dava para ver somente as luzinhas vermelhas, por vezes piscando. As contas no banco do passageira; sim, ele as carregava consigo. As contas de dígitos imensos e nem tinha tido tempo de cortar o cabelo e fazer a barba. Havia uma lista de coisas para fazer. Mas tudo o que desejava agora era deitar em sua cama, dar boa noite para a mãe e dormir pesadamente, longamente, sem preocupações.
Ao chegar em casa naquela noite, ele colocou a chave do carro em cima da mesa, foi até a cozinha, tomou um gole de água, trocou de roupa, deu o beijo de boa noite no retrato da mãe e deitou-se.
No dia seguinte, o guarda-roupa vazio, alguns livros da estante faltando, a cama desarrumada, a chave do carro em cima da mesa e o retrato da mãe. Havia partido.
Longe, sentado na cadeira de vime, lembrou-se: preciso cortar o cabelo...

There is something behind it

Sentimentos que avoam por entre os carros pesados, as fumaças longícuas e todos, todos os tipos de transeuntes.
Eu, preso neles perco o rumo, me encaixo no ritmo lento de não entender diabos de nada. Eu, preso em resquícios, esqueço do trabalho que devo exercer. Exercer entre barras de ferro, lutas armadas e casas coloridas.
É, sem inspiração é assim mesmo. Sem vontade, sem força. Força. O que é isso mesmo?

Tuesday, August 21, 2007

A Sorta Fairytale

Dia frio. Dia de nuvens aglomeradas em duas ou três cores, como se elas não pudessem, sozinhas, multiplicar o céu. Ele é um só. Sim, as manhãs podem ser feitas disso ou daquilo. Pensamentos dispersos, vontades que ficam presas dentro de uma, duas ou três cores. Um telefoneme. Uma vontade só de ouvir aquela voz tão familiar.
Dois ou três lutos. Vontade de viver que é só representação daquilo que não sou e não posso ser. Jamais pensar além de si, além daquilo que é a força que conhecemos. Sempre e jamais. Ando junto quando conheço apenas pouco, bem pouco, daquilo que era para ser o futuro. Dois ou três lutos. E por que veio tudo junto? Dois ou três caminhos estilhaçados que machucam os pés. Dia frio. Dia de esconder-se dentro daquilo que não é um refúgio, mas somente o pouco que se conquistou entre o muito que foi sonhado. Sonhar...talvez sonhar seja isso. Talvez viver seja sonhar. Sonhar com aquilo que não se tem. Sonhar em ter beijos de boa noite. Sonhar que algo pode ser eterno. Sonhar que o olhar jamais poderá se modificar. Em pouco tempo, em instantes algo mudou. Algo mudou em instantes. Eu pensei que era aquilo mesmo o futuro, mas era só reserva de anos.
Dois ou três paixões. Uma por mês. Uma por dia e uma por hora. Quantos suspiros, vontade de representar a vida como ela não é. É difícil entender; juro que tento. Entender essas manifestações ou ditados populares que dizem "ninguém disse que seria fácil". E foram somente 25 anos de estadia. Foram 25 vezes que eu pensei, só hoje, na saudade. 25 minutos que eu demorei para dormir ontem. 25 segundos para eu decidir qualquer coisa que valha a pena. 25 meses, 25 piscadas, 25 vontades em 1 minutos e 25 dias que eu não paro para ver que na minha janela tem um ninho de formigas.
Dois ou três lutos, duas ou três cores, 25 anos que não reparo em mim. 25 anos que tento ocupar um lugar que não é meu - que é aqui mesmo, nesse exato momento em que tudo é agora, perene, e será fantasma no amanhã.
Dia frio. Será só isso?
25 minutos para sentir a pele arrepiar, o corpo esfriar, os olhos cerrarem com o vento batendo e ingerir um vírus. 25 segundos para eu sentir que foi só isso: um dia frio.

Soudtrack - Tori Amos - Scarlet´s Walk

Monday, August 20, 2007

One drink. One night.

Tem disso mesmo né? Sim, estranhamente, jogos são jogos. E nem é tão estranho assim. É só uma questão de saber analisar nuances, percalços e, sim, diversos indícios de que viver é jogar. Jogamos para ganhar. Um sobre o outro. Infelizmente, é um jogo e difícil é parceber-se dentro de uma partida, como um dado, rolando de um lado para o outro. O número mais alto ganha.
Sim, a vida é mesmo um jogo. E que sensação é esta de ter sigo "jogável"? Ah, uma das piores, lhe digo. Pode-se apostar alto nessas fichas. E aquela canção que eu queria te dizer, eu mesmo esqueci a letra. De repente me vem aquele negócio que não sei o nome e não consigo explicar. É uma espécie de tormento e como diz aquela música, "I disconect". Sim, tiro o plug e deixo de lado. Pois é assim que tudo funciona. De um lado para o outro, os dados são lançados. Ganha quem se acha o melhor.
Tem disso mesmo. Um dia embaixo, outro em cima.
"Vamos acabar com o samba, madame não gosta que ninguém sambe"!

Friday, August 17, 2007

The Sun in my mouth


Essa é a canção que hoje me fez chorar.

Fazia tempo que esse motivo, sim esse motivo, não me fazia chorar. É simples. Muitos acham que a forma de se representar é exquisita ou motivo de ser chamada de "louca". Entender Bjork, me odeiem por isso, é perceber que a arte se manifesta em formas diferenciadas. Van Gogh foi considerado um péssimo pintor e um louco durante toda sua vida. Recebeu críticas de seus colegas de nomes respeitáveis, mas ainda hoje é tido como um louco.


O cd Vespertine, a grande obra de arte de Bjork, é mítico. Música e letra combinam a estética de uma crianção, que eu diria, perfeita: um mundo mágico, mítico, algo como um conto de fadas gótico-romântico. Adentrar nesse mundo, esse mundo tão perto, é reconhecer manifestações do nosso próprio inconsciente. Bjork é assim. Deve-se ouvir atentamente, com um fone no ouvido, todas as vozes e sons.

Ela se destaca na pura originalidade, na mágica criação de suas músicas, no estilo ímpar e único. Deve ser apreciada aos poucos em suas metamorfoses e na sua influência em muitos músicos, artistas de diferentes áreas e, claro, sua influência nas áreas do espírito. Sim, Bjork é, antes de tudo, uma experiência.

Ousar. Ousar ouví-la. Respeitá-lo, no mínimo.

Aqui uma letra perfeita. Basta ouvir a música, igualmente perfeita, sincera e brutal.

Bjork - Sun In My Mouth
I will wade out
Till my thighs are steeped
In burning flowers
I will take the sun in my mouth
And leap into the ripe air
Alive with closed eyes
To dash against darkness
In the sleeping curves of my body
Shall enter fingers
Of smooth mastery
With chasteness of sea-girls
Will I complete the mystery
Of my flesh
Will I complete the mystery
Of my flesh
My flesh

Thursday, August 16, 2007

I Change my mind

Sim, depois de horas ouvindo o Gilberto me veio a conclusão.
Não darei aqui assim, gratuitamente.
Quero deixar somente entre as aspas. O importante é manter firme o passo, pois logo a chuva começará a cair.
Final de semana perto. Final de semana.
Vai Gilberto, cala essa puta dessa boca!

Doralice

Essa é a música que eu e a Silvinha gostamos.
"Doralice, meu bem, como é que nós vamos fazer?"
"Até parece que eu estava advinhando..."
É, a vida tem dessas mesmo que o Gilberto canta. A vida tem lá seus mistérios. E cada vez mais eu pareço uma novela do Manoel Carlos. Mudei a linguagem. Calma, é só para ordenar as idéias.
Tudo pode mudar em um instante. Dois ou três minutos e eu, de repente, tenho o seu beijo confortável, terno e cheio daquele amor da primeira vez. De repente eu tenho a sua saliva na minha boca e aquele gosto tão, mas tão, familiar - o mesmo que perdurou na minha boca e por todo o meu corpo. São poucos segundo que a vida dá. De repente eu tenho o seu calor no meu corpo, perto, bem perto, como se este instante pudesse durar eternamente. De repente, eu sou aquele que sempre fez olhos caridosos e você sempre com aquele olhar complacente. Somos essa história, eu diria, uma novela.
De repente me vem a sua boca, os seus lábios finos, o seu gosto que só quem amou sabe o saber que tem.
"Muita calma pra pensar". Gilberto hoje é trilha. Não saberei separar sentimentos. Amo e sou apaixonado. São duas oposições. São duas antíteses.
Vamos, Gilberto, canta pra mim: "o que é felicidade, meu amor?".

Wednesday, August 15, 2007

You knew all along

Certo que outras vozes podem nos confrontar, ficamos em silêncio. O silêncio.
Isso que é estranho, essa voz dentro da consciente que define aquilo que somos. Essa transparência nos é, assim, uma rara definição; uma das poucas inclusive.
SIm, o silêncio provoca, estimula, argumenta aqueles fatos que não conseguimos, com a fala, dizer/fazer.
É nele, que rezamos em paixões, que manifestamos desejos que não podem, ou não podemos, expressar seja por medo, receio ou pura covardia. Aqueles momentos de silêncio que parecem horas arrastadas é a tentativa de fazer com que o discurso desça goela abaixo.
Mestres do silêncio. Rege a paixão, a vontade e tudo o mais que há dentro de um coração, simples, mas covarde!
Shhhhhhh

Sunday, August 12, 2007

Here is no Why

Tem aquelas músicas que falam disso. Tem outras que falam daquilo. Eu, não falo nada, digo isso.
Aqui não tem mais porquê. É simples, não menos prazeroso, mas simples. Já falei da paixão. Já teorizei aquilo que não é teórico - coisas do coração. Sentir o peso, leve, de deitar a cabeça e imaginar traços tão familiares. Pode ser, mas será simples. Por que não podemos ter essa simplicidade quando o assunto é sentimento? Devemos sempre complicar, impôr limites, deixar subentendido. É, alguns dirão que sim, que tudo isso pode ser deveras perigoso. Eu, sempre aposto nas cartadas. Naquela vontade de dizer e dizer.
Sim, é simples mesmo. Aqui eu só falo disso. Tem a mania de escrever o que sinto, de atropelar sentimentos e nunca ter uma resolução exata das coisas. Dessa, talvez, eu tenha. Aquilo que ao invés de corroer e queimar, faz-me leve, pleno por longos momentos do dia. Não sou romântico, ou não aprendi a ser, e só tenho minhas palavras tão pequenas a oferecer. Simples e um ou dois segundos. Me dê só mais um segundo, para eu te mostrar bem lá no fundo.
Simples,
Aqui não tem porquê. Sentir.

Friday, August 10, 2007

That´s the way...

O Chico canta "não se afobe não, que nada é pra já".
É a tal paciência. Paciência do sentimento oculto, da face corada, do corpo suado e calorento. É paciência pelo beijo, pelo abraço que não agradece, mas afaga; a paciência pela hora de dormir com a mão no cabelo - eletrizando a ponta dos dedos.
Sim, a paciência daquilo que cresce, engrandece e enobrece. Pode ser algo imortal, pode ser para ultrapassar vidas. Efêmeros já somos. Devemos cultivar tudo o que pode ser imortal.
O Chico canta "futuros amantes quiça, amarão sem saber". E não saber mesmo e se "amores serão sempre amáveis", eu te espero.
Eu espero resoluções suas. O caminho pode se encontrar. Eu já estou nele. Espero-te.
Assim, do jeito que é, compensa a paciência.
E o Chico me falando "não se afobe não, que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar...".
Ele chegou, agora ele espera.
É a tal paciência.

Thursday, August 09, 2007

Spread your Wing. Fly high...

É chegada a hora.
Despedidas entre beijos, abraços e a vontade de não separar-se. É chegada a hora em que a vida preparou, silenciosa, o seu vôo mais alto. E talvez seja ele ainda uma decolagem. Você que possui essa força, esse encantamento e só para você eu usaria a palavra "cintilante", você agora parte para desembrulhar o presente que estava reservado. Um embrulho vermelho, laço e pacote vermelho. Esse presente que é destinado àqueles que saberão como sorrir diante. Não se vá sem lembrar do que fez, em pouco tempo, dentro dos nossos corações.
É chegada hora.
Você que agora embarca no seu destino. Você que agora percorrerá uma vida nova. Sinta-se, você está só no começo. O futuro será ainda maior, mais alto e cintilante. Erga suas asas; o vento, o céu, Ele, pede que você abra essas asas e erga-se para seu futuro melhor. Aqui, ficaremos por enquanto, nas batidas dos nossos corações transbordantes de saudades, até nos encontrarmos novamente. E a vida se encarregará disso. Do destino, não fugimos e dele não fugiremos.
É chegada a hora de deixar seu acento vazio para que você possa voar. É a sua felicidade que está só começando. Esse é o seu tempo, Mari. Aqui, aqui dentro do meu coração eu sempre encontrarei você, como algo raro e, não menos, ímpar. Cative o mundo. Conquiste esse mundo que ele é só seu.
Eu, aqui, fico com meu amor, porque eu amo você! E logo, logo, você poderá emprestar-me suas asas.
É chegada a hora.
Boa viagem.
(estarei na cauda do seu cometa)

Que ça

Quem sabe?
De destinos, de futuros ou de amantes? Quem sabe de tudo isso?
Será mesmo o tempo que me dirá ser eterno tudo isso ou mais uma confusão minha?
Quem sabe?

Tuesday, August 07, 2007

A lot of time

Eu preciso de tempo. Muito tempo para dizer tudo o que há.
Sim, eu preciso de tempo. Em verdade, muitos processos precisam ainda acontecer dentro e fora. Ou de fora para dentro. São moléculas, quase presas, dentro de uma bolha de tempo. Nós paramos. Eu acompanho certas batidas que há tempos deveriam ter sido enterradas. Quanto tempo mais...
É verdade que em outros tempos eu me apressaria, como o fiz, e correria para lugares que conheço bem. Hoje, eu preciso de tempo. Aquela tal paciência - das cartas - parece, enfim, ter assumido um lugar dentro de mim. Ando pensando em metáforas para elaborar isso e mais algumas coisas que estão presas em mim. É como se eu fosse uma presa, uma caça daquilo que não deseja nem o arco, nem a flecha. E por mais que eu tenha lido, ouvido e feito, hoje as palavras musicadas e poéticas parecem ter perdido o ritmo. E quem foi mesmo que disse: "então, isso é viver?". Assim, desse jeito. Então isso é viver. Dificil, árduo, sangrento e, por que não, um trabalho quase braçal. Uma duas três pedras e Drummond já está escondido nos escombros de folhas arrancadas, capas de livros e alguns outros pertences perdidos no meu quarto.
Sim, uma doença. Algo assim. Como eu, que sou vírus, me devoro. Isso é para outro momento.
O que importa é a célebre frase, de alguém cuja inteligência - ou não - me fez acreditar que "enfim, isso é viver". Algo que me fez acreditar que talvez seja uma das melhores fases da minha vida. Não consigo me lembrar o dia em que fui tão confortável com os eventos, com o meu coração, com minhas mãos e com tudo aquilo que sinto, veloz, desenfreado e com gozo profundo.
Mas eu preciso de tempo. Eu preciso de tempo para poder entender o que se passa, passou e passará. Eu ontem me extrapolei. Há tempos não ficava nervoso e ainda não cheguei ao estágio de poder dizer/entender os motivos de um mau humor repentino. Não, não sou bipolar e nem aderi a moda de dizer que sou. Também não estou usando drogas, mas talvez eu tenha um vício. Um vício que poucos conhecem.
Eu preciso de tempo. Àqueles que sabem o quanto posso viver assim dentro de um buraco, sabem que preciso de tempo. Tempo para enfim tentar dizer "então viver é isso!".
Mas eu preciso de tempo. Mais do que eu imaginei que fosse precisar. Uma jaula? Parece boa idéia. Contudo, o tempo me diz que devo erguer-me frente as badaladas do relógio e acertar alguns ponteiros que deixei sem conserto.
É maior do que eu imaginei. Maior do que eu pensei. Maior. Só.
Eu preciso de tempo para entender.
Eu preciso de tempo para escrever.
Eu preciso de tempo.
Eu preciso.
Eu.

Friday, August 03, 2007

If you fall i will catch, and you find me

Algum tempo sem escrever por aqui.
Algum tempo, ainda, sem pensar muito sobre o muito que têm acontecido.
É aquela velha sensação; contentamento e descontentamento?
Reclamar? Claro que não. O importante é sentir tudo de todas as formas. Tenho planos que não cumpro. Ver meus amigos. Arrumar a minha casa e escrever o meu livro. Planos, somente planos e nada mais que isso. Concretizar demanda aquilo, você sabe, aquilo mesmo que ninguém entende. Uma matéria física, formada e cristalizada que se perde dentro da gente e, sem saber como, lá ela vive.
Matéria de organismo vivo e predador. Sim, eu pensei agora que meu coração, ele mesmo, é assim: um predador. Consome a si próprio. Devora seu interior como um animal em fúria. Coração canibal. Não, não é vagabundo. É coração sem rumo, sem alvo, apenas com uma seta apontada. Quantas vezes mais? Sim, consome a si próprio sem medo e sem vergonha - coração suicida.
De resto, tudo ainda parece sem sentido. Sem por menores, a vida é estar no sentimento pleno da solidão. O vínculo que se rompeu e que comemora 3 anos de vida.
Outra coisa séria, sem comentários. Deixa pra lá.
Enfim, dispersei.
Bom final de semana.

Tuesday, July 31, 2007

Vamos falar disso!

Vamos falar sobre como devem ser as coisas?
No trem, o passageiro, sentado à janela, espera a paisagem passar. Aflito, dobra as pernas, recosta a cabeça na poltrona, anseia pela chegada.
A impaciência torna-se cada vez mais presente. A paisagem é vagarosa.
Dobra a perna novamente. O passageiro espera pela companhia da chegada.
Vamos falar da chegada.
Essa história somos nós, quem sabe sabe. Nós que ansiamos por um dia frio e um par de pés. Nós que ansiamos e sabemos que a vida também é feita com o outro. Devemos acreditar? Fiéis aos contos de fada? Sim, devemos. Devemos preencher o coração de ansiedade. Devemos encher os olhos de sonhos. Sem pressa, mas ela vem sim. Rápida, ela vem. Sem pedir licença, ela vem e vai além. Devemos nos segurar na poltrona e aguardar. O destino persegue e chega. Uma linha reta.
Nada deve acontecer por acaso? Quem responde? _______________________________
Bom, deixa acontecer, como diz a letra, naturalmente.

Sunday, July 29, 2007

Da Paixão, Parte II

Variáveis de si mesmo. Em meados de frio e calor, variáveis de um só. Quantos podemos ser dentro de um sentimento? Infinitas possibilidades. Sem motivo ou razão aparente, qual a diferença entre um critério e outro? Sem resposta.
É rápido como uma nota musical. Falo de música sem conhecer. Apaixonar-se é antes abdicar da personalidade; transformar-se naquilo que podemos ser, ou seja, ser o melhor. Mas esse melhor pode e poderá ser também um risco de jogo. Jogar com a personalidade é também ter 50% de chance de perdê-la. Perdê-la dentro de um ritmo veloz e maquiavélico. Somos assim, divisíveis para melhor atender. É o que me parece.
Dentro da paixão, há, inevitavelmente, esse jogo de mostrar-se a cada round. Sim, esse é o risco. A paixão, por fim, é consumada, quando todas essas personas resultam em apenas uma: quem realmente somos. É quando a máscara cai, deliciosamente, e a face verdadeira aparece. Bom ou ruim já se está apaixonado. Não tem volta.
Recaímos na jogatina. A máscara cai e recomeça o jogo barroco. Querer e não querer aquilo que não é o que se pensava ser. Indiferença para o jogo.
Variáveis dentro de um só. Esse é o risco.
Em verdade, acredito, que a paixão realmente começa quando a máscara cai e quando não se usa a máscara pode-se germinar um sentimento verdadeiro. São as tais paixões duradouras. Devemos prestar mais atenção às variáveis para não nos perdemos dentro de si mesmo. Condições para a vida saudável. Realmente, falar de sentimento parece-me dificultoso.
Deixa, a vida se encarrega. Sem otimismo ou pessimismo. Tudo se encaixa. Afinal, todo jogo sempre se pode recomeçar depois do "game over".
Variáveis. Não nos esqueçamos dela.

Friday, July 27, 2007

Da Paixão - Parte I

O que nos difere dos animais?
Seria mesmo a racionalidade? O homem é o lobo do homem, disse Hobbes. Já Rousseau alertou-nos para a possibilidade de sermos corrompidos pela sociedade. Para Foucault somos governados pelo discurso e este é, igualmente como a sociedade, dotado de poder.
É, parece-nos que a filosofia enfim não conseguiu desvendar o que de fato nos move. Aqui, nem pretendo tal façanha. É só um texto de afirmação; tentativa de entender a si próprio. E essa questão que se nos apresenta, essa a de entender o que nos move é deveras complexa. De linhas exauridas de tanto esforço, deve-se, a priori, selecionar um item que poderia ser o objeto desse estudo.
À guiza de prefácio, selecionei Amy Winehouse como trilha sonora. E os que entendem de filosofia devem estar se questionando: “o que diabos está fazendo Amy Winehouse e Hobbes em um mesmo texto?”. Nada, exatamente nada.
Vamos lá.

Ao que me parece, talvez simploriamente, o que nos difere dos animais seja algo universal. Poderia ser uma sucessão de sentimentos. Poderia ser a vontade. Luxo, gula, e muitos outros pecados capitais.
Aqui, receio dizer que pode ser a paixão. Sim, a paixão. Ela nos move. Ela nos move em direções, em sentidos, em vontades e em atitudes que, sem ela, estaria inertes, languidamente deitados à sombra. O homem é o lobo do homem, como pontuou o pobre Hesse. E sem a paixão quem é exatamente o homem? Pobre, vazio, efêmero e, como diriam os de língua inglesa, pointless. Penso que aquele movimento dentro de cada um precisa de um start, quase como o fogo precisa do oxigênio, da brasa, ou seja, aquele ponto de partida. Apaixonamos-nos desde o inicio. Pela mãe. A mãe, movida pela paixão/amor pelo filho, se fortalece. Os devotos de Cristo, ao que me parece, são movidos à paixão que sentem pelo “salvador”. O ocidente enfim, nutre sua paixão pelo catolicismo. Os viciados, apaixonados pelo risco, potencializam a representação do mundo. Apaixonados.
Aqui a paixão deve ser entendida de todas as formas que a conhecemos. Ela pode ser desde o papel de carta do ensino fundamental, ao amor juvenil estilo Romeu e Julieta, até as paixões maduras como em Casablanca. Sim, o homem é o lobo do homem.
A paixão enquanto vontade de representação de si mesmo. Não somos Caeiro, infelizmente. Vivemos pela magia do signo romântico. Pelas batidas do coração em desespero. Foram os contos de fada? Não seguimos as purezas de Platão. Caverna e mito. Até mesmo Édipo. Temos a síndrome de Medeia que, pela paixão, assassinou os filhos. É compreensível. Até mesmo as leis partilham da idéia de redução da pena se o crime foi praticado num ato de paixão.
Somos movidos pela paixão. A paixão por Cristo nos fez erguer um império, talvez o mais poderoso que conseguimos. Pela paixão somos capazes de destruir a própria vida para refazê-la em outro. E quando a paixão acaba, acaba a graça. Quem consegue transitar da paixão ao amor? Poucos, bem poucos. Quase ninguém. Não se pode negar que a paixão por um livro faz com que a entrega seja mais prazerosa. Conhecemos a vida pela perspectiva da paixão e quando esta não é presente, o sentido torna-se distúrbio. Sem a paixão, parece que o sangue corre devagar e que as nuvens, sim as nuvens, passam lentas pelo dia. É a vida é mesmo estranha. A vida, quando ela começa, tem o marco inicial na paixão; aquilo que nos faz crescer seja em lágrimas, seja em sorrisos. Perversidade, culpa, gozo, desespero. A paixão é dona da loucura. Qual o sentido em falar de G.H e Goeth, quando podemos no real sentir tudo isso. Lucíola enfim teve seu destino por conta de sua paixão. Corrompemo-nos pela paixão. Senhora de um tempo estranho. Quem nos apaixona? O que faz nos apaixonar? A vontade de si próprio.
O homem é o lobo do Homem. Parte I.

Thursday, July 26, 2007

Good Girl

Quando escrevo, me perco. Me perco entre tudo aquilo que ouvi, as coisas ainda não ditas e todas as imagens que vi no caminho, entre o planejamento e o texto.
Escrever quando não há o que escrever dentre tanta coisa que pode ser dita. Esse pequeno ato que é se deparar com o silêncio e as vozes mal organizadas. É como um projeto. Uma forma de se embrenhar por onde passam alguns, pequenos, sentimentos. Mas, é por isso que quando escrevo me perco.
Pelas ruas, as palavras sobem daquilo que vejo, organizam-se no espaço fictício-real e depois desaparecem.
Voltam, alguns segundo, mas me perco.
Volto logo!

Tuesday, July 24, 2007

Caçada

Uns dizem que não entendem; outros prestam atenção e sabem quando é o momento. Momento da caça.
Outros se fazem, e sabem, que são vítimas - caça. Outros nem tanto, acordam com o arco e a flecha na mão.
Uns dizem que ler jornal é informativo; outros, atentos, preferem sair na rua.
Outros sabem a importância de conhecer artes. Nem tanto, outros, muitos, preferem ver rendeiras nordestinas.
Uns sentem paixão ouvindo Mahler; outros preferem nacionalidade e batuques carnavalescos.
Outros dão importância aos livros, mera importância; Uns conhecem pouco, gostam pouco, e preferem assim ler bula de remédio.
Falar de si, falar pouco, eu pequeno, caça caçada. Eu, pequeno, mostrei demais, deixei demais, senti demais. Demasia e excessos. Verdades e inverdades. Sou meio antítese daquilo que não aprecio. O ócio que me deixa feliz, é também meu inimigo, assim como as letras e os discursos infundados. Tenho memórias de infância pouco vivas. Carrego mistérios e não consigo dormir de luz apagada. Tenho pouco, falo pouco, durmo muito e parei de ouvir Jazz. Mudo demais, por vezes sem saber para onde vou e tenho uma imensa vontade de fazer as malas e partir para um vilarejo distante, pouco habitado e sem menores pretensões. Pequeno que sou, preparo mentalmente minhas malas para aprontar-me a uma vida módica. Exaurido. Inexorável, preparo malas. Preparo partidas. Posso ser carente, mas posso ser caramujo.
Entre a casca, o muro e uma deliciosa vontade de desaparecer, uns dizem que sou aquilo que conhecem. O valor da vida. O valor daquilo que se espera de um tempo distante -
Me espero no portão. Um dia voltar. Uns dizem que para darmos valor à vida, devemos entrar em contato com a morte. Nietszche que não me ouça, mas sou assim dialético. O mau existe para balancear o bom. Niesztche que não nos ouça, mas traímos a sua filosofia. Caça e caçador.
Quem importa?
Ele que não nos ouça quando dizemos que uns gostam de saber e outros também.

Monday, July 23, 2007

Francamente

Começo sempre com uma frase que se repete ao longo do texto. Mania. Mania de escrever rodeado por um fantasma, uma palavra e uma idéia quase fixa.
Francamente, algo me surpreende.
Certamente, é fato aquilo que me provê orgulho e admiração. Pouca coisa, em verdade, me permite dispor certos sentimento. São realmente poucos os que arrancam de mim admiração que ça admiração. A poucos também me permito. Cuidado de murros que já levei. Aos pouco, em gotas d´agua, deixo-me penetrar. Assim, ocorreram com aqueles que hoje amo sem pestanejar.
Francamente, hoje me surpreendi. No bom sentido, sentido estrito e pragmático, hoje me surpreendi ao perceber que em mim nasceu um orgulho. Admiração é algo estranho. O orgulho por alguém igualmente estranho. E hoje, como poucas vezes, me veio essa sensação. Jubilos.
Admiração por conhecer alguém que em tão pouco tempo germinou em mim verdadeira adoração. Não, não é piegas. Piegas é falar de rosas. Aqui, é só fruto de uma intimidade que se transformou em motivo de orgulho. Ao menino, que me faz rir, que completa frases, o amigo que compartilha manhãs de sábado e gin russo.
Sim, esse homem que, pequeno, é assim particular em uma grandeza nobre. Sim, esse menino que não disfarça humanismos nem moralismos fúteis. Essa presença nos meus dias. Orgulho por saber um pouco, mas muito, daquilo que o fez ser quem é. Tu não te moves de ti. Francamente, tenho muito a dizer, mas pouco a escrever. Digo a mim mesmo "esse é motivo de orgulho".
Francamente, me emocionei, como poucas vezes, em ouvir uma história bonita, sincera e sem cair na orla do auto-orgulho, que é feio. É, tudo pode nos surpreender. Melhor quando a surpresa, em verdade, não é surpresa, mas confirmação de suspeita. Concretizar uma idéia. Nem tenho palavras o suficiente para continuar aquilo que se exprime na sinceridade e na franqueza.
O que eu ia dizer é: tenho orgulho de você; admiração.
Para Rafael.

Se chove lá fora

Antes, sem soar de um modo caótico, somente antes do relógio contar os ponteiros, eu já vi a saudade chegar. Cega, ela vem e me abate, como se eu fosse feito para isso. Não entendo da vida. Dela sei pouco, pouco menos que deveria. Da vida, quase não aprendi o que as lições quiseram me mostrar. Reprovei, admito.
Antes de qualquer vontade, vem a saudade. Sim, admitir é tarafa hercúlea. Outras coisas me vêm como um soco. São rápidos os pensamentos. Sem que eu possa processá-los no meu pequeno limite. Tudo parece estranho. Os dias passam rápidos. Eu, a espera, passo inquieto. Acelarado sem rumo. Talvez eu esteja com o coração vazio. Preenchê-lo com o que aparece não é a solução. Preencher, sobrepor, aquilo que está por vir. Só a saudade de conversar com você ainda. É, admitir é tarafa braçal.
Em verdade, há muita coisa que a vida me trouxe no meio dessa saudade. Alguns amigos, que me conquistaram de muitas formas, de variadas maneiras. Muitos ficaram no caminho; outros permancem aqui. Eu, apaixonado que sou, entreguei um pedaço de mim. Talvez a vida possa ser isso de surpresas; daquilo que não se espera. O que me trouxe essas pessoas não sei. Conheço apenas que há uma verdade em tudo isso. Minha paixão por esses. Surpresas. Enfim, a vida pode ser só uma surpresa, raros momentos, e algumas outras coisas. Sou objeto do inexplicável.
Saudade daquilo que não sinto, nem forço sentir. Troquei as chaves para não abrir as portas, mas, inferno, você sabe como abrir sempre. Eu permito. Só a você eu permito ter as chaves. E não adianta mais o questionário do porque ou o ressentimento alheio: aqui, existe um lugar, esse lugar que é você. Negar, seria arrancar com as unhas algo que não se pode trair. Você, a quem eu sinto saudade.
São dias específicos. Vaivém. Quero estar na cama.
O telefone toca. Ainda a saudade.

Friday, July 20, 2007

A seta e o alvo

Não me lembro quando. Dia, hora, mês. Não lembro. Talvez eu tenha dito algo desnecessário e ele não gostou. Teve uma segunda vez. Precisa de datas?
Eu já sabia o que acontece quando dois escorpiões se encontram. Eu sabia, mas não sabia. De encontro, sem venenos, ele veio, e foi rápido como um golpe. Sem fogo ao redor para fugirmos, entrelaçamos as couraças pretas e lustrosas.
Perdemos o instinto. E riso, muito riso. Ele me fez enxergar partes em mim que estavam escondidas entre escombros e naquela minha antiga falta de prática e razão. Ele me deu isso.
Hoje, ele tem um significado grande nessa minha pequena, mas feliz, vida. E eu nunca disse. Sou meio elefante. Mas ele tem. Ele é esperto, adora o Moska e por isso eu fui o alvo do bom gosto dele. E ele a seta. Dois escorpiões. Eu digo pouco o que acho dele. Queria um lousa para desenhar traços infinitos de carinho para esse menino que me invadiu com a risada gostosa. Infinito também porque ele ainda não sabe, mas a vida quer ele para sempre. É raro, sabe? Encontrar um Mario por ai. Raro, raríssimo. Encontrar um Mario como esse: coração de luz; ele espelha essa luz para a gente. POde ser só um sorriso daqueles gostosos que ele dá. Pode ser aquele jeitinho de abraçar - como um ursinho - e pode ser quando ele se transforma nos conselhos assertivos. Minha parte bem masculina. É raro. É raro encontrar por aí qualquer fragmento que seja de um Mario. Ele não sabe ainda, mas tem muita coisa chegando na vida dele. Mudanças. Mudanças boas. Estou sempre torcendo. Pareço bobo. É raro.
Eu fui o alvo dessa seta. Ele será o alvo da minha seta. Dois escorpiões que se completam, como aquele símbolo chinês-japonês. Ele é raro. No meu coração tem uma estrela de 4 pontas. Ele sabe que é uma delas. Sem ele, perco o brilho. Com ele, engrandeço meu brilho, porque ele, raro que é, de coração luminoso, triplica a luz do mundo.
Ele é, para mim, o meu biscoito, para outros tem muitos nomes, para todos ele é o Mario.

Thursday, July 19, 2007

É assim...

Goethe escreveu "como, no dia em que foste doada ao mundo, o sol levantou-se para a saudação dos planetas (...)". Ela veio, com o mar dentro dos olhos, com a força luminosa e percorrendo os mundos. Em apenas um dia, talvez menos que isso, alguns segundos eu entreguei minha alma em confiança plena e segura, como a folha se entrega ao vento, para Athemis. Não pode ser apenas o mito.
Quantas palavras em vão tentarei buscar e delicadamente tentarei descrever aquela que não se descreve; se conhece. Ela me veio, com asas de anjo, me emprestou, ensinou-me a voar, consertou minha asa, fraca, quebrada para juntos poderemos voar. Voamos, alçamos voo para esse lugar privilegiado que é o sentimento de se amar e só.
Conforme a lei de teu nascimento, ninguém poderá saber mais dela do que o céu. Sim, o céu. Sem pieguice. O céu, aquele que abriga, aquele que abrange as pequenas criaturas; ela é o céu. Abriga o conhecimento. Um aforisma para mim, para o outro, para ela. Amanhã, estaremos lá na varanda, comentando um livro da Hilda, a Chloe sentada, com os olhos da mãe, procurando entender porque o dente-de-leão tem aquele efeito.
Ela é a minha pessoa. Eu espero, no anseio, em dar a ela um pouco da minha fragilidade e a gente se troca. Minha pessoa. Como poderia então voar, se ela não tivesse me emprestado as suas asas? Cisne de plumas douradas. Ainda a gente terá verbos de futuro. Próximo, bem próximo. De mim e dela.
Isso é pouco para a Fabi, a Fabiana, a Amora. A minha Fabi. Ela é.
Ela fez o sangue do meu corpo ser insuficiente se, ao acaso, não estamos juntos. Assim, fundamental ela é, está e estará na minha vida. Um aforismo. Uma palavra. Um momento. Infinito? Pouca essa definição, assim como são poucos os adjetivos para ela, a Fabi.

Wednesday, July 18, 2007

Vamos cantar?

Algum dia de agosto, disseram-me "vamos cantar". Aquilo foi e é a frase que me fez crer na força que vem do outro e que vai, como um estopim, dentro do coração. Aquilo que dá força.
Quem disse? A menina com as tranças, a menina sem tranças com flor no cabelo, a dona de uma voz intensa, dona das mãos de trabalho e de olhos que soltam faíscas.
Ela me disse. Ela me disse aquilo e ficou presa aqui no meu coração. Talvez seja um vício, essa coisa de amar tanto alguém. Um vício que percorre a vida ao futuro. A gente ainda vai sentar na varanda do sobrado dela, enquanto a comida está no fogo e as crianças brincam no jardim. A gente ainda vai ouvir Rehab, aos 40 anos, e dançar na sala tomando Mojitos feitos por ela.
Ainda vamos chorar e rir. "A gente ainda vai rir disso". E rimos assim, daqui pra frente.
Ainda vou nas suas festas e vou ver um filme que ela traduziu. Ela ainda vai me dizer "vai amado, vai". E a gente ouvindo "i told you that im no good". Ela vai sentar e tirar o óculos. E sem ela o mundo fica preto-e-branco.
Ela não sabe ainda, mas ela é ímpar e sem precedentes. Ela é rara, nem como jóia porque jóia tem preço; rara como ser que é, além do humano. Linda, cintilante, forte, sincera e ainda, o mais bonito, ela é doce, sutil e, mesmo odiando, ela é neutra. Quase uma Suiça no meio de todo caos.
Ela me abrigou, eu abriguei ela. A gente se abriga. E hoje, lembrando daquele dia em que ela me disse para cantar, eu dou risada. Ela me fez cantar e, eu, estou cantando. E vamos continuar cantando. Ela é letra, melodia e música e por isso ela faz meu coração dançar!
Ela é a Amada, a Teresinha para alguns, a amora da Fabi. Ela é a minha Amada.
Este é o seu texto. Pequeno, simples. Mas os amores são feitos disso: pouco, sincero, amado.

Tuesday, July 17, 2007

Verso Livre

Poucos têm; aquela antiga sensibilidade que se perdeu no crescer das franjas, no sorriso - aprendido - forjado, na brincadeira de pular e no olhar sem remorso. Pouco têm a habilidade nas mãos em montar luzes e abrir livros infantis como se fosse ainda criança intacta. Poucos têm a força portentosa, visceral e ainda tão sensível de escrever palavras tão unidas na grandeza e na graça. O ato de escrever. Poucos conservam a técnica uníssona de gestar idéias e parir discursos.
Poucos têm.
A sede pelo que é amor, pelo que é puramente genuíno. Poucos me disseram que "precisamos de pouco para sermos felizes" e, quando disseram, poucos tiveram razão. Poucos me dizem aquilo que estão na borda dos olhos, sem medo e sem receio do efeito. Ele tem. Tem isso, pelo que transborda de algo ainda, e raro, intocado pela maldade. Mas tem outras coisas.
Poucos têm a capacidade de se tornarem surpresas. Ele se tornou; uma grande surpresa e eu disse "ele é a surpresa do ano". O bom sentido, aquele que não se acha aos montes, é onde reside aquele de quem falo. Falo e digo pouco ainda. Isso é só uma homenagem. Pouco, meio efêmera, mas é que sou capaz. A ele, seriam redondilhas, e muitos outros sonetos ou poemas. Pelo seu espírito, seria então um verso livre. Isso, ele seria um verso livre, na poesia translúcida para aqueles que sabem ouvir o cantar de poucas rimas - esse é o truque. A poesia, a poesia, está nas poucas rimas que se engrandecem no ritmo poético que perpasse vida e palavra.
Poucos têm o verso livre. Ainda com aquela franja e o passar do tempo. Eu ainda estou aprendendo.
Foi uma vontade que tive em montar palavras para alguém que tem muitas coisas que poucos têm. Isso porque o menino do robozinho, não sabe, mas ele é maior que a altura de muitos mitos que andam soltos.
Ao Tato, na surpresa do ano, na amizade tão ímpar.

Monday, July 16, 2007

Narcissus

Some more of that.
Chove fraco hoje. Uma chuva fina, talvez um pouco pesada com a sensação de que o passado finalmnte se desfez e virou memória de saudade. Os processos, aquelas idéias que eu ia processar, por fim chegaram ao final. Processei algumas. Outras vão permancer no questionário da vida - que será respondido por ela mesma.
Algo translúcido perpassa lentes grossas, com gotas escorridas e algo em velocidade considerável se move subindo o morro. Não entendo ainda muita coisa. Esse final de semana me fez acreditar em algumas. Talves eu nunca aprenda. Ser feliz é, senão um exercício, algo que devo aprender. O direito de coisas boas acontecerem sem que eu precise, antes, sentir dor. Eu preciso me intitular no panteão. Sem mitologias, sem pressa ou literariedades subjetivas. O prático é o que me falta. Deixar ser feliz por si só.
E ainda, vem aquela saudade, por vezes encanada, com um frio no estômago. E vem pelas veias finas, escorre pelo corpo.
Estou chegando.

Sunday, July 15, 2007

You only live once

Saudades de algo novo. Ainda nem sei de borboletas que sobrevoam a parede do estômago. Saudades daquilo que se foi e não volta mais. Saudades da minha mãe. A praia é me refúgio, admito. Me completo e me esqueço aqui, simples assim. Não tão simples. Eu venho e assim fico.
Será que tenho o direito, mesmo pouco, será que tenho?

Friday, July 13, 2007

Paparapa

Eu ainda vou processar. De verdade? Processos de vida. Processos para nunca mais ser aquilo que não sou, não fui e não quero ser. Lembra do último episódio. Não serei um vídeo. Nem uma interpretação reduzida a mínimos de atenção.
Aquilo foi. O que é real. Somente aquilo. Simples, como deve ser, porque certas coisas são simples. Simples. Essa é a palavra da ordem. Eu sei, sou e serei julgado. Bastante até. Enfim. Posições. Não é orgulho. É só meio olho aberto, a mão estendida e uma vontade.
Viro o braço. Viro a cabeça, e o corpo inteiro para perto.
Eu ainda vou processar tudo isso que foi rápido e não planejado, pois minha maldição é planejar e dar errado. Sempre. Foi o que houve e é o que haverá. Não sei planejar - conclusão. Melhor é deixar como foi. Mas nem sei como será. Não quero uma interrogação, nem frases prontas. Deixa como está. Como veio, vai continuar, ou ir. A pressa que se encarregue de ficar bem guardadinha dentro de mim. O resto eu faço. Só um carinho.
Quero a todos a concretização de um bom final de semana, de sonhos, pesadelos, desejos, impaciência etc. Enfim,
como somos no fundo, todos nós.

Thursday, July 12, 2007

Process, program your self

Eu ainda vou processar. Todas as idéias em uma só. Condensar as vontades, os anseios e a falta de paciência para dar sentido aos lugares, coisas, detalhes, pequenices da vida cotidiana.
Quero suores noturno trocados; sem frio ou calor, que as coisas aconteçam no tempo delas. Sem choramingar pelo que foi, não foi ou pelo que poderia ter acontecido um dia.
Se, se, se...Muita dúvida, pouco valor, e é sempre assim. Histórias cruzadas, encaracoladas pela sensação de que no céu ainda há muita nuvem. Sem sentido, eu vou, continuo escrevendo coisas para alguém que não lê. Já faz tempo que os sentidos se perderam. Uma voz e uma vontade. Aquele antigo pesar das coisas, dos problemas pessoais, da sensação de estar tudo errado em seu devido lugar. Mover pedras, tijolos espalhados. Sem razão, fui e sou assim. Bate uma saudade, aquela vontade de ver um sorriso e ouvir a voz. De antemão, espero o processo. O martelo bater e estalar> Start. Here i go again.
Eu ainda vou processar tudo isso em uma palavra.

The Kiss

O visionário. Pede calma. A visão, profecia profana do bem querer. A vontade de mundo, que não é mundo, mas a representação do que se pede ao mundo e o que ele tem a oferecer. De repente a vontade de saber um furuturo nada próximo, esperançoso, como crianças esperam um tempo lerdo, vagaroso.
Surtos do inverno, onde tudo se passa na quebra do vento com o rosto, na bebida fumegante. No inverno os sentidos mudam. Parecem interiorizarem-se, todos os sentimentos, para dentro do calor que o corpo provoca. Acordar, lavar o rosto em água quente, vestir-se. O visionário pede calma aos transeuntes. As passos inquietos.
E a chama daquele resquício de vontade. Acessa, presa à lâmpada incandescente. Vontade de querer. O saber, pede paciência. Alguém definitivamente precisa morrer. Sim, filosofia do visionário.
Tudo a ele.
Pede calma. Paciência.

Wednesday, July 11, 2007

Pardon

O que é a sensação? Sentir algo?
Sentir que poderia? Sentir alem do que o corpo pede. Mil pensamentos que sobressaem, perpassam a distância entre o corpo e o mundo. Manifestar-se diante do inconsciente, aquele inconsciente que nos faz querer sem saber o porquê. Lá se vai a vontade e quando menos se espera, vêm o murro. O que é a sensação de gostar de outro? A devoção, flagelada, de um sentimento altruísta. Roland Barthes, teórico francês, em seu ensaio Fragmentos do Discurso Amoroso, detalha por meio do campo léxico característico dos escritos amorosos, as relações estabelecidas entre o discurso e o sujeito amoroso. Em específico, Barthes diz que ao nos apaixonarmos por alguém, de fato, estamos nos apaixonando por nós mesmos. Isto é, ao se apaixonar, o sujeito amoroso vê no outro aquilo que quer para si, aquilo que se guarda no íntimo e, logo, a vontade e o crescimento do sentimento vão de encontro ao ego e não ao outro.
Essa proposta nos parece deveras interessante. Mas pouco prática. Serve-nos para os escritos amoroso, às análises crítico-lingüísticas para tratar de assuntos do texto, literários ou não. Na vida prática, sim, a vida prática, bestial, infantil, imatura, desenfreada, enlouquecida pelas vivemos-felizes-para-sempre, nos acostumamos que sem a paixão, estamos vazios. E, claro, que é exatamente essa a sensação que perdura enquanto o coração não pensa em outro. E é estranho essa forma característica de não ser um eu se não houver o outro.
É pertinente, bastante pertinente prestar atenção às sensações. Essas que nos movem à loucura, ao delicioso, ao lascivo encontro da pele, do corpo, da mente e de alguns, poucos, sentimentos nobres. São estágios, essas sensações. Primeiro, vêm a coisa idílica, bonita e altruística. Transforma-se então, em certo estágio, no ódio, na mágoa e no egoísmo de atos e palavras.
E o tal do amor puro? Será que ele existe ou é mais uma criação estranha da ficção?
De nada adianta. Algumas notas de rodapé. No entanto é só para eu tentar entender porque me apaixono, apaixonei e sempre apaixonar-me-ei. Essas sensações.
- Te mando a energia de meu pobre pensamento...eu estou preso naquela cela.
- quando eu era criança, tinha esquecido que crescer...
- não lembro. A última vez que eu te beijei!
- Isso é estranho, porque eu não gosto dessa música...

Tuesday, July 10, 2007

Notes on a scandal

Assistir a um filme, ou ler um livro, pode ter um significado especial ou até mesmo epifânico. É o sentimento, aquilo que nos provoca e nos impulsiona para um lugar cuja a preguiça não nos deixa chegar. Algumas vezes é necessário. Quase sempre. E ficamos assim no zero a zero. Um a um. Dois a um. Um placar de muitos erros, poucos acertos e sem disputa final. Resultados acumulados. Com quem está a bola mesmo?
Que sensação aquela de ter as pernas tremendo, a lata de cerveja fazendo ondas e os pés grudados no chão, quase sem conseguir se mover. Sim, os pés presos. O coração galopando, a boca seca e os olhos quase, quase cegos. Duas escolhas. A de sempre e uma nova. Escolhas. Já escrevi sobre isso aqui. Fizemos escolhas nesse domingo. Eu, Maria, Mario...Escolhemos bem? Quem sabe...Talvez seja esse o começo. A escolha é só a largada para algo, ainda obscuro.
Mas nos reunimos quase como uma família, e isso é o que importa. O filme, os cigarros, as alegrias, as tristezas, as vergonhas e os motivos que nos unem na sinceridade da companhia.
E a escolha? Ela me fez acreditar em algo que eu não sabia se realmente existia. Um sentimento que parecia enterrado. Culpa das pernas bambas e das mãos trêmulas.
E se o gelo rachasse? Cairíamos na água. E se nos afogássemos? Nadaríamos para a costa. E se ficássemos cansados? Nos revezaríamos um com o outro, nadando pelo outro. E se não achássemos a costa? Boiaríamos como duas esponjas. E se, e se, e se... E se?
O gelo pode rachar, poderíamos morrer afogados, mas e se eu não pensasse nisso? E se ao invés de imaginar que o gelo poderia rachar, eu imaginar que ele não vai rachar, mas ao contrário, ele pode estar sólido para nos segurar.
E se?
Feriado estranho. Bom, ruim, intenso...

Saturday, July 07, 2007

Dream a little dream of you and me

Eu tenho um sonho. Eu tenho sonhos intermináveis. Alguns já mais do que reais. Outros, quero-os sonhar eternamente. Nada é proibido. A busca daquilo que falta; um pedaço, uma canção, um livro, um beijo e um outro sonho: aquele de sonhar.
Verdade, admito, que sonhar é pouco. Realizar é tarefa romana. Luta, muita luta braçal. Planejamento do futuro, se houver futuro para se planejar. A vida pede por um plano. Uma meta. Mas sonhar é também acreditar. Filosofia de porta de bar. Na infância temos os primeiros planos e sonhos. Depois tudo se transforma. Eu sempre quis ser médico, biólogo, ter uma casa no campo, ser uma pessoa melhor. Quando criança eu sonhei que eu poderia ser tudo isso. Hoje em dia, ser médico não é mais sonho nem plano. Serei professor. POssivelmente terei a casa no campo e nela, novos sonhos entraram: meus filhos, meus netos, minhas amigas. Construir uma família. Estudar muito. Ter uma biblioteca. Muitos sonhos.
E também acreditar naqueles que temos afeição. Por que eu acredito? Será causa do meu sentimento perverso que não me deixa ver além do não existe? Ah, mas eu sonho que aquilo que não deu certo ainda possa ter um novo novelo para tricotar um novo enredo. Mas eu acredito nas pessoas. Acredito nos sonhos de cada um. Sim, acredito que eu ainda tenho muito do que eu perdi. Aquela criança está, viva, aqui, na pele ainda infantil, nas bobeiras que digo, no cabelo quase loiro, no meu jeito de sorrir e correr. E mesmo depois de tantos anos, eu ainda me deito do mesmo jeito: esfregando os pés uns nos outros; sentimento de criança. Faço cachos no cabelo para dormir e me balanço, como fazia minha mãe comigo.
Vamos sonhar. Sem perder o despertar para tudo aquilo que há lá fora. Acreditar pode ser um começo, o inicio de uma era.
Vamos?
Bom feriado!

Thursday, July 05, 2007

Free for tibet, whales and everything else

Mudamos. Da questão pendente ao questionário filosófico. Filosofar. É, pode ser que a filosofia tenha tentado nos arrancar o pensamento, a reflexão e a vontade de entender-saber.
Mudamos enfim. Daquilo que devemos aprender com as duras penas. Transitar as vontades. Querer nem sempre é poder. Mudamos para o lado mais iluminado. Sombras que se perdem. As lições que aprendemos devem nos mudar. O caminho trilha de outro jeito. Sempre a mesma força de sentir vontades.
Enfim, mudamos. Um prato de lugar, um quadro torto ou um livro da estante. Poeiras e festas de água e sal. A bebida substituída. Mudamos para que o futuro arquitete algo além do que somos capazes de ser e fazer.
Mudamos. Onde?
Sei lá.

Wednesday, July 04, 2007

Parte II

Certeza. Ter a certeza daquilo que se quer. Ouço muita teoria. Faço tricot. Perco o sono. Penso naquilo que eu quero e na certeza de querer. O desejo, a coisa física de consumação da pele e dos sentidos. Será disso que a paixão é feita? Exatamente Estar apaixonado. É a consumação. Fatos. Desejo da pele. Desejo do fogo. Poética do fogo. Arde, queima, dói, arranca o sono, o controle e a razão. E depois? Somente cinzas, num cinzeiro, somente a marca na pele, a dor do amanhã e as conversas não ditas.
Certezas. Ter certeza daquilo que se quer. Do que se pode ter e, por que não, certeza daquilo que podemos suportar. E a cegueira momentânea? Ah, claro que a paixão é senhora dos véus e das vendas escuras.
Será que um dia teremos a certeza daquela velhice tão programada com a Maria?
Aqueles sobrados, as crianças brincando, a comida fumegando no fogão, a mesa quase posta, Fabiana temperando a salada, Pedro (meu filho) jogando água pela janela. O jardim precisando de mais rosas vermelhas. E depois todos sentados. Eu de mãos dadas, Pedro no meu colo enquanto Maria fala algo sobre uma cantora nova. Fabiana à minha frente com a Chloe (acho que esse seria um nome bonito para a filha dela) lendo um livro infantil. Pedro pega na mão de Chloe e leva-a para fora. Uma brincadeira infantil.
Vamos nós três, eu, Fabiana e Maria para a varanda fumar e falar sobre a semana e sobre os problema conjugais. Maria diz “ai que ódio”, morrendo de ciúme de alguém. Fabiana olha e dá um conselho e fala sobre uma paciente sua que tinha um grave problema com o marido. Eu, olho e respondo dizendo que “sei lá, não tenho ciúme. O (piiiiiiiiii) e eu não temos isso. Damos risada quando acontece”.
Nos despedimos na porta de casa. Eu entro, sento no sofá da sala. Abro um livro e (piiiiiiiiiii) senta ao meu lado. Eu, cansado, deito e coloco a cabeça na sua perna. (piiiiiiiii) assiste televisão, enquanto durmo, tranqüilo e acolhido.

Certezas? Quase nenhuma. Só o planejamento e a vontade de saber ó quereres.

Tuesday, July 03, 2007

Save the Heart

Ontem disse: "os que mais sofrem, são aqueles que não sabem o que querem".

Só por hoje. Frase do dia.

Daily Soundtrack: Amy Winehouse - Frank

Monday, July 02, 2007

Tearing Herself Away

O direito de se deixar sofrer. Aquele direito de ficar triste; deixar os olhos cairem e deixar-se em emoção.
Existe tal direito?
Existe esse direito de não querer perdoar, mas sim, ficar triste. Como um processo, suponho. E como toda história é cíclica, as coisas passam, vêm e vão. Sem determinação de relógios. Sem mágoa do tempo e do espaço, um dia ocupados. Pensamentos que seguem um rumo diferente; novos ares. E as lágrimas talvez devam vir naturalmente, pela encosta dos olhos, derrubando caminhos rumo ao destino final.
Existe o direito de pelo menos um sentimento. Se permitimos a felicidade, porque não permitir a tristeza?

Sunday, July 01, 2007

Song, Lyrics and a blank page.

Fica combinado.
Fica combinado que eu ficarei aqui, desse lado, enquanto a história é lida. Fica combinado que eu coloquei um véu nos seus olhos. Fui além e voltei outrem. Fica combinado que por dias seus cheiro estará guardado na minha pele que o furtou só como lembrança. Minha velha mania de mascar cicletes. Você ai e eu aqui. Fica combinado que faltou uma faísca, uma bituca em brasa para acender esse algo que está apagado. Fica combinado um nada, um antes e sem depois.
Desejos, asas, pecados e a velha história. Astrologias virtuais; caimos no consenso. Eu tive duas. Duas vezes me deixei pelo sentimento e deixei a razão no banco. E foi assim mesmo que tudo aconteceu.
Me disseram uma vez que cada um teve ter a força para arcar com as consequencias das escolhas. E cada dia é uma escolha nova. Agora, escolhi escrever esse texto. Escolhi combinar, por uma escolha sua, o que combinamos. Pode ser uma karma, pode ser simplesmente um momento de troca de olhares um pouco, um pouco, mais profundo do que deveria ter sido. Uma dança de violinos sonoros e desfinados. Fica combinado que eu ainda montarei quebra-cabeças pensando do "se" e no "é". Eu combino muito e não encaixo. Ser diferente do que foi. O que fazer com tudo isso agora?
Fica combinado que para mim restou ainda muito carinho. Seu cheiro eu roubei. Restaram as horas daquele dia. Tão rápido. Tudo se passou. Fica combinado que eu vou para lá, tentar, esforçar-me para lavar as mãos e tirar o cheiro.
A borboleta volta para o casulo. Criança brincando com fogo se queima. É isso.

Saturday, June 30, 2007

Alarm Call

Borboletas.
Asas de cores certas, propostas nos ares, coloridas. Paixão pelo que é sempre, sempre, inesquecível. Da casca às cores. Um dia de sol, uma noite bem dormida, uma serena serenata de silêncios noturnos.
Dormi doze horas. Doze sonhos, multiplicados e vividos intensamente. Doze horas de serenidade que aprendi ou deveria ter aprendido. Relaxar a volta. Deixar cairem os prédios tortos e reconstruir outros mais. Por que precisamos de problemas? Por que deixamos velocidades onde não se precisa? E para que tantas perguntas? Somos enciclopédias. Sim, veramente!
E, voa borboleta. Perto daqui. Na janela de frente a quem escreve. O barulhinho das asas. Dentro e fora do estômago. Precisamos de tanto e no fundo seria tão pouco.
Borboletas. Sem perguntas. Sem excesso de velocidade.

Friday, June 29, 2007

Take a deep breath...

Ares. Ares de vagos ventos. Ventos frios, um pouco apressados. E acabam viram, sempre, naquela esquina entre esquecer, permancer e voar.
Novos ares. Ares de cores implícitas, um pouco cinzas, cobreadas e reluzentes.
Ares de vaidade. Pura e simples. Vaidade luxuosa.
Um espelho na mão.
Ares. Solto na ilusão. A cada arcamos com a escolha. Espadas e lanças. Uma escolha e uma diferença. Por que? Volta tudo à estaca zero. Cai a máscara. Tudo é proporcional.
Novos ares.
Ares.

Thursday, June 28, 2007

Batuque

...no primeiro momento, mitos e aventuras. A Batucada dos dentes. Sim, risos. Espelhos de intenção. Somos assim.
E a mãe disse: "Vá, filho, e crie, da corrente. Qubre a corrente. Crie no novo. Forma de açi fundido, arado e aresto para que não se rompa no futuro tênue e frágil, que é o mundo".
Nasça, nasceu, assim a cor daquela batucada. Sentimentos vivivos e vívidos entre o calor do conhecimento e a combustão de uma novidade.
A mãe disse: "vá e faça. Aquilo que te coloco em caminho reto, aqueles que conduzem minha vontade". Nada se perca. Nada se possua. Tudo em pedra, gema e brilho reluzente da paz oculta e da sinceridade brilhante.Festa de confetes, abre alas e prepara aquela avenida; algo de novo vai passar. É assim que a vida faz. A mãe dizendo "em ti, reze àqueles que estão erguendo os cantos do lábio. Transforma-te sorriso".

O batuque dos dentes. Lágrimas à quiza do feliz. Vamos ao café, confeitarias e padarias. Um happy hour. Quero prestar-te atenção. A mesma que dedico aos mitos gregos, apolos e Zeus. Desça raios e germine carinhos; afagos no telefone e assim, amores serão, sempre, amáveis. A mãe disse: "ergua-te corrente fundida, enlace a benção e doe o valor".Não quero luxo. Nem lixo. Quero gozar no final. Meu sonho é ser, simplesmente, imortal.

Me acompanhem. Batuque dos dentes. Sim, risos.
Para Rafa (meu personal laugher) e Mari (à quem eu pediria a mão, se tivesse um anel à altura)

Conflagração. Do it.

A urgência de um texto; das palavras incertas, pouco tolas, que se expressam, vazam liquidas em tudo aquilo que se pede à margem de uma espera. De fato, tais palavras, urgentes de um texto, fazem parte da etimologia em existir; escrito e inscrito, dentro de um mundo inovador – pequeno príncipe. Descubra-se no dicionário perpétuo de buscar na palavra aquilo que se quer da vida. Sem, a vida!

Mesmo pouca, mas inscrita.
Verso de palavra. Meandros ou qualquer coisa como conflagrada. Tudo que se possa valer de uma verdade incontestável – verdade do texto.
Quantos mais posso escrever, além da forma-física presa ainda a um cheiro, um gosto, um prazer ainda vivido. Marcas, apertos, enrosco de cabelo (paro). Orgasmos e tramitação. Etimologia, pouco, somente um pouco explicativa.
É uma doação. Órgãos a solta. Na busca do tempo/palavra perdida. Concomitante ao espaço, à cama, não esquecida e a vontade de sentir um pedaço, um centímetro da pele e fragmentos do tempo.

Conflagração.

Urgência do texto.
Inscrever-se nas linhas certas, esparsas e brancas da falha.
Inscrever-se em pedra moldada, dentro de ti, quente, como eterno. Frágil, e você, em mim, combustão, sonolento e acesso.

Curta memória. Vivo.

Criança ainda, brincando de texto.

Tuesday, June 26, 2007

Wait in the Storm. The rain will stop...

Questão de vida. Ou morte.
Querer aquilo que se pode ter. Vontades de um sentimento maior. Letras e canção. Tudo romantico e etéreo. Sentimentos. Difícil, bem difícil. Questão de vida. Ou morte.
Namorar, talvez seja um dos atos mais complicados da vida. Complicado por ser subjetivo. Sim, subjetivo. Namorar envolve sentimento que são, por natureza, subjetivos e indefiníveis. Podemos sentir, mas não definir. Estranho. Sim, mas real. E a ânsia de se querer alguém? O que é esse limite de sentir que não bastamos por si só? Não deveria ser exatamente ao contrário, quer dizer, deveríamos nos bastar nas noites de sábado, no cinema sozinho aos domingos, no banho, no dia dos namorados e no ano novo com a família? A realidade nunca será perfeita.
Em verdade, a questão nem se trata de aceitar ou recusar. É importante. Pensar a respeito.
Querer alguém? Muito genérico. Pode até ser uma vontade. Quanto a isso nem é necessário levantar discussão. O problema, ao que me parece, é ser o tal do genérico. Querer um namorado significa, a priori, se dispor a aceitar, mas essa aceitação é fruto de um certo "desespero"; a vontade é só carência. Agora, me parece estranho querer alguém somente pela carência, já que esse sentimento deveria ser preenchido não por um namorado, mas pelas coisas da vida que estão faltando. Estranho. Deveras estranho.
O namorado(a) deverá ser produto de vontade, ao meu ver, quando encontramos esse certo "alguém". "Quero namorar ele". "Quero casar com ela". Essa vontade me parece sempre mais genuína e saudável. Existem muitos limites. Todos tênues e frágeis. Não quero o genérico.
O namorado genérico virá, com certeza, mas não será o que se espera e não conseguirá preencher a lacuna. Talvez por um tempo consiga, mas como tudo que é frágil, logo ele poderá quebrar-se.
Devemos saber valores de si mesmos. Devemos esperar? Esperar não. Devemos saber, em primeiro lugar, se sabemos viver sozinhos e quando digo sozinho não me refiro a solidão melancólica, mas ao simples, e piegas, fato de sabermos passar um sábado a noite em casa.
Eu, e não é segredo, estou disposto a ter um relacionamento, mas não é genérico. Ao contrário, eu sei bem quem eu quero. E tudo se encarrega. Procura? Não, eu achei, se não funcionou paciência. O importante para mim é saber que antes de querer um "namorado" eu quero deitar, ler um livro e ficar deitado em uma tarde de sol em casa, sozinho ou acompanhado.
Enfim. Sem moralismo. Só reflexão.

Para Maria, Fabi, Mario e Tato (o menino do robozinho).

Monday, June 25, 2007

Seu pai disse. Sua mãe ordenou.

Como diz a letra "não quero luxo, nem lixo. Meu sonho é ser imortal".
Um dia, naquela semana ainda criança, seus pais disseram brevemente:
- Filho, cuidado!
- Sim, cuidado!
- É uma pena que eu não estarei mais aqui para deixar você brincar no quintal...
- Eu quero ver você se dar bem na vida.
- A mãe sabe que é difícil e ninguém disse que seria fácil. Amar é simples, bem simples.
- E não complique nada. Eu sei que você não vai complicar.
- Amar é fácil.
Disse a mãe.
Encontros, reencontros escondidos em cartas, espelhos quebrados e aquela antiga sensação de que não deu certo. Certo? Subjetividade. Oriundo de vontades, quem somos para querer o certo. Imaginar o certo pensando no errado. Quantos filósofos´já disseram que a dialética entre o certo e o errado é errônea? Sim, mas não acreditamos.
Acreditar é o começo de qualquer coisa. Querer, disposição, aventura e quantos mais etc que existem. Acreditar. Parece-me algo sempre muito delicado. O perigo nos percorre entre as palavras, entre o querer, poder e não-querer. Seremos uma eterna história do vaivém: coração, mente, coração. Chegadas e partidas, estamos em busca.
A mãe disse que amar é simples. Nunca ouvimos nossos pais. Eles são e serão sempre aquela voz da consciência que não ouvimos.
Para o bom e para o mau. Paciência? Temos, claro. Hoje no frio eu queria só aquela coisa. Menino de vila. E a mãe disse, o pai alertou, os amigos, preocupados disseram e aconselharam. Enfim, quem disse realmente que seria tudo tão fácil e simples?
Surpresas que não se acabam.
Hoje é só segunda-feira.

Saturday, June 23, 2007

Título

Para o bom e para o mau. Todas as antíteses do viver-à-espera. Risos. Deve-se risos àquilo que se procura. E por que o riso é antigo, cínico, mas pode ser também algo a mais.
Quem procura. Uma música ou algo mais. Seria isso uma pergunta. Viver não basta. Tudo às ordens com o enigma da interrogação. É, a exclamação (?) poderia ser mais um marca texto. Coloca-se em riso uma exclamação.
Para o bom e para o mau. Vontade de reler "Amar Verbo Intransitivo", meu livro favorito do Mario de Andrade. Vontade de subir a serra e ver a família. Vontades para o bom e para o mau. Razões daquilo que se espera. Quem vive, espera. Uma lógica. Dois ou três beijos no mês e assim vai. Para o bom e para o mau.
Vontade de assistir filmes antigos. Vontade de ouvir música deitado, no silêncio, no escuro e na calma. Tudo às ordens de quem esperou pelo caos. Sons e letras.
Para o bom e para o mau final de semana.
Bom final de semana!

Friday, June 22, 2007

Vicious

Está virando vício, essa coisa de escrever todos os dias de manhã.
Está se tornando necessário acordar de manhã e sentir aquele primeiro friozinho. Tudo é uma primeira vez. Andar no trânsito tornou-se algo indiferente. Ressentimentos diluídos em essência musical. Depeche, Amy, Regina, Strokes, Mary etc.
Fica combinado que estamos só começando. Um passo de cada vez. Marcas de passado vão ficando na poeira da memória, e a memória cada vez mais arquivando eventos desnecessário e prolixos. As vozes também podem ser prolixas. Logo, ela as arquiva.
Mas está virando mania essa coisa de se sentir; eu, passo a régua. Se antes não dormia por culpa quase, quase religiosa, hoje é por pura vontade de prazer e desgaste das mãos.
- É hoje eu descobri que uma moeda é só uma moeda.
- Eu lembro que uma vez eu caí da árvore tentando salvar um gato malhado.
- Todas as vezes que chove fica assim; meio azulado. Deve ser reflexo da janela.
- Eu espero. Eu espero que passe essa vontade.
- Desejo é isso! Pare e respire. Amanhã ele ainda estará ai...
Em verdade é bastante divertida essa coisa de antes e depois. Bem divertido é lembrar que antes era ruim e agora está bom. Exatamente aquela coisa da criança "beija eu", "casa com eu", "qué come". Enfim, as crianças. Tudo é primeira vez. Apaga o resto e deixa o próximo vir. Deixa entrar aquela sensação de que não é o último, mas sim o primeiro. A primeira vontade, o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro orgasmo, a primeira vista. Tudo pode ser em primeiro. Como uma criança. Já chegamos? O tempo não existe. Ele é o agora. Real e paupável. Imperador, meio pragmático, é o tempo do agora. Antes?
Não! Agora!
Para crianças.

Thursday, June 21, 2007

Hugs

Fica combinado que abrir os olhos para a flor é essencialmente um trato nosso.
Não esqueci, essa manhã, de perceber que uma derrota, a menor delas, pode ser fortuita. Na lousa, as lições estão postas. Eu queria ter aprendido mais cedo. Se tivesse encontrado as formas, eu teria, sim, aprendido como aprendem aqueles que ensinam. Mas eu descobri, por fim, a misteriosa forma de se aprender aquilo que não se sabe.
- É verdade. Eu fui lá, mas eu não achei.
- Você sabe! Quantas e quantas maneiras de se pentear o cabelo eu te ensinei...
- Não obstante, eu encarei aquela estátua, imóvel e fria.
- Tenho certeza que não. Eu digo sempre que sim.
- Eu vi aquela estátua como anéis de um planeta distante. Disse algumas palavras e ela guardou em pedra!
- É, isso é assim mesmo, mas passa viu? Eu sei que passa.
E sim, erguer voo é sempre dificil. Um ou dois parabéns e a gente vai dançando rumo ao asfalto quente. E hoje começa o inverno.
Hoje começa o inverno. Uma nova temporada. Um tempo em que Eu não sou mais aquilo, mas o outrem; outrar-se. É, pode ser o frio que esquentará tudo aquilo. Geleiras derretendo. Vamos lá!
Hoje começa o inverno.
Não, sem folhas caindo ou calor de muitos graus. Hoje começa o inverno. Um novo tempo que se renova nas cabeças encolhidas dentro da blusa. Luvas de lã e calçados quentes. Cabeças cobertas, sem cabelo. Hoje começa o inverno. Tempo de aquecer os pés, uns nos outros.
Hoje começa o inverno. Sair de casa só para o necessário e aquela xícara na mão fumegando e formando gotículas de suor na ponta do nariz. Hoje começa o inverno dos chocolates e dos filmes da seção de drama.
Vamos lá! O inverno com aquela luz seca, sem borboletas, sem folhas verdíssimas e sem aquele sol estranho. Hoje começa o inverno das flores. Uma temporada.

Para Fabi

Tuesday, June 19, 2007

Enjoy

Acordei cedo hoje. Domir cedo e acordei cedo.
Manhã ambiguamente fria. Estou a mercê dessas manhãs. Entre o frio e o calor. Me altero no humor do dia.
Queria estar naquelas manhãs frias em que eu contraio o pescoço para dentro da blusa, fecho um pouco os olhos, ando encolhido e com a cabeça levemente inclinada para baixo. Andar assim pelas ruas. Devagar, me segurando, como se o frio pudesse me levar embora com aqueles ventos fortes e gélidos.
Questões? Nenhum. Quase final de expediente e eu já me felicitando em ir para casa, ver televisão e dormir.
E o cotidiano me faz bem. Tem gente que diz que não sou assim.

Monday, June 18, 2007

To strong, for to long...

Gosto das manhãs. O primeiro contato com a brisa, ainda fria, estimulante. As nuvens pouco a pouco se afastam. Naqueles fiapos, os raios de sol perfuram o céu, um pouco escuro, e adentram pelas árvores, janelas e provocam aquela sensação de abertura. Nas manhãs, todos andando com o rosto ainda adormecido, os pensamentos presos as noites bem ou mal dormidas.
Gosto do cheiro das manhãs que despertam vapores, cafés, fumaças. Manhã de sol, pouco fria, e aquela sensação de caminhar. O rumo dessas manhãs que me caminham para um lugar não muito distante. Àquele lugar que não tem ainda um teto, mas uma cama e um lençol marcado. Acordei em meio essa manhã, ao calor pouco intenso, e com a imensa vontade...

(Ah, não sei...e se eu te perguntasse? era assim mesmo...mas você disse que eu queria apenas ter dormido! sabe lá o que acontece enquanto a janela ainda está aberta...eu apertei aquele botão, sabe onde foi? sim, aquele gozo...é porque eu estou quente ainda de você!)

Essas manhãs. Hoje, gosto das manhãs. Gosto mais do que antes e nunca gostei. A cor mudou. Só daqui pra frente passarei a ver melhor as manhãs. E ainda com você, como se fosse ainda tempo parado. Fatos da memória: as marcas do dentes cravadas nas costas e nos braços; aquele calor e a vontade disparada de sentir o gosto/gozo.


Soundtrack: Depeche Mode - Enjoy the Silence

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Cant you understand
Oh my little girl
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm
Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable
All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm
Enjoy the silence



Wednesday, June 13, 2007

Dedos e cordas. Uma só melodia.

Estamos à espera. De quem e quando virá?
Talvez dois ou três vontades de escrever sentimentalidades que poderiam ser ditas dentro daquele pequeno canal do ouvido que, certamente, levaria doçuras românticas até onde se deve ir. Quanta coisa pode acontecer dentro de um pensamento. Agora mesmo, nesse teclado e nessas palavras que vão se formando rapidamente, algo já mudou; algo se desfez e virou outra coisa.
Quanta coisa. Estamos à espera. Sempre à espera da campainha do toque do telefone e das vontades-realizadas-e-desejos à espreita da vontade.

Enfim, vai se indo na semana quente com friozinhos esporádicos e passageiros nas manhãs um pouco, somente um pouco, opacas. Mas ainda, com as borboletas ziguezagueando. Vaivém daquilo lá dentro.

Playing: Marisa Monte - Universo ao meu redor.

Para mais ninguém - Paulinho da viola.

Entre nós deve haver sinceridade
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém

O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus

Monday, June 11, 2007

Bang. Bang. Clap, Clap and Clap

Soprar as velas do bolo. Comemore-se tudo àquilo que deu certo e o erros cometidos. A seta lançada ao alvo. Direto e sem rodeios. As pessoas cometem erros. Ouvi essa frase do meu seriado favorito. As pessoas cometem erros. Mas as pessoas acertam também. É um grande gráfico, no final. Altos e baixos. Alegre e triste. Ainda somos no fundo o homem barroco, antitético. Somos a antítese do que queremos. Cumprir promessa ao travesseiro. Nada a cumprir. Manter uma palavra de honra e ser fiel às decisões.
Sim, acertamos as vezes mesmo sendo o acerto no erro. Certo? Pode ser.
E estou só falando dos acertos reais, da vida racional que temos, em alguns casos. E quanto ao que existe de sentimento. Existe algo de certo e errado? Podemos ser uma antítese e quebrar uma promessa? Aquele desejo. Sim, o desejo é a reação que pode mover muitas, muitas decisões. O desejo, o prazer, o tesão. Não sabemos lidar com isso. Promiscuo, sem vergonha, vadio (a). Enfim, o desejo é aquilo que ser aos homens de matéria prima para erros, livros, poesias, músicas, pinturas. Freud poderia estar certo. Somos movidos pelo desejo. Ao adentra-lo tudo se passa rapidamente. O racional desvanece e dá lugar a uma esfera particularmente deliciosa: o momento em que a adrelina atinge a corrente sanguinea; o prazer, quero dizer.
É. Sempre perigoso. Escorregadio. Sim. Tudo isso.
Mas como diria a Barbra Straisand naquele filme gracioso, O Espelho tem duas Faces, "it´s fucking good".

Saturday, June 09, 2007

Hopes, fear and a big, big jouney

Essa semana eu estive ouvindo Anthony and the Johnsons. Indicação da Fabi e essencial no meu Ipod.
Penso que vários momentos, eu estive à procura de uma trilha sonora, ou várias. Que sentido teria a vida, sem uma trilha original, pulsante e marcante? A música, ao que me parece, vem como o cheiro e tem o mesmo efeito. Os momentos podem ser rememorados pela música. É a nossa trilha. Quantas canções nos perpassaram sem sabermos, mas que ao ouvi-la algo se reconstrói por alguns segundos, como uma montagem; peça a peça, aquele momento se edifica a volta e tudo parece ter voltada ao passado. As badaladas do BigBen em Mrs Dolloway. Eu sinto falta ainda desses momentos quando ouço alguns acordes inesquecíveis. Não posso mais, por exemplo, ouvir Caras e Bocas, um disco impressionante de 1979 da Gal. Ele inteiro é estupendo. Mas não posso ouvi-lo; tem histórias demais dentro dele. E sem falar, é claro, de algumas canções muito particulares que somadas aos seis anos me fazem um tanto melancólico.
Se tenho ao menos uma certa idade para já ter ouvido um certo, e considerável, número de músicas, quantas mais ainda ouvirei? Em verdade, alguns artistas me fazem repelir o presente. Eles me fecham em um mundo tão particular que posso, por vezes, esquecer onde estou. É o caso de Anthony and the Johnsons. Com arranjos frágeis - no sentido de serem ternos - com a voz de Anthony aguda, forte, bruta e suave, esse é um artista que me fez criar um mundo particular. Essa semana, nas manhãs ora frias de outono, ora quentes de outono-verão, fiz meus percusos com essa voz ao meu redor.
Não posso deixar de imaginar que estamos sempre em busca de um momento. Queremos ser um personagem de um filme. Seja qualquer genero, tipo etc. Personagens. Queremos estar naquela Paris de Jules et Jim; queremos a Roma de A Doce Vida e queremos ter os olhos semi-cerrados com inpafia marcante de Bette Davis. E, claro, nas comédias românticas sempre queremos ter o final feliz da mocinha e do mocinho. Somos, ao final de tudo, um filme, bom ou ruim, com direito a trilha sonora, sonoplastia, erros de roteiro, má direção e muitos figurantes, coadjuvantes, protagonistas etc etc etc.
Agora sobem os créditos. Ao final, como trilha Anthony and the Johnsons.

Monday, June 04, 2007

Where?

Para começar a semana:

- os fatos devem ser encarados?
- negar.
- existir as datas.
- comparar.
- descansar.

Então, no final da semana tenho que encarar alguns fatos. Privar? De que? De quem? Para que? Assim é o movimento. Sete anos se passaram e lá vão mais alguns bons anos.
Chega de tentar dissimular. O que é, é e assim são as coisas da vida.

Saturday, June 02, 2007

So many things

Que necessidade de escrever.
Nos ultimos tempos, tenho escrito bastante. Escritos esparsos. Escritos escondidos, porém revelados, como segredos mesmos. Velhas histórias, antigos caminhos e tudo aquilo que pode haver de novo em se reinventar. É uma necessidade.
E, aos poucos, vou voltando com antigos hábitos. Sentir-me aquile novamente. Ficar fora do gesso. Leva tempo? Sim, leva muito tempo. Agora, refazer-me verdadeiramente.
Necessidade.
Vou deixar um conto meu aqui:
Começou com um desejo de sinfonia. Era aquela vontade de saber com quantas notas se compõe um poema musical. Poderia estar sentado nas teclas de um piano, naquele vaivém dos acordes. Aquele momento que já havia passado rapidamente pelos olhos, como se viver fosse somente a soma de todas as vezes que piscou os olhos e por breves momentos tivesse perdido a chance de ver o mundo entre o piscar e abrir os olhos. Tardes inteiras, noites longe do fim e o fim como algo palpável. Amar era assim. Algo como se perder entre os dedos e ranger os dentes na doçura dos vestígios. Tudo era um simples desejo. Queria somente ter sentido mais o corpo, o cheiro, o gosto da boca, as carícias e o colo. Tudo era simples. Somente um desejo de querer o que está ao alcance das mãos. E tudo apartado por um vidro grosso que não tinha reflexos, mas somente uma divisão, como a janela e o fora. Tudo aquilo que estava por vir perdeu-se em um caminho estranho de encontrar e desencontrar o objeto do desejo. Porque queria ser mais, ser algo grandioso para outro algo igualmente grandioso, como escrever sem precisar da caneta e das mãos. Ver o sol nascer pelas notas. Isso também poderia ser um desejo, simples como o desejo.